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Sociedade5 min de leitura

Conheça a história de Jim Ambrose: ele foi criado como menina e só descobriu a verdade décadas depois

Ex-ativista foi parte de um procedimento inspirado nas pesquisas de John Money.

Por
Rafael Lorenzo M. Barretti
Publicado em
Jim Ambrose, o homem que foi transformado em mulher
Fonte da imagem: The Guardian/PR

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Kristi nasceu em 1976, em Baton Rouge, Louisiana, e cresceu como uma garota normal durante as décadas de 1980 e 1990

Desde a infância, ela nunca se sentiu confortável com o próprio corpo nem com a identidade feminina que vivia. 

Ela também não compreendia por que precisava tomar medicamentos diferentes das outras crianças.

Ninguém  nunca explicava por que todo aquele tratamento era necessário, o assunto era tratado como um segredo dentro da própria família.

Tudo isso começou a fazer sentido anos depois, quando descobriu que era parte de um experimento.

  • O experimento com crianças conduzido por um dos principais nomes da teoria de gênero é o tema do primeiro filme internacional da Brasil Paralelo, O Menino Que Se Chamava Brenda. Assista ao trailer abaixo:

Kristi foi vítima de um procedimento forçado

John Ambrose, como se chama atualmente, nasceu com características dos dois sexos em seus genitais, o que é conhecido como intersexo

Seguindo a orientação dos especialistas, seus pais autorizaram uma cirurgia para retirar seus testículos e modificar seus órgãos genitais para que se parecessem mais com os de uma menina.

Toda a sua infância foi marcada por uma decisão tomada por médicos e familiares sem que ele soubesse

Enquanto cursava a universidade, aos 20 anos, ele leu sobre pessoas intersexo em uma disciplina de estudos feministas e começou a perceber semelhanças com sua própria história.

Pouco depois, conseguiu acesso aos seus prontuários médicos soube que havia nascido intersexo.

Aquela revelação respondeu perguntas que o acompanhavam Jim Ambrose desde a infância.

Após descobrir a verdade, ele se mudou para a região de São Francisco, na Califórnia, onde encontrou uma pequena comunidade de pessoas intersexo.

Ainda jovem, passou a atuar como ativista, acreditando que ajudaria a impedir que outras crianças passassem pela mesma situação ao contar sua história.

Ele denunciava que essas cirurgias poderiam deixar consequências permanentes, como depressão, automutilação, dificuldades na vida sexual e sensação de desconexão com o próprio corpo.

Sua fase de ativismo acabou quando ele teve um burnout na casa dos 30 anos de idade:

Eu dizia aos jovens ativistas que, se você decidir falar publicamente, especialmente sobre os abusos que você e sua família sofreram, isso tem um custo. Nunca se esqueça de que isso tem um custo”.

Após se recuperar, Ambrose decidiu voltar a falar e chegou a estrelar um documentário sobre sua história, divulgado ano passado pelo Channel 4.

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Os protocolos de John Money

Durante décadas, os protocolos médicos para bebês que tivessem genitálias duvidosas recomendavam a operação imediata.

Os procedimentos definiam qual seria o sexo da criança, depois os pais eram ensinados a criar os filhos dentro do designado e não revelar a história de maneira alguma.

Esse modus operandi foi estabelecido com base nas pesquisas realizadas pelo sexólogo John Money.

Uma das ideias centrais defendidas por ele era que o desenvolvimento do gênero resultava da interação entre fatores biológicos e experiências vividas.

Ele rejeitava tanto a ideia de que tudo fosse determinado pela biologia quanto a de que tudo dependesse exclusivamente da educação.

Para explicar essa interação, utilizava uma comparação com a linguagem. Segundo Money:

"Você nasceu com predisposição, mas não foi programado para o gênero, da mesma forma que nasceu com predisposição, mas não foi programado para a linguagem."

Ou seja, na sua visão, o cérebro humano nasceria preparado para desenvolver uma identidade de gênero, porém, isso depende das experiências vividas principalmente nos primeiros anos de vida.

Essa teoria o levou a formular um dos conceitos que marcaram sua carreira e deram origem a um experimento macabro pelo qual ele seria lembrado.

Inspirado pela embriologia, ele defendia que o desenvolvimento infantil acontecia por meio de "períodos críticos". 

Em determinados momentos da infância, haveria grande flexibilidade e depois disso, essa possibilidade diminuiria rapidamente.

Segundo escreveu em 1973, as evidências disponíveis indicavam que o desenvolvimento da identidade de gênero acontecia nos primeiros meses de vida:

"Pelas evidências observadas em pessoas intersexo submetidas a tentativas de redesignação sexual após a primeira infância, torna-se evidente que a fase pós-natal da diferenciação da identidade de gênero já começou de forma inexorável por volta dos 18 meses de idade e está surpreendentemente completa por volta dos 4 anos e meio."

O experimento polêmico de John Money

Essa tese o levou a realizar um de seus experimentos mais polêmicos, o caso dos irmãos Reimer.

Um dos principais problemas para sua teoria dentro da comunidade científica na época era que ela não poderia ser testada de maneira experimental.

O cenário muda quando aparece a família Reimer. Os pais tiveram dois irmãos gêmeos, porém um deles, Bruce, perdeu o pênis durante uma cirurgia de circuncisão mal sucedida.

Desesperados, eles aceitam seguir os conselhos do médico e criar o filho que passou pelo acidente como se fosse uma menina, Brenda.

A experiência é catalogada como um sucesso, mas a verdade é bem mais sombria. Cabe ao pesquisador e rival de John Money, Dr. Milton Diamond expôr o que realmente aconteceu.

Essa história está sendo contada pela Brasil paralelo em seu novo filme O Menino que se Chamava Brenda. Assista ao trailer completo abaixo:

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