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“Isso gera muita confusão”: Caetano Veloso critica radicalização em questões de gênero e raça

O cantor disse que o Brasil parece “irrecuperável”, mas ainda tem algo a dizer para o mundo.

Por
Rafael Lorenzo M. Barretti
Publicado em
Caetano Veloso cantando
Fonte da imagem: Reprodução

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Famoso defensor de pautas ligadas à esquerda identitária, Caetano Veloso disse que o discurso progressista foi longe demais.

Durante uma entrevista para o jornal espanhol El País, o músico fez comentários sobre a situação política atual do Brasil.

Um dos pontos que ele trouxe foi uma autocrítica à visão que ele defende, pautas como gênero, sexualidade e raça.

Depois de destacar que sempre teve um posicionamento progressista sobre essas questões, ele afirmou que as pautas estão radicalizadas e causando confusão social:

Hoje parece haver mais exposição do que qualquer outra coisa. Quando escrevi ‘Verdade Tropical’, dizia que a esquerda precisava prestar mais atenção às questões raciais, sexuais e comportamentais. Mas hoje me parece excessivo o nível de racialização, sexualização e ênfase nas questões de gênero. Isso gera muita confusão”.

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Caetano está preocupado com o Brasil

O cantor também falou sobre como vê a situação do Brasil e do mundo nos dias atuais.

Apesar de não ter uma visão otimista sobre a situação nacional, o músico defende que o país ainda tem algo a dizer para o mundo

As coisas estão tão ruins hoje em dia. O Brasil parece irrecuperável. Mas, ao mesmo tempo, a sensação de que ele ainda pode dizer algo importante ao mundo, persiste

Ele fez questão de destacar seu repúdio a setores da direita brasileira que apoiam o regime militar:

Há pessoas que dizem publicamente que gostariam da volta da ditadura militar. E falam isso como se fosse algo normal. Para mim, isso é insuportável. A prisão, o confinamento e o exílio foram experiências muito dolorosas. Ficamos dois meses presos, depois vários meses confinados em Salvador e mais de dois anos exilados. Isso mudou até mesmo minha maneira de enfrentar o mundo”.

Caetano foi um dos artistas mais emblemáticos a usarem sua voz na época para se opor ao então governo brasileiro.

Por isso, chegou a ser preso por ficou cerca de dois meses preso em 1968, um ano marcado por fortes protestos e tensão política.

Pouco depois, foi exilado pelo regime e passou a morar em Londres até retornar no ano de 1972.

O regime militar só chegaria ao fim em 1985. Conheça a história do período e o contexto histórico em que ele aconteceu com o filme 1964: O Brasil Entre Armas e Livros. Assista completo abaixo:

[LEADS] Brasil Evangélico
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