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Como seria o Brasil de Enéas? Descubra o que ele pensava para a economia

Candidato era um forte crítico das privatizações e defendia romper com o sistema financeiro internacional.

Por
Rafael Lorenzo M. Barretti
Publicado em
Enéas Carneiro, como ele pensava a economia
Fonte da imagem: Reprodução

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Considerado por muitos como um antecessor de Bolsonaro e da direita contemporânea, o nome de Enéas Carneiro voltou ao debate através das redes sociais.

Até mesmo o candidato do Partido Novo, Romeu Zema, chegou a adaptar o bordão de Enéas em um vídeo de campanha no qual disse “meu nome é Zema”.

No entanto, a forma como Enéas via a economia é muito diferente do discurso da maioria das figuras no espectro político atual.

Nas três eleições presidenciais que disputou, o fundador do PRONA tinha um discurso crítico à venda de estatais, além de propor o rompimento com o sistema financeiro internacional.

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Enéas falava em romper com o sistema financeiro

Em um dos curtos e impactantes vídeos de sua campanha em 1994, Enéas chegou a falar abertamente em sua proposta de deixar as finanças globais:

Em uma entrevista para a Folha de São Paulo feita em 1998, ele explicou em mais detalhes o que quis dizer com a proposta:

Quando digo sistema financeiro internacional, estou falando de um conjunto de órgãos. Isso engloba Fundo Monetário Internacional, Banco Mundial, Organização Mundial do Comércio etc. Eu não acredito que haja outro caminho.”

Nessa época, essas instituições difundiam o chamado Consenso de Washington, um conjunto de medidas liberais para a economia, que incluíam:

  • corte drástico de déficits públicos;

  • privatizações;

  • abertura comercial;

  • desregulamentação para investimento estrangeiro.

A ajuda financeira para os Estados através do FMI e do Banco Mundial estava submetida ao seguimento desses princípios.

No ano da entrevista mencionada, por exemplo, o governo brasileiro aceitou fazer um ajuste fiscal em troca de um auxílio de R$41 bilhões dessas instituições financeiras.

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A forte crítica às privatizações

Outro ponto que Enéas criticava com frequência em suas entrevistas e debates era a privatização de empresas estatais.

A privatização de qualquer estatal que se relaciona com componentes estratégicos… o que é privatizar, por exemplo, telecomunicações? É entregar para eles um sistema vital de controle... Não é como a privatização está sendo feita, nessas estatais ela não tem que ser feita”, como falou em uma entrevista.

Além de querer barrar a venda de outras empresas, o professor também defendia que o Estado deveria retomar o controle do que havia sido vendido:

Em chegando (à Presidência), voltam todas as ex-estatais. Tudo, sem exceção. Como pagaria? Com os mesmos papéis com os quais elas foram entregues. Eles vieram e voltam. Terei do meu lado a lei, sem dúvida”, afirmou para a Folha de São Paulo.

Um dos casos que ele mais criticou foi o da Vale do Rio Doce, que controlava os minérios no Brasil. 

O candidato costumava dizer que a empresa não havia sido vendida, mas na realidade foi doada.

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Entenda o caso da Vale do Rio Doce

Enéas tinha uma visão muito crítica sobre a privatização da Vale do Rio Doce, afirmando que a empresa lidava com recursos estratégicos:

Quando a Vale do Rio Doce foi privatizada, foi um crime de lesa-pátria, um crime colossal contra o povo brasileiro… o que sai nos jornais é que a Vale não dá lucro, que patifaria, que mentira. Por que eles não disseram nos jornais a verdade?”, afirmou durante o programa do Ratinho.

Além da abertura para investimentos estrangeiros, a privatização da Vale foi criticada por conta do valor arrecadado.

Muitos acusavam o governo de ter subprecificado a empresa, vendendo as ações por um preço abaixo do mercado.

Menos de um ano após a abertura para o capital privado, a empresa teve lucro de R$756 milhões, aproximadamente 46% maior do que o resultado de 1996.

Essa não foi a única privatização que causou polêmica durante o governo de Fernando Henrique Cardoso

Privatizações de FHC aconteceu em meio a escândalo

A venda do sistema Telebrás em 1998, que cuidava da telefonia, também foi outro caso envolto em suspeitas e acusações

Apesar de ter sido a privatização mais lucrativa da história até então, arrecadando mais de R$22 bilhões para o governo, casos relacionados à venda foram parar na Justiça.

Altos membros do governo FHC foram julgados por acusações de improbidade administrativa, suposto privilégio a empresas e prejuízo ao erário.

Houve até relatos de escutas ilegais em telefones de escritórios do BNDES, que teriam sido utilizados para favorecer consórcios de investidores.

No entanto, nenhum dos acusados de envolvimento nesses escândalos foram punidos. Em 2009, a Justiça inocentou uma série de figuras, como:

  • o então ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros;

  • o ex-presidentes do BNDES, André Lara Resende;

  • o ex-presidente do BNDES, José Pio Borges;

  • o ex-presidente da Anatel, Renato Guerreiro.

A história de Enéias vai muito além da barba e do bordão.

Um dos políticos mais emblemáticos desde a redemocratização, Enéas chamou a atenção do país com sua barba, óculos e o bordão “Meu nome é Eneias”.

Por trás do jeito caricato, ele era professor, formado em medicina e licenciado em física e matemática.

Sua retórica inflamada e ideias nacionalistas o fizeram ganhar a admiração de muitos e o estranhamento de outros.

Em agosto, Enéas será o personagem da segunda biografia da Brasil Paralelo, o documentário inédito Meu Nome é Enéas.

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