O político ficou conhecido por sua defesa de ideias nacionalistas e valores conservadores.

Na década de 1990, um médico que também possuía diploma em matemática e física tentou mudar o Brasil, mas foi ridicularizado pela imprensa.
Com apenas 15 segundos no horário eleitoral, ele conseguiu fazer com que o país inteiro decorasse seu seu nome, Enéas Carneiro.
Representando o partido que ele mesmo fundou em 1989, o Partido de Reedificação da Ordem Nacional (PRONA), Enéas disputou três eleições presidenciais.
Em 1994, recebeu 4,6 milhões de votos e acabou à frente de Leonel Brizola, um dos maiores líderes na história da esquerda brasileira.
Mas afinal de contas, quem realmente foi Enéas Carneiro? Conheça sua trajetória abaixo:
Enéas Ferreira Carneiro nasceu em Rio Branco, no Acre, no dia 5 de setembro de 1938.
Filho de um barbeiro e de uma dona de casa, ele cresceu em uma família humilde e católica.
Quando tinha apenas 9 anos, perdeu o pai e a situação financeira da família piorou drasticamente.
Ainda criança, começou a trabalhar para ajudar no sustento da família. Passou por açougues, construção civil, escritórios e serviços de datilografia.
Ao mesmo tempo, desenvolveu uma disciplina intensa com os estudos e se destacou na escola.
Anos depois, passaria em primeiro lugar na Escola de Saúde do Exército, o que lhe permitiu escapar da pobreza.
Ele se mudou para o Rio de Janeiro, onde se formou como Terceiro Sargento Auxiliar de Anestesia e trabalhou no Hospital Central do Exército.
A trajetória de Enéas aparece na série O Teatro das Tesouras. Clique aqui para assistir completo.
Enéas se formou em Medicina pela atual UNIRIO e se especializou em cardiologia, se tornando mestre pela UFRJ nessa área. Ao mesmo tempo, cursou matemática e física na UERJ
Ele foi autor da obra O Eletrocardiograma, apelidado de “a bíblia de Enéas”, a obra foi um dos livros mais renomados escrito por um brasileiro sobre o assunto.
Além de atuar como médico, também deu aulas de matemática, química, física, biologia e português em cursos preparatórios para vestibular.
Ele gostava de citar filósofos, cientistas e pensadores políticos em entrevistas. Lia desde Aristóteles até Engels.
Essa formação ampla ajudou a construir a imagem que o acompanharia por toda a vida pública: a de um intelectual nacionalista.
Na juventude, Enéas se interessou pelas ideias socialistas. Leu Karl Marx e Friedrich Engels.
Ele diz que a teoria é uma das mais bonitas da ciência política, porém ele reconhece que a experiência socialista foi um fracasso:
Durante entrevistas, ele deixou claro que defende o sistema capitalista, porém afirma que o Brasil não tem um livre mercado.
Em sua concepção, o país era refém do capital internacional e das oligarquias que se beneficiam dele.
Para mudar esse cenário, Enéas acredita que é necessário um Estado forte e interventor, capaz de promover o desenvolvimento nacional.
Ao longo de sua carreira política, ele foi um forte crítico às privatizações promovidas pelo governo FHC, afirmando que se tratava de um saque aos recursos nacionais.
Além disso, ele era crítico ao plano real, afirmando que ele dolarizava a economia brasileira e defendia que ela não deveria ser paga nas condições da época.
Como forma de garantir a soberania nacional, ele acreditava que era necessário construir uma bomba nuclear brasileira, uma de suas propostas mais icônicas.
Naquela época, o Brasil ainda não havia ratificado o Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), apesar de já ter sido assinado por Collor.
Apesar de críticas ao regime militar que governou o país de 1964 até 1985, ele defendia o fortalecimento das Forças Armadas.
Para além da questão de soberania nacional e economia, Enéas era um apoiador de pautas conservadoras.
Ele criticou diversas vezes a sexualização dos programas de televisão na época e se opunha a pautas como aborto, legalização das drogas e casamento homossexual.
Enéas rejeitava os rótulos tradicionais de esquerda e direita, dizendo que o verdadeiro conflito do mundo moderno estava entre países soberanos e forças internacionais que enfraquecem os Estados.
Enéas disputou três eleições presidenciais, chegando ao terceiro lugar em 1994. Também tentou chegar à prefeitura de São Paulo em 2000.
Naquele ano, Marta Suplicy venceu o pleito no segundo turno após derrotar Paulo Maluf.
A trajetória de Enéas aparece na série O Teatro das Tesouras. Assista ao primeiro episódio abaixo:
Mesmo assim, sua influência política continuou. Em 2002, foi eleito deputado federal por São Paulo com mais de 1,5 milhão de votos.
Ele foi o mais votado na história brasileira até Eduardo Bolsonaro conseguir 1,84 milhão de votos em 2018.
Na Câmara, manteve o discurso nacionalista e crítico ao governo Lula. Também apresentou projetos ligados à soberania energética e à alimentação infantil.
Em 2006, durante a campanha pela reeleição como deputado, Enéas descobriu uma leucemia após uma pneumonia grave.
O tratamento de quimioterapia fez com que perdesse a barba, uma de suas marcas registradas.
Mesmo debilitado, continuou em campanha para se reeleger como deputado, trazendo o slogan:
“Com barba ou sem barba, meu nome é Enéas.”
Após meses de tratamento sem melhora significativa, decidiu interromper a quimioterapia.
Enéas Carneiro faleceu no dia 6 de maio de 2007, aos 68 anos. Conforme havia pedido em vida, suas cinzas foram lançadas na Baía de Guanabara.
Atualmente, seu legado tem sido resgatado por diversos apoiadores através das redes sociais.
Existem dezenas de canais que divulgam seus cortes e suas entrevistas, alguns deles com centenas de milhares de seguidores.