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Sociedade5 min de leitura

15 por dia: Brasil bate recorde de pedidos para reconhecer troca de sexo em documentos

Aumento no número de pedidos para mudar documentos em cartórios chega a 382% em 7 anos.

Por
Rafael Lorenzo M. Barretti
Publicado em
Fonte da imagem: Reprodução

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Ao longo dos últimos anos, a teoria de gênero e suas consequências se tornaram um dos assuntos mais debatidos no cenário político e social brasileiro.

Isso tem coincidido com uma grande expansão no número de pessoas escolhendo oficializar um processo de troca de sexo.

Apenas em 2024, foram registrados 5.102 pedidos para mudança de sexo em documentos oficiais através de cartórios.

Isso representou um crescimento acentuado de 22,8% dos pedidos em relação ao ano anterior.

O número aumentou em aproximadamente 7% no ano seguinte, batendo a marca de 15 pedidos de retificação por dia.

No Brasil, os cartórios começaram a abrir a possibilidade de oficializar o processo de transição nos documentos em 2018.

  • O experimento com crianças conduzido por um dos principais nomes da ideologia de gênero é o tema do primeiro filme internacional da Brasil Paralelo, O Menino Que Se Chamava Brenda. Assista ao trailer completo abaixo:

Decisão do STF facilitou o processo

Naquele ano, o STF aprovou a ADI 4275, segundo a qual qualquer pessoa pode trocar seu nome nos registros oficiais sem precisar passar por procedimentos jurídicos.

Na ocasião, todos os ministros se posicionaram de maneira favorável à autorização, sendo que a maioria decidiu que não era necessário nem ter uma decisão judicial para abrir o pedido de mudança. 

Já no primeiro ano da decisão foram registrados 1.129 alterações em todos os cartórios ao redor do país.

Desde então, o crescimento acumulado de pessoas que pediram a alteração da documentação tem chegado a mais de 382%.

Como os pedidos se dividem entre os estados?

São Paulo é o estado que concentra o maior número de pedidos em todo o país, concentrando 1.682 requisições apenas em 2025.

Naquele ano, 895 pessoas fizeram a mudança de masculino para feminino, enquanto 725 alteraram de feminino para masculino. 

Além disso, 62 pessoas apenas mudaram o nome sem pedir alteração no sexo em seus documentos.

Apesar desse cenário, o número de pedidos tem disparado em outros estados. Um dos casos que mais tem chamado atenção é o de Mato Grosso do Sul.

Ano passado foram registradas 67 alterações de sexo em documentos, o que representou um crescimento de 52% em relação ao ano anterior. Desse total:

  • 44 pessoas alteraram o registro de masculino para feminino, aumento de 57%;

  • 17 fizeram a alteração de feminino para masculino, crescimento de 21%;

  • outras seis mudaram apenas o nome, sem alterar o sexo registrado.

No estado, o crescimento acumulado desde 2018 chega a 6.700%. O percentual é influenciado pelo fato de que apenas um procedimento foi registrado no primeiro ano.

No Distrito Federal, o avanço foi mais moderado, em 2025 foram registradas 176 alterações, contra 168 em 2024, um crescimento de 4,7%.

Desde que o procedimento passou a ser permitido administrativamente, o aumento acumulado no DF chega a 198%.

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Aumento é um fenômeno global

O avanço desse tipo de processo está seguindo uma tendência internacional, principalmente entre as nações ocidentais.

Um estudo publicado com registros da atenção primária do Reino Unido identificou que os registros relacionados à identidade trans cresceram cinco vezes entre 2000 e 2018.

Segundo os pesquisadores, o maior crescimento ocorreu entre adolescentes de 16 e 17 anos e jovens adultos de 18 a 29 anos.

Nos Estados Unidos, levantamento do Williams Institute estima que mais de 2,8 milhões de pessoas com 13 anos ou mais se identificam como transgênero.

O estudo aponta que aproximadamente três quartos dessa população têm menos de 35 anos.

Entre os adolescentes de 13 a 17 anos, cerca de 3,3% se identificam como transgênero, entre os adultos, esse percentual é de aproximadamente 0,8%.

Os aumentos têm acontecido na medida em que as teorias de gênero se tornam cada vez mais populares e difundidas.

A própria ideia de identidade de gênero tem um criador, um médico neozelandês que se chamava John Money.

Até meados do século XX, a palavra gender era usada quase exclusivamente na gramática para classificar substantivos como masculinos, femininos ou neutros.

Foi ele quem levou esse termo para a medicina. O historiador Vern Bullough explica que, em 1955, Money adotou a palavra "gênero".

Ele defendia que o sexo biológico não determinava a forma como uma pessoa se identificava, mas sim a socialização a partir dos primeiros meses de vida.

Médico esteve por trás de um experimento com crianças

Essa tese o levou a realizar um de seus experimentos mais polêmicos, o caso dos irmãos Reimer.

Um dos principais problemas para sua teoria dentro da comunidade científica na época era que ela não poderia ser testada de maneira experimental.

O cenário muda quando aparece a família Reimer. Os pais tiveram dois irmãos gêmeos, porém um deles, Bruce, perdeu o pênis durante uma cirurgia de circuncisão mal sucedida.

Desesperados, eles aceitam seguir os conselhos do médico e criar o filho que passou pelo acidente como se fosse uma menina, Brenda.

A experiência é catalogada como um sucesso, mas a realidade dos irmãos é bem mais sombria.

Essa história está sendo contada pela Brasil paralelo em seu novo filme O Menino que se Chamava Brenda. Assista ao trailer completo abaixo:

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