Ministério Público afirma que a instituição seria obrigada a disponibilizar as vagas por causa de parceria com o governo.

A Faculdade de Medicina do Hospital Albert Einstein se tornou o mais novo alvo do Ministério Público Federal (MPF).
O órgão ingressou na Justiça para obrigar a instituição a adotar cotas em seus programas de residência médica.
Atualmente, o processo seletivo funciona apenas pelo sistema de ampla concorrência.
Na edição de 2026, foram oferecidas 111 vagas distribuídas entre especialidades como anestesiologia, cirurgia geral, clínica médica e ginecologia.
Na ação, o MPF pede que parte dessas vagas seja reservada para grupos específicos. A proposta prevê a seguinte distribuição:
30% para candidatos negros;
10% para pessoas com deficiência;
5% para indígenas;
5% para quilombolas;
5% para pessoas transexuais.
A residência médica é uma modalidade de pós-graduação voltada para médicos recém-formados.
Durante o programa, os profissionais recebem treinamento prático supervisionado para se especializar em áreas específicas da medicina.
O principal argumento do Ministério Público está relacionado à parceria mantida entre o Einstein e o governo federal por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde.
O programa reúne hospitais filantrópicos de referência, como o Albert Einstein, o Sírio-Libanês e a Beneficência Portuguesa.
Em troca de reduções drásticas em impostos, essas instituições desenvolvem projetos voltados ao SUS. Isso incluí questões como:
pesquisas;
capacitações profissionais;
tratamentos especializados;
mutirões de atendimento.
Segundo o MPF, essa relação cria obrigações adicionais para as instituições participantes.
O órgão argumenta que, em 2024, o Ministério da Saúde publicou uma portaria criando um programa de ações afirmativas.
A norma determina que projetos, bolsas e processos seletivos ligados às ações do ministério reservem vagas para negros, indígenas, quilombolas, pessoas com deficiência e transexuais.
Na avaliação dos procuradores, o Einstein estaria sujeito a essas regras por participar do Proadi-SUS e se beneficiar de incentivos públicos indiretos.