Atirador se entregou e disse que agiu sozinho, porém testemunhas anônimas falam em uma organização.

Um tribunal do novo regime sírio condenou o ex-ditador Bashar al-Assad à morte por crimes contra a humanidade.
Desde a conquista de Damasco pelos rebeldes do HTS, movimento formado principalmente por jihadistas, Assad fugiu para Moscou.
O governo Putin foi um dos principais aliados de seu regime durante os anos da guerra e deverá ajudar a preservar sua segurança.
Essa não é a primeira vez que um ditador sírio tenta fugir e acaba sendo perseguido por seu passado.
Há mais de seis décadas, outro líder da Síria tentou escapar de seus inimigos políticos e recomeçar a vida no Brasil.
Mesmo vivendo de forma discreta no interior de Goiás, acabou sendo encontrado e assassinado.
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Adib al-Shishakli era oficial do Exército sírio e chegou ao poder após uma série de golpes militares que marcaram a política do país no período pós-independência.
Seu mandato ficou marcado pela concentração de poder, repressão aos partidos, censura e uma violenta campanha de integração nacional.
Um dos episódios mais controversos de seu governo envolveu a minoria drusa, seu regime enviou 10 mil soldados para ocupar a região em que esse grupo étnico vivia.
A operação militar incluiu bombardeios contra cidades da região, destruição de casas e mortes de civis.
Além disso, o ex-presidente foi acusado de divulgar falsos testemunhos atribuídos a líderes drusos para estimular o ódio sectário.
O governo de Shishakli durou pouco. Ele assumiu em 1953 e um ano depois foi deposto por outro golpe militar, deixando a Síria.
Depois de passar por países como França e Suíça, procurou refúgio no Brasil, onde acreditava poder reconstruir a vida longe da política.
No início da década de 1960, Shishakli comprou uma fazenda de arroz em Ceres, no interior de Goiás.
Ali abriu um comércio de secos e molhados na Avenida Bernardo Sayão, principal via da cidade.
A loja era administrada por seu filho mais velho, enquanto ele levava uma rotina discreta ao lado da esposa e da filha caçula.
Para a maioria dos moradores da região, ele era apenas um fazendeiro sírio que havia escolhido o interior brasileiro para viver em paz.
Em 1962, porém, uma reportagem publicada pela revista O Cruzeiro mostrou fotografias do ex-presidente ao lado da família em Ceres, revelando seu paradeiro.
Segundo investigadores, essa publicação provavelmente chamou a atenção de antigos adversários.
Em setembro de 1964, Nawaf Ben Youssef Ghazaleh, integrante da comunidade drusa que vivia no Brasil e trabalhava como vendedor ambulante, chegou à região de Ceres.
Durante três dias ele procurou informações sobre a rotina do ex-presidente. Descobriu que Shishakli costumava atravessar a ponte entre Ceres e Rialma para visitar amigos aos domingos.
Na tarde de 27 de setembro de 1964, Nawaf esperou pela passagem do ex-presidente.
Quando os dois se encontraram, conversaram em árabe. Ele perguntou a Shishakli se "já não basta o mal que fez, você ainda pretende voltar à Síria?”.
Logo depois, sacou um revólver calibre .38 e atingiu o ditador com cinco disparos. Shishakli tentou fugir após ser atingido pelo primeiro tiro, mas caiu poucos metros adiante.
Testemunhas afirmaram que Nawaf se aproximou e efetuou mais quatro tiros à queima-roupa.
Depois do assassinato, Nawaf de escondeu por algum tempo próximo ao Rio das Almas.
Quando anoiteceu, retornou à pensão onde estava hospedado. Tomou banho, trocou de roupa, jantou e foi ao cinema em Rialma. Deixando a cidade apenas na manhã seguinte.
Segundo as investigações, ele seguiu para Anápolis e depois para Minas Gerais, onde encontrou parentes e integrantes da comunidade drusa.
O próprio responsável pela morte escolheu se apresentar às autoridades, afirmando não ter arrependimento.
Ele disse ter decidido matar Shishakli após ler a notícia de que o ex-presidente havia sido anistiado na Síria e poderia retornar ao país.
Os investigadores também trabalharam com a hipótese de que o crime havia sido planejado com apoio de integrantes da comunidade drusa no Brasil.
Anos depois, integrantes dessa comunidade afirmaram ao Correio Braziliense, sob anonimato, que o assassinato foi organizado e financiado por um grupo.
A defesa sustentou que Nawaf havia agido sob forte emoção, motivado pelas perseguições sofridas pelos drusos durante o governo de Shishakli.
O júri popular acolheu essa tese e absolveu o acusado. Após o julgamento, Nawaf voltou a viver em Taguatinga e morreu em 2005. Seus restos mortais foram levados para a Síria.
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