Os dois países têm narrativas diferentes sobre o conflito que marcou a região.

Em meio a uma forte crise diplomática, o ministro das Relações Exteriores do Paraguai, Rubén Ramírez Lezcano, convocou o embaixador brasileiro no país.
A conversa entre os dois acontece após Lula falar por telefone com o presidente do país, Santiago Peña.
No centro dos problemas entre os dois países está um conflito militar que aconteceu há mais de 162 anos, a Guerra do Paraguai.
Isso porque Lula falou sobre o confronto enquanto defendia o investimento nas forças armadas em um discurso na cidade de Jacareí:
“Nós gostamos da paz, mas não podemos esquecer que, certa vez, o Paraguai decidiu invadir o Brasil. Invadiu Corumbá e, ao mesmo tempo, invadiu o Uruguai e a Argentina. E essa guerra, que parecia que não ia dar em nada, durou cinco anos”, afirmou.
O Congresso do Paraguai chegou a aprovar uma declaração de repúdio à fala do presidente brasileiro.
“Você está falando com muita leviandade da maior tragédia da nossa história e do maior genocídio do nosso continente”, escreveu o presidente da Câmara dos Deputados do país, Raul Latorre.
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O conflito teve início em novembro de 1864, quando as tropas do ditador Solano Lopez sequestraram o navio Marquês de Olinda.
Pouco menos de um mês depois, o exército paraguaio invadiu a província de Mato Grosso, deixando um rastro de morte, estupros e destruição.
O objetivo era avançar até o Rio Grande do Sul, garantindo controle fluvial na Bacia do Prata.
Em meio aos avanços, as tropas passaram por parte da Argentina, arrastando o país para o conflito ao lado do Brasil.
Poucos anos antes, o império brasileiro havia entrado em guerra contra o regime do ditador Juan Manuel Rosas.
O país, agora governado pela oposição a Rosas, decidiu entrar na guerra ao lado dos brasileiros.
Do lado paraguaio, a narrativa é de que o país estava enfrentando o imperialismo brasileiro daquela época.
Solano López tinha um acordo de proteção com o presidente uruguaio Manuel Oribe, que também era muito próximo de Rosas e queria controle sobre a bacia do Prata.
Para garantir o controle estratégico ao Prata, o governo brasileiro também apoiou a oposição a Oribe em um conflito civil no Uruguai.
Após a entrada de tropas brasileiras no país, Oribe foi derrubado e substituído pelo Partido Colorado, legenda rival.
Durante a guerra contra Solano Lopez, o Uruguai se aliou ao Brasil e à Argentina, no que ficou conhecido como Tríplice Aliança.
Os historiadores costumam dividir o conflito em três partes. A primeira marcada pelo avanço paraguaio, que foi possível por causa do efeito surpresa e do despreparo das forças armadas brasileiras.
A segunda é marcada por vitórias brasileiras, conhecidas como dezembradas, e pela reorganização militar do Brasil sob comando do Duque de Caxias.
Já a fase final do conflito aconteceu sob comando do genro de Dom Pedro II, Conde D’Eu, e pelo avanço das forças aliadas até a morte de Solano Lopez.
Como o ditador fugiu para o Norte do país em busca de uma rota de fuga, o conflito foi prolongado.
Sem soldados profissionais, as tropas paraguaias começaram a colocar mulheres e crianças na linha de frente, causando a morte de civis.
Um dos episódios mais sangrentos foi a batalha de Acosta Ñu, em que centenas de menores morreram durante o confronto. Até hoje, o dia 16 de agosto é lembrado como dia das crianças no país.
As estimativas apontam para a morte de aproximadamente 60% dos homens do país, o que faz com que os paraguaios acusem o Brasil de crime de guerra até os dias de hoje.
A Brasil Paralelo resgatou a história do país e seus personagens no épico Brasil: A Última Cruzada. Assista ao episódio sobre o reinado de Dom Pedro II completo abaixo: