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Polêmica no esporte: atletas trans deixam o vôlei feminino após nova regra da Confederação Brasileira

Nova regra exige teste de DNA para confirmar o sexo biológico das esportistas.

Por
Rafael Lorenzo M. Barretti
Publicado em
Jogadores trans não poderão mais participar de competições femininas de Vôlei
Fonte da imagem: Reprodução

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Após anos de polêmica, a Confederação Brasileira do Vôlei (CBV) anunciou novas regras que acabam com a participação de atletas trans em jogos femininos

A nova política faz com que a categoria passe a ser restrita às atletasbiologicamente do sexo feminino.

A mudança acompanha as novas diretrizes adotadas pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), pela Federação Internacional de Voleibol (FIVB) e pela Confederação Sul-Americana de Voleibol (CSV).

Segundo o presidente da CBV, Radamés Lattari, “a mudança deixa nossos campeonatos equiparados com as competições internacionais”.

Até então, desde 2017, o Brasil seguia as normas anteriores do Comitê Olímpico Internacional, que permitiam a participação de atletas trans mediante critérios hormonais.

O cenário começou a mudar em setembro de 2025, quando a Federação Internacional de Voleibol tornou obrigatória a utilização da triagem do gene SRY

Em março deste ano, o COI revisou sua política e restringiu a categoria feminina às atletas biologicamente do sexo feminino segundo esse critério.

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Testes vão analisa DNA de atletas

A CBV passará a exigir uma triagem do gene SRY (Sex-determining Region Y), marcador genético associado ao desenvolvimento sexual masculino

Para disputar as competições femininas tocadas pela nova política, a atleta deverá apresentar resultado SRY negativo.

A organização prevê algumas exceções previstas no próprio regulamento para condições específicas do desenvolvimento sexual, que serão analisadas individualmente.

Segundo o presidente do Conselho de Saúde do Voleibol da CBV, João Olyntho, o exame será feito por meio de uma coleta considerada pouco invasiva e precisa:

A CBV se alinhou aos posicionamentos do COI e da FIVB quanto a necessidade das jogadoras realizarem o processo de triagem do gene SRY para a elegibilidade da categoria feminina. A coleta de material é feita de forma pouco intrusiva e altamente precisa

A entidade também esclareceu que identidade de gênero, sexo registrado em documentos ou tratamentos hormonais deixam de ser critérios para definir a participação na categoria feminina.

Quem optar por não realizar o exame não sofrerá punição disciplinar. No entanto, sem a comprovação da elegibilidade, não poderá disputar as competições nacionais submetidas às novas regras.

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Decisão divide atletas

As jogadoras profissionais do Brasil ficaram divididas entre as que apoiaram a decisão e as que criticaram.

Gabi Guimarães e Tiffany chamaram a decisão de discriminatória

A atleta Gabriela Guimarães criticou as mudanças em uma publicação na qual disse se tratar de homofobia:

É muito lindo ver no mês de junho todo mundo colocando arco-íris pra jogo e ganhando notoriedade com a causa. Mas o mês de junho passa, e quem fica na guerra ao seu lado? Quem fica ao seu lado quando os homofóbicos destilam seu preconceito?

Ela também defendeu as normas anteriores e afirmou que defende a jogadora trans Tiffany, que foi um dos casos mais emblemáticos de jogadores trans no Brasil:

Sem explicação plausível, já que a regra internacional existia antes, e sem nenhum olhar para um ser humano que tem uma história, que está com uma temporada em andamento e que depende do seu trabalho para viver… Em algum momento alguém pensou na pessoa da Tifanny, com como isso impacta a vida dela? Já são nove anos disputando a Superliga. Ou só vamos reforçar que as pessoas trans devem ficar à margem da sociedade mesmo?

Em um comentário na publicação, Tiffany agradeceu pelo posicionamento de Gabi Guimarães.

Muito obrigado pela seu posicionamento, Gabi Guimarães, pois suas palavras são verdadeiras e de extrema importância, para juntas combatemos todo e qualquer tipo de preconceitos, discriminação , e exclusão.”

Além disso, ela fez um pronunciamento com criticou a decisão e disse que é discriminatória:

A CBV está tirando tudo o que eu tenho, que é o amor pelo voleibol e a profissão que eu venho exercendo todos esses anos. Mas isso não afeta só a mim, afeta ao meu clube, a torcida, patrocinadores, as pessoas que se inspiram em mim e ainda direito de todas as pessoas Trans. É um enorme retrocesso na luta pelo reconhecimento e pela inclusão.”

Além disso, acusou a confederação de retornar para regras que considera como ultrapassadas:

Voltamos para a forma vexatória como se testavam as atletas nos anos 60/70. Não vou me calar e vou tomar todas as medidas possíveis para que a minha luta pelo direito à visibilidade, a inclusão e a prática do esporte não tenha sido em vão.”

Tandara e Ana Paula Henkel comemoram

Na publicação de uma influenciadora sobre o assunto, a ex-jogadora da Seleção Brasileira Tandara comentou “Vencemos”.

Ela não foi a única ex-atleta do esporte a olhar de maneira positiva para a decisão da CBV. 

A comentarista Ana Paula Henkel também celebrou a mudança, afirmando que foi uma atrocidade contra as mulheres nos esportes:

Basta de homens, basta das atrocidades que foram cometidas contra meninas, contra mulheres, basta da espiral de silêncio que muitas atletas foram colocadas. Eu sei porque muitas entraram em contato comigo ao longo dos últimos 10 anos.”

Além disso, ela denunciou a década de censura que as mulheres críticas à presença de homens biológicos no esporte feminino enfrentaram:

O debate foi censurado. Era só dedo na cara, era só manter-se calada, manter-se em silêncio, um bando de homens mandando meninas e mulheres ficarem caladas por defender o seu sagrado espaço no esporte.”

Ela já havia comentado sobre a censura para quem critica a pauta em uma entrevista no programa Conversa Paralela:

Em uma época que usa tanto a palavra ciência, por que a ciência humana desaparece quando falamos de transexuais no esporte feminino? As feministas precisam  sair dessa espiral de silêncio aqui no Brasil”.

Conheça o experimento que ajudou a difundir a identidade de gênero

Um dos primeiros experimentos sobre transição de gênero em menores foi realizado pelo médico John Money. Em 1967 um bebê recém nascido perdeu o pênis durante um procedimento de circuncisão. 

Desesperados, os pais procuraram o doutor, que falou para que eles criassem a criança como se fosse uma menina e nunca contassem a verdade: ele jamais poderia saber que era um menino

O outro gêmeo também fazia parte do experimento como uma espécie de grupo controle 

Durante décadas, o caso foi tratado como um grande sucesso, com base nos relatórios de John Money, no entanto, a verdade era muito diferente.

Essa história real inspirou o primeiro filme internacional original da Brasil Paralelo, O menino que se chamava Brenda.

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