Conheça a história de Jim Ambrose: ele foi criado como menina e só descobriu a verdade décadas depois
Ex-ativista foi parte de um procedimento inspirado nas pesquisas de John Money.

Kristi nasceu em 1976, em Baton Rouge, Louisiana, e cresceu como uma garota normal durante as décadas de 1980 e 1990.
Desde a infância, ela nunca se sentiu confortável com o próprio corpo nem com a identidade feminina que vivia.
Ela também não compreendia por que precisava tomar medicamentos diferentes das outras crianças.
Ninguém nunca explicava por que todo aquele tratamento era necessário, o assunto era tratado como um segredo dentro da própria família.
Tudo isso começou a fazer sentido anos depois, quando descobriu que era parte de um experimento.
O experimento com crianças conduzido por um dos principais nomes da teoria de gênero é o tema do primeiro filme internacional da Brasil Paralelo, O Menino Que Se Chamava Brenda. Assista ao trailer abaixo:
Kristi foi vítima de um procedimento forçado
John Ambrose, como se chama atualmente, nasceu com características dos dois sexos em seus genitais, o que é conhecido como intersexo.
Seguindo a orientação dos especialistas, seus pais autorizaram uma cirurgia para retirar seus testículos e modificar seus órgãos genitais para que se parecessem mais com os de uma menina.
Toda a sua infância foi marcada por uma decisão tomada por médicos e familiares sem que ele soubesse.
Enquanto cursava a universidade, aos 20 anos, ele leu sobre pessoas intersexo em uma disciplina de estudos feministas e começou a perceber semelhanças com sua própria história.
Pouco depois, conseguiu acesso aos seus prontuários médicos soube que havia nascido intersexo.
Aquela revelação respondeu perguntas que o acompanhavam Jim Ambrose desde a infância.
Após descobrir a verdade, ele se mudou para a região de São Francisco, na Califórnia, onde encontrou uma pequena comunidade de pessoas intersexo.
Ainda jovem, passou a atuar como ativista, acreditando que ajudaria a impedir que outras crianças passassem pela mesma situação ao contar sua história.
Ele denunciava que essas cirurgias poderiam deixar consequências permanentes, como depressão, automutilação, dificuldades na vida sexual e sensação de desconexão com o próprio corpo.
Sua fase de ativismo acabou quando ele teve um burnout na casa dos 30 anos de idade:
“Eu dizia aos jovens ativistas que, se você decidir falar publicamente, especialmente sobre os abusos que você e sua família sofreram, isso tem um custo. Nunca se esqueça de que isso tem um custo”.
Após se recuperar, Ambrose decidiu voltar a falar e chegou a estrelar um documentário sobre sua história, divulgado ano passado pelo Channel 4.
Os protocolos de John Money
Durante décadas, os protocolos médicos para bebês que tivessem genitálias duvidosas recomendavam a operação imediata.
Os procedimentos definiam qual seria o sexo da criança, depois os pais eram ensinados a criar os filhos dentro do designado e não revelar a história de maneira alguma.
Esse modus operandi foi estabelecido com base nas pesquisas realizadas pelo sexólogo John Money.
Uma das ideias centrais defendidas por ele era que o desenvolvimento do gênero resultava da interação entre fatores biológicos e experiências vividas.
Ele rejeitava tanto a ideia de que tudo fosse determinado pela biologia quanto a de que tudo dependesse exclusivamente da educação.
Para explicar essa interação, utilizava uma comparação com a linguagem. Segundo Money:
"Você nasceu com predisposição, mas não foi programado para o gênero, da mesma forma que nasceu com predisposição, mas não foi programado para a linguagem."
Ou seja, na sua visão, o cérebro humano nasceria preparado para desenvolver uma identidade de gênero, porém, isso depende das experiências vividas principalmente nos primeiros anos de vida.
Essa teoria o levou a formular um dos conceitos que marcaram sua carreira e deram origem a um experimento macabro pelo qual ele seria lembrado.
Inspirado pela embriologia, ele defendia que o desenvolvimento infantil acontecia por meio de "períodos críticos".
Em determinados momentos da infância, haveria grande flexibilidade e depois disso, essa possibilidade diminuiria rapidamente.
Segundo escreveu em 1973, as evidências disponíveis indicavam que o desenvolvimento da identidade de gênero acontecia nos primeiros meses de vida:
"Pelas evidências observadas em pessoas intersexo submetidas a tentativas de redesignação sexual após a primeira infância, torna-se evidente que a fase pós-natal da diferenciação da identidade de gênero já começou de forma inexorável por volta dos 18 meses de idade e está surpreendentemente completa por volta dos 4 anos e meio."
O experimento polêmico de John Money
Essa tese o levou a realizar um de seus experimentos mais polêmicos, o caso dos irmãos Reimer.
Um dos principais problemas para sua teoria dentro da comunidade científica na época era que ela não poderia ser testada de maneira experimental.
O cenário muda quando aparece a família Reimer. Os pais tiveram dois irmãos gêmeos, porém um deles, Bruce, perdeu o pênis durante uma cirurgia de circuncisão mal sucedida.
Desesperados, eles aceitam seguir os conselhos do médico e criar o filho que passou pelo acidente como se fosse uma menina, Brenda.
A experiência é catalogada como um sucesso, mas a verdade é bem mais sombria. Cabe ao pesquisador e rival de John Money, Dr. Milton Diamond expôr o que realmente aconteceu.
Essa história está sendo contada pela Brasil paralelo em seu novo filme O Menino que se Chamava Brenda. Assista ao trailer completo abaixo:
Clique aqui para não perder o lançamento em 2027.
![[LEAD] TECHNOCRACIA](/_next/image?url=https%3A%2F%2Fmkt.brasilparalelo.com.br%2Fcampanhas%2Fc67aaf95-2848-495b-bc8b-8759fde8eb36.webp&w=3840&q=75)
![[LEAD] TECHNOCRACIA](/_next/image?url=https%3A%2F%2Fmkt.brasilparalelo.com.br%2Fcampanhas%2F827b1766-6d10-4d5e-a2a3-828f0443f7c6.webp&w=3840&q=75)




















