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Fundadores da Brasil Paralelo contam o que estava por trás do surgimento da empresa

Conheça a origem da Brasil Paralelo e as expectativas para o futuro em uma conversa com Lucas Ferrugem e Felipe Valerim.

Por
Rafael Lorenzo M. Barretti
Publicado em
Fundadores da Brasil paralelo em poadcast
Fonte da imagem: Reprodução

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Como uma empresa criada por jovens sem experiência em cinema, sem investidores conseguiu se transformar em uma das maiores plataformas de streaming do Brasil?

Essa foi uma das perguntas respondidas por Lucas Ferrugem e Felipe Valerim no programa Papo de Tubarões, apresentado por Cris Arcangeli

Ao longo da entrevista, os dois fundadores revelaram bastidores dos primeiros anos da Brasil Paralelo.

Assista à conversa completa abaixo:

A inquietação com o Brasil virou uma empresa

Os fundadores contam que a origem da Brasil Paralelo não nasceu com o plano de ser uma produtora, mas de uma tentativa de entender o que estava acontecendo no país durante as manifestações de 2013.

"A gente começou a se preocupar muito com o Brasil. Estudava para abrir uma empresa, mas gastava a maior parte do nosso tempo tentando entender cultura, tentando entender Brasil, tentando entender política", conta o CEO Lucas Ferrugem.

Ele resume aquele período como uma grande inquietação no coração do povo brasileiro, que começava a se levantar sem uma pauta definida:

"Lembro da inquietude. O que está acontecendo com o país? As pessoas foram para a rua manifestar... mas era estranho. Vinte centavos da passagem? Era por isso? Uns dizia que não era pelos vinte centavos. A internet estava em ebulição. A gente tentando entender aquele momento."

Foi dessa busca que surgiu o primeiro grande projeto. Inicialmente, a intenção não era produzir um documentário:

"Organizamos uma série de estudos e entrevistas. Conversamos com 86 pessoas. Ministro do governo, da oposição, ministros do Supremo, professores, políticos... de tudo. A gente só queria pegar as melhores falas, colocar imagens e trilha sonora. Até tinha medo de chamar de documentário porque parecia uma coisa chata."

A aposta era construir uma mídia financiada pelo próprio público, o objetivo era construir uma empresa independente de recursos públicos.

Segundo Lucas Ferrugem, essa ideia surgiu poucas horas antes do lançamento do primeiro documentário:

"A gente percebeu que o único jeito de fazer isso era com investimento pulverizado das pessoas."

Com isso nasceu a ideia de criar o chamado membro fundador, pedindo um pequeno valor para as pessoas apoiarem o projeto. Na mesma noite o investimento já tinha sido pago.

Poucos dias depois o projeto arrecadou cerca de R$1,5 milhão. Hoje o mesmo princípio continua orientando o negócio e a Brasil Paralelo vive dos seus assinantes.

"A gente começou sem experiência e sem dinheiro"

Segundo Felipe Valerim, o maior desafio no início era que nenhum dos fundadores tinha experiência em fazer documentários.

"A gente começou com uma série de documentários, sem nenhuma experiência basicamente e sem dinheiro. Você não tem como contratar uma produtora convencional".

Sem recursos para terceirizar a produção, a solução foi aprender tudo por conta própria.

"Foi uma coisa que, na prática, a gente foi testando, aprendendo a fazer. YouTube, videoaulas... E conseguimos levantar, com muito pouco investimento, nosso primeiro documentário."

Até hoje, mesmo com o crescimento da empresa, os fundadores continuam com as mãos na massa:

"Mesmo hoje, com mais de 250 funcionários, eu sempre estou com um projeto de edição aberto no computador. Não consigo me desvincular dessa coisa de sentar e botar a mão na massa."

[TRAILER] INFERNO

O próximo passo é levar a Brasil Paralelo para o mundo

Depois de consolidar documentários, cursos, livros e uma plataforma própria de streaming, a empresa agora aposta na produção de filmes de ficção com alcance internacional.

Lucas Ferrugem disse que entrar no mercado cinematográfico sempre foi o objetivo, mas isso esbarrava em problemas estruturais para esse tipo de negócio no país:

"No Brasil, fazer filme normalmente depende de incentivo público, distribuidora, sala de cinema. Então tivemos que construir tudo."

Isso incluia criar a própria audiência, a própria plataforma, o aplicativo e desenvolver internamente o conhecimento técnico.

O primeiro longa, Oficina do Diabo, foi produzido integralmente com recursos da empresa. Segundo Felipe, o resultado confirmou a estratégia:

"Foi o maior sucesso financeiro da empresa e trouxe mais de 300 mil novos assinantes."

Agora, o foco está em uma produção voltada ao mercado internacional e o próximo filme já está sendo preparado.

Em O Menino Que Se Chamava Brenda, a Brasil Paralelo contratou atores internacionais em uma produção filmada entre EUA, Brasil e Canadá.

O filme conta a história de David Reimer. Quando bebê, ele perdeu o pênis em uma cirurgia de circuncisão.

Desesperados, os país decidiram criá-lo como uma menina, dentro de um experimento proposto pelo Dr. John Money, o pai da ideologia de gênero. Assista ao trailer abaixo:

[TRAILER] INFERNO
[TRAILER] INFERNO