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Mundo•5 min de leitura

Cinco estados americanos vão votar leis sobre trans

Medidas visam desde combater a ideologia de gênero nas escolas até barrar trans em esportes femininos.

Por
Rafael Lorenzo M. Barretti
•Publicado em
Eleitores em cabines de votação montadas em um ginásio nos Estados Unidos
Fonte da imagem: The New York Times

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16h
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Além de escolher deputados, senadores e governadores, os eleitores do Arizona, Colorado, Missouri, Nebraska e Washington vão votar em plebiscitos estaduais sobre ideologia de gênero e transgenerismo.

As propostas tratam da participação de atletas trans no esporte feminino, do uso de banheiros, de cirurgias de mudança de sexo em menores e do acesso dos pais aos registros escolares dos filhos.

É a primeira vez que a questão dos atletas trans vai diretamente aos eleitores, depois de anos de debate nos legislativos estaduais.

  • O experimento com crianças conduzido por um dos primeiros nomes nos estudos sobre gênero é o tema do primeiro filme internacional da Brasil Paralelo, O Menino Que Se Chamava Brenda. Assista ao trailer completo abaixo:

Um tema que atravessa os partidos

Repetindo a estratégia da campanha presidencial de Donald Trump em 2024, os republicanos encheram a internet e a TV de anúncios sobre o tema.

Alguns democratas também aderiram, com promessas de manter a ideologia de gênero fora das escolas e impedir que homens biológicos disputem competições femininas.

Para os defensores das propostas, elas servem para proteger mulheres e meninas e garantir espaços separados para elas. Os críticos dizem que as medidas discriminam e expõem trans.

Uma pesquisa da Universidade Quinnipiac, de junho, mostrou que cerca de 7 em cada 10 eleitores acham que mulheres e meninas trans não deveriam competir em times femininos. Entre os democratas, a divisão é de metade para cada lado.

Hoje, 27 estados já têm leis desse tipo, incluindo todos os governados por membros do partido Republicano.

O governo Trump também tem revertido medidas sobre pessoas trans, e a Suprema Corte manteve as proibições estaduais no esporte.

Arizona

A Proposição 318 amplia a proibição que o estado já tem desde 2022, que vale apenas para escolas públicas.

Se aprovada, a regra passa a valer para praticamente todas as competições esportivas do estado: escolas particulares, faculdades, universidades e ligas privadas.

A proposta também restringe vestiários, chuveiros e banheiros ligados ao esporte a pessoas do sexo de nascimento.

No estado, uma proposta aprovada em plebiscito não pode ser revogada pelos deputados estaduais. Se passar, a medida entra em vigor em 1º de janeiro.

Missouri

A Emenda 3 mistura dois temas: revoga a proteção constitucional ao aborto, aprovada pelos eleitores em 2024, e coloca na Constituição estadual a proibição de tratamentos de mudança de sexo em menores.

Essa proibição já está em vigor desde 2023 e continua valendo de qualquer forma. Na Constituição, porém, ficaria mais difícil de ser contestada ou derrubada.

A campanha é liderada pela organização Her Health, Her Future, que tem como tesoureira Claudia Kehoe, primeira-dama do Missouri. O senador republicano Josh Hawley também apoia a proposta.

Nebraska

A Medida 442 coloca na Constituição estadual a proibição de atletas trans em times femininos, aprovada por lei no ano passado. Assim como no Missouri, a mudança tornaria a regra mais difícil de derrubar.

A iniciativa é do grupo Fairness for Girls, liderado pela ex-senadora estadual republicana Julie Slama, entre outros.

Washington

Assim como o Colorado, o estado é governado por democratas e tem duas propostas na cédula.

A Iniciativa 638 proíbe meninas trans em times femininos e vai além: todas as atletas teriam de comprovar o sexo biológico por meio da anatomia, de exames genéticos ou dos níveis de testosterona. A exigência não vale para times masculinos.

O Let’s Go Washington diz ter contado 16 atletas trans em times femininos no estado. Já a associação esportiva escolar estadual registra cerca de 101 mil meninas nas modalidades que supervisiona.

A Iniciativa 001 obriga as escolas a dar aos pais acesso aos registros médicos e de aconselhamento psicológico dos filhos. Críticos temem que a medida exponha alunos LGBT a pais que não os apoiam.

As duas propostas são financiadas pelo dono de um fundo de investimentos, Brian Heywood. O grupo dele arrecadou mais de US$ 7,8 milhões, quase o dobro dos opositores.

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Colorado

O estado, governado por democratas, tem duas propostas na cédula. Como os legisladores rejeitaram restrições, ativistas levaram o tema diretamente aos eleitores.

A Proposição 134 proíbe meninas trans em times femininos, inclusive no esporte universitário.

Os atletas teriam de competir de acordo com seu “sistema reprodutivo biológico”. Críticos dizem que o texto pode levar a inspeções invasivas para confirmar o sexo das atletas.

A Proposição 135 proíbe cirurgias de mudança de sexo em menores de 18 anos e veta o uso de dinheiro público para pagar esses procedimentos.

Associações médicas do estado criticam a medida por tirar a decisão de pacientes, famílias e médicos.

A transição de sexo em crianças não é uma novidade entre as pessoas que defendem a ideologia de gênero.

Na realidade, o próprio médico responsável por difundir o conceito, John Money, fez um experimento envolvendo bebês.

Ele defendia que o sexo biológico não determinava a forma como uma pessoa se identificava, mas sim a socialização a partir dos primeiros meses de vida.

O experimento polêmico de John Money

Essa tese o levou a realizar um de seus experimentos mais polêmicos, o caso dos irmãos Reimer.

Um dos principais problemas para sua teoria dentro da comunidade científica na época era que ela não poderia ser testada de maneira experimental.

O cenário muda quando aparece a família Reimer. Os pais tiveram dois irmãos gêmeos, porém um deles, Bruce, perdeu o pênis durante uma cirurgia de circuncisão malsucedida.

Desesperados, eles aceitam seguir os conselhos do médico e criar o filho que passou pelo acidente como se fosse uma menina, Brenda.

A experiência é catalogada como um sucesso, mas a realidade dos irmãos é bem mais sombria.

Essa história está sendo contada pela Brasil Paralelo em seu novo filme O Menino que se Chamava Brenda. Assista ao trailer completo abaixo:

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