Ex-candidato acusou o financista de ligação com o tráfico de drogas.

Atualmente, o mundo conhece o financista George Soros como um dos principais patrocinadores da esquerda internacional.
Por meio de sua organização filantrópica, a Open Society Foundation, ele repassa bilhões para grupos que propagam pautas como aborto, ideologia de gênero e legalização das drogas.
Apesar de ficar mais conhecido com as redes sociais, as ações de Soros começaram muito antes delas o denunciarem.
Na década de 1990, o candidato à presidência Enéas Carneiro (PRONA) já falava sobre essa figura.
Durante o Programa do Ratinho, ele levou uma cópia da revista Executive Intelligence Review (EIR), com acusações contra Soros.
Segundo o candidato, o mega financista estaria por trás da compra da Vale do Rio Doce, privatizada em maio de 1997.
“Quem comprou a Vale do Rio Doce? Claro que os senhores não sabem, porque a imprensa podre não mostrou. Quem comprou foi o senhor George Soros, mega especulador mundial.”
Em seguida, ele levanta a acusação da revista de que o magnata estaria ligado com o tráfico internacional de drogas:
“Ele é apresentado, não por mim, como um dos reis do narcotráfico mundial, é por isso que a imprensa não gosta de mim, é por isso. Quem que quem comprou a Vale do Rio Doce foi o narcotráfico”.
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A revista mencionada por Enéas durante a participação no programa do Ratinho foi criada nos EUA por membros do movimento LaRouche.
O grupo era formado pelos seguidores do político e teórico Lyndon LaRouche Jr., que disputou as eleições americanas entre 1976 e 2004.
Originalmente ligado ao socialismo marxista, a visão de mundo do político mudou drasticamente ao longo de sua vida.
LaRouche iniciou a carreira política no Partido Socialista dos Trabalhadores, sigla de inspiração trotskista que ele mesmo formou.
No entanto, com o tempo, ele passou a se aproximar de pautas mais ligadas ao conservadorismo, como energia nuclear e o combate às drogas e aos progressistas.
Um relatório da CIA sobre a revista acusa a publicação e o movimento de propagar teorias da conspiração.
Na década de 1990, Soros era conhecido como um importante aliado do governo americano.
Ele utilizava suas fundações filantrópicas para pressionar pela abertura política e econômica de países socialistas, como a Hungria, Polônia e até mesmo China.
O financista e suas organizações se tornaram muito influentes no Brasil durante a década de 1990.
Uma reportagem de 1999 publicada pela BBC comenta que o ex-funcionário da Soros Fund Management, Armínio Fraga Neto, assumiu o cargo de presidente do Banco Central naquele ano.
Durante a privatização da Vale do Rio Doce, Soros entrou como um investidor minoritário da empresa.
O financista colocou aproximadamente R$100 milhões na compra. O valor total da privatização chegou a R$3.3 bilhões.
Enéas tinha uma visão muito crítica sobre a privatização da Vale do Rio Doce, afirmando que a empresa lidava com recursos estratégicos:
“Quando a Vale do Rio Doce foi privatizada, foi um crime de lesa-pátria, um crime colossal contra o povo brasileiro… o que sai nos jornais é que a Vale não dá lucro, que patifaria, que mentira. Por que eles não disseram nos jornais a verdade?”, afirmou durante o programa do Ratinho.
Além da abertura para investimentos estrangeiros, a privatização da Vale foi criticada por conta do valor arrecadado.
Muitos acusavam o governo de ter subprecificado a empresa, vendendo as ações por um preço abaixo do mercado.
Menos de um ano após a abertura para o capital privado, a empresa teve lucro de R$756 milhões, aproximadamente 46% maior do que o resultado de 1996.
Essa não foi a única privatização que causou polêmica durante o governo de Fernando Henrique Cardoso.
A venda do sistema Telebrás em 1998, que cuidava da telefonia, também foi outro caso envolto em suspeitas e acusações.
Apesar de ter sido a privatização mais lucrativa da história até então, arrecadando mais de R$22 bilhões para o governo, casos relacionados à venda foram parar na Justiça.
Altos membros do governo FHC foram julgados por acusações de improbidade administrativa, suposto privilégio a empresas e prejuízo ao erário.
Houve até relatos de escutas ilegais em telefones de escritórios do BNDES, que teriam sido utilizados para favorecer consórcios de investidores.
No entanto, nenhum dos acusados de envolvimento nesses escândalos foram punidos. Em 2009, a Justiça inocentou uma série de figuras, como:
o então ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros;
o ex-presidentes do BNDES, André Lara Resende;
o ex-presidente do BNDES, José Pio Borges;
o ex-presidente da Anatel, Renato Guerreiro.
Um dos políticos mais emblemáticos desde a redemocratização, Enéas chamou a atenção do país com sua barba, óculos e o bordão “Meu nome é Eneias”.
Por trás do jeito caricato, ele era professor, formado em medicina e licenciado em física e matemática.
Sua retórica inflamada e ideias nacionalistas o fizeram ganhar a admiração de muitos e o estranhamento de outros.
Em agosto, Enéas será o personagem da segunda biografia da Brasil Paralelo, o documentário inédito Meu Nome é Enéas.
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