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John Money: conheça as principais ideias do pai da Teoria de Gênero

Sexólogo cunhou o termo e foi responsável por um experimento bizarro envolvendo crianças.

Por
Rafael Lorenzo M. Barretti
Publicado em
Conheça as principais ideias de John Money, pai das ideologia de gênero
Fonte da imagem: Reprodução

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No meio acadêmico e nos debates políticos, a ideologia de gênero é um dos temas mais debatidos em todo o mundo.

A questão parece recente, mas suas raízes remontam aos anos 1950. No centro dessa história estava um pesquisador neozelandês chamado John Money.

Durante décadas, ele foi considerado uma das maiores autoridades mundiais em sexologia

Trabalhando na Universidade Johns Hopkins, nos EUA, Money desenvolveu teorias que buscavam explicar como uma pessoa se torna homem ou mulher.

Seu objetivo não era entender a biologia por trás do fenômeno, ele defendia que isso era em parte determinado por fatores psicológicos e sociais.

Suas ideias atravessaram os muros da universidade. Influenciaram protocolos médicos, moldaram pesquisas científicas e introduziram conceitos que continuam presentes no debate público até hoje.

Por trás disso há um experimento macabro e falho realizado em dois irmãos gêmeos ao longo de anos.

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O médico que mudou o significado da palavra "gênero"

Até meados do século XX, a palavra gender era usada quase exclusivamente na gramática para classificar substantivos como masculinos, femininos ou neutros.

Foi John Money quem levou esse termo para a medicina. O historiador Vern Bullough explica que, em 1955, Money adotou a palavra "gênero".

Seu objetivo era diferenciar masculinidade e feminilidade do sexo biológico, criando uma distinção que até então não existia na literatura médica:

"Um bom exemplo é a sua concepção de gênero. Em 1955, ele adotou um termo antigo, gênero — há muito usado no discurso linguístico para designar se os substantivos são femininos, masculinos ou neutros — para servir como um conceito abrangente para distinguir a feminilidade ou o ser mulher e a masculinidade ou o ser homem do sexo biológico."

O próprio Money explicou por que fez essa mudança. Segundo ele, a palavra "sexo" havia passado a designar muitas coisas diferentes ao mesmo tempo.

Para ele, o termo explorava de maneira imprecisa questões como anatomia, cromossomos, comportamento sexual e reprodução

Para evitar essa confusão, escreveu que decidiu utilizar a expressão "gender role" como um conceito para descrever comportamentos e funções culturais.

A partir dali, os termos sexo e gênero passaram a ocupar lugares diferentes em sua teoria.

Ele criou o conceito Gender Identity/Role (G-I/R) para afirmar que identidade e comportamento formavam uma única unidade.

"A identidade de gênero é a experiência privada do papel de gênero, e o papel de gênero é a expressão pública da identidade de gênero", escreveu em 1973.

Essa compreensão levou o pesquisador a definir o papel de gênero como tudo aquilo que uma pessoa "diz ou faz" para revelar sua condição de homem ou mulher.

O cérebro nasceria preparado, mas não "programado"

Uma das ideias centrais defendidas por John Money era que o desenvolvimento do gênero resultava da interação entre fatores biológicos e experiências vividas.

Ele rejeitava tanto a ideia de que tudo fosse determinado pela biologia quanto a de que tudo dependesse exclusivamente da educação.

Para explicar essa interação, utilizava uma comparação com a linguagem. Segundo Money:

"Você nasceu com predisposição, mas não foi programado para o gênero, da mesma forma que nasceu com predisposição, mas não foi programado para a linguagem."

Ou seja, na sua visão, o cérebro humano nasceria preparado para desenvolver uma identidade de gênero, assim como nasce preparado para aprender uma língua. 

O conteúdo, porém, dependeria das experiências vividas principalmente nos primeiros anos de vida.

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Um "mapa de gênero" no cérebro

Na tentativa de explicar como biologia e ambiente se uniriam, Money desenvolveu o conceito de gendermap, ou mapa de gênero.

Segundo ele, esse mapa existiria dentro daquilo que chamava de midbrain, uma unidade entre mente e cérebro.

"O mapa de gênero (gendermap) é uma entidade conceitual que reúne todas as diferenças entre masculino e feminino — e também suas semelhanças —, incluindo não apenas aquelas relacionadas à reprodução e determinadas filogeneticamente, mas também as que são arbitrárias e definidas por convenções sociais, como as diferenças entre homens e mulheres na educação, na profissão e no lazer.”

Money afirmava que era no cérebro onde a herança biológica, aprendizado e cultura se encontravam.

Na sua interpretação, pouco importava se essas diferenças haviam surgido antes do nascimento, pela ação hormonal, ou depois, por influência da educação. 

Em ambos os casos, essas características acabariam sendo assimiladas biologicamente no cérebro.

Os primeiros anos seriam decisivos

Essa teoria levou Money a formular um dos conceitos que marcaram sua carreira e deram origem a um experimento macabro pelo qual ele seria lembrado.

Inspirado pela embriologia, ele defendia que o desenvolvimento infantil acontecia por meio de "períodos críticos". 

Em determinados momentos da infância, haveria grande flexibilidade e depois disso, essa possibilidade diminuiria rapidamente.

Segundo escreveu em 1973, as evidências disponíveis indicavam que o desenvolvimento da identidade de gênero acontecia nos primeiros meses de vida.

Depois de aproximadamente 18 meses, o processo se tornaria praticamente irreversível:

"Pelas evidências observadas em pessoas intersexo submetidas a tentativas de redesignação sexual após a primeira infância, torna-se evidente que a fase pós-natal da diferenciação da identidade de gênero já começou de forma inexorável por volta dos 18 meses de idade e está surpreendentemente completa por volta dos 4 anos e meio."

Money também chegou a afirmar que esse período coincidia com a fase em que a criança aprende a falar:

"Podemos agora dizer, no entanto, que o período crítico para a diferenciação da identidade de gênero coincide com o período crítico para a aprendizagem da linguagem."

O experimento macabro de John Money

Essa tese o levou a realizar um de seus experimentos mais polêmicos, o caso dos irmãos Reimer.

Um dos principais problemas para sua teoria dentro da comunidade científica na época era que ela não poderia ser testada de maneira experimental.

O cenário muda quando aparece a família Reimer. Os pais tiveram dois irmãos gêmeos, porém um deles, Bruce, perdeu o pênis durante uma cirurgia de circuncisão mal sucedida.

Desesperados, eles aceitam seguir os conselhos do médico e criar o filho que passou pelo acidente como se fosse uma menina, Brenda.

A experiência é catalogada como um sucesso, mas a verdade é bem mais sombria. Cabe ao pesquisador e rival de John Money, Dr. Milton Diamond expôr o que realmente aconteceu.

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