Canhão foi trazido para o Brasil após conquista de fortaleza na maior guerra na história da América Latina.

Em meio a uma crise diplomática com o Paraguai, Lula concordou em devolver uma relíquia histórica, o canhão "El Cristiano".
A decisão foi acertada em uma reunião que aconteceu no mês passado com os comandantes militares e o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro.
Mesmo que o presidente esteja de acordo com a devolução da peça, isso só acontecerá após negociações do Ministério das Relações Exteriores.
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Há mais de 15 anos o Paraguai pede pela restituição do canhão, mas os pedidos ganharam um novo gás após uma crise diplomática causada por uma fala de Lula:
“Nós gostamos da paz, mas não podemos esquecer que, certa vez, o Paraguai decidiu invadir o Brasil. Invadiu Corumbá e, ao mesmo tempo, invadiu o Uruguai e a Argentina. E essa guerra, que parecia que não ia dar em nada, durou cinco anos”, afirmou.
O Congresso do Paraguai chegou a aprovar uma declaração de repúdio à fala do presidente brasileiro:
“Você está falando com muita leviandade da maior tragédia da nossa história e do maior genocídio do nosso continente”, escreveu o presidente da Câmara dos Deputados do país, Raul Latorre.
Essa não seria a primeira vez em que artefatos do conflito são utilizados como ferramentas políticas e diplomáticas.
O governo argentino de Juan Domingos Perón chegou a enviar alguns itens enquanto procurava se aproximar do país em 1954.
Até mesmo o Brasil chegou a encaminhar dois lotes durante o regime militar, mais especificamente nos governos de Geisel e Figueiredo.
O canhão é uma peça de artilharia utilizada na Guerra do Paraguai, o maior conflito que aconteceu na história da América do Sul.
Ele recebeu o nome de El Cristiano, o Cristão, porque foi construído a partir do bronze de sinos de igrejas derretidos.
A peça de artilharia foi capturada quando as tropas da Tríplice Aliança tomaram a fortaleza de Humaitá, em julho de 1868.
O artefato só foi oficialmente integrado ao acervo do Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro, em 1922 e segue em exibição até hoje.
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