Hino homenageava partida de Dom Pedro I e só ganhou a letra oficial na República.

Muitas pessoas acreditam que o hino nacional brasileiro foi criado em 1909, quando a letra atual foi escrita por Joaquim Osório Duque Estrada.
No entanto, a construção da música começou muito antes, ainda durante o império brasileiro.
A melodia que deu origem ao hino nacional surgiu em abril de 1831 e foi composta por Francisco Manoel da Silva.
A música era uma homenagem à abdicação de Dom Pedro I, que aconteceu no dia 7 de abril do mesmo ano.
A letra da música fazia referência à recém proclamada independência brasileira e reafirmava que ela se manteria sem a presença forte do imperador:
“Amanheceu finalmente a liberdade ao Brasil não não vai à Sepultura no dia 7 de abril. Da pátria o gratuito se desata do Amazonas até o Prata”.
Naquele momento, o monarca passava por um forte desgaste político após disputas com a elite política brasileira.
A tensão chegou a níveis tão extremos que em 11 de março, de 1831, apoiadores e opositores do monarca se enfrentaram nas ruas do Rio de Janeiro em um evento que ficou conhecido como Noite das Garrafadas.
Para garantir a continuidade de sua casa no trono brasiliero, ele deixou o país e foi para Portugal, onde combateu uma guerra civil.
Sua filha, Maria II, havia se casado com o irmão dele, que a depôs e deu um golpe de Estado absolutista.
Após vencer o irmão, Pedro I faleceu de tuberculose no quarto Dom Quixote, o mesmo em que nasceu.
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A melodia também foi readaptada em 1841 para marcar a coroação antecipada de Dom Pedro II.
Na ocasião, foi utilizada uma letra que procurava legitimar a ascensão precoce do imperador, que chegou ao trono com 14 anos:
“Negar de Pedro as virtudes, seu talento escurecer, é negar como é sublime da bela aurora o romper”.
Após a abdicação de Pedro I, o Brasil passou a ser governado por regentes que administravam em nome de seu filho.
Foi um período marcado por uma série de revoltas locais e o perigo constante de uma dissolução do território nacional.
Para dar estabilidade ao país nascente, o Partido Liberal antecipou em quatro anos a maioridade, já que a Constituição de 1824 só autorizava que o monarca assumisse aos 18 anos.
O episódio ficou conhecido como golpe da maioridade e fez com que Dom Pedro II fosse coroado com apenas 14 anos.
A melodia era constantemente tocada em eventos oficiais da coroa, com variações na letra.
Apesar disso, não era a única, um dos exemplos mais famosos é o atual hino da Independência, escrito pelo próprio Pedro I.
Em 1889, a República recém proclamada fez um concurso para escolher um novo hino nacional.
A música não agradou o povo e nem o marechal Deodoro da Fonseca, virando o atual hino da proclamação da República.
Com o fracasso, a Constituição brasileira passou a reconhecer oficialmente a melodia de Francisco Manoel da Silva como hino nacional em 1890.
Apenas em 1909, Joaquim Osório Duque Estrada escreveu uma letra para ser cantada ao som daquela melodia.
O então presidente da província do Rio Grande do Sul, Dr. Américo de Moura Marcondes de Andrade, chegou a escrever uma breve introdução que era cantada antes da letra original:
"Espera o Brasil que todos cumprais com o vosso dever Eia! Avante, brasileiros! Sempre avante Gravai com buril nos pátrios anais o vosso poder Eia! Avante, brasileiros! Sempre avante Servi o Brasil sem esmorecer, com ânimo audaz Cumpri o dever na guerra e na paz À sombra da lei, à brisa gentil O lábaro erguei do belo Brasil Eia! Sus, oh, sus!"
No entanto, ela não chegou a ser oficializada junto com a letra atual, integrada em 1922 após um decreto presidencial de Epitácio Pessoa.