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O que Lula fará sobre o afastamento do diretor da PF? Veja as movimentações do presidente sobre o caso

Assessores dizem que Lula deverá agir com cautela, mas presidente já acionou a AGU.

Por
Rafael Lorenzo M. Barretti
Publicado em
Veja as movimentações de Lula após afastamento do diretor da PF
Fonte da imagem: O Globo

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O ministro André Mendonça determinou o afastamento de Andrei Rodrigues do comando da Polícia Federal na manhã desta terça-feira (8).

A decisão não foi vista com bons olhos pelo presidente Lula e seus aliados no governo.

Ele chegou a acionar a Advocacia-Geral da União (AGU) pouco após a decisão de Mendonça e classificou a situação como uma “intromissão indevida”, segundo a CNN.

Apesar disso, o presidente deverá tratar o caso com cautela e já sinalizou que vai falar diretamente com o presidente do STF, Edson Fachin.

Assessores já aconselharam o presidente a evitar conversas com Alexandre de Moraes sobre a decisão.

O receio é que esse episódio fortaleça a campanha eleitoral de Flávio Bolsonaro, que é crítico ao ministro e à atuação da Polícia Federal contra seu pai e aliados.

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Primeiro ministro de Lula se pronuncia

Enquanto o governo avalia como prosseguir nesse cenário, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, já comentou a questão.

Em suas palavras, a decisão foi “descabida” e “cheira como eleitoreira”, além disso, o ministro não poupou críticas à atuação de Mendonça:

"Ninguém está acima da lei. Com base nessa referência, a decisão do ministro André Mendonça, no que tange o pedido de afastamento do diretor geral da Polícia Federal, é descabida e uma intromissão onde não lhe cabe… Apurar eventuais indícios de delitos está correto. Mas essa medida me cheira como eleitoral. Isso não pode. O STF precisa tomar providências".

O caso foi para uma sessão extraordinária virtual para ser discutido pela segunda turma do STF.

Poucos minutos depois, o ministro Gilmar Mendes pediu vistas do processo, isso significa mais tempo para analisar o processo.

Apesar disso, a Corte conseguiu formar maioria para referendar a decisão, já que o presidente da Turma, Luiz Fux, e o ministro Nunes Marques anteciparam seus votos.

Com isso, a decisão de Mendonça já foi validada pela Justiça, independentemente dos magistrados que restam.

O único a não se manifestar sobre a situação de Andrei Rodrigues até o momento foi Dias Toffoli.

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Entenda a decisão de André Mendonça

A decisão também levou ao afastamento do diretor de inteligência da corporação, Leandro Almeida Costa.

Os dois passarão a ser alvo de um procedimento administrativo-disciplinar e penal pela Corregedoria da Polícia Federal.

O motivo para a decisão foi um relatório produzido de maneira irregular pela PF contra Mendonça.

Segundo o ministro, ele e o Advogado-Geral da União (AGU), Jorge Messias foram alvos de monitoramento sistemático por parte da agência:

"Em segundo lugar, importa registrar que este relator foi submetido a monitoramento sistemático por parte da inteligência da polícia federal. Conforme consta do já mencionado Ofício 40/2026/GAB/PF, subscrito pelo Diretor-Geral da Polícia Federal, houve a produção de ao menos seis relatórios de inteligência produzidos pela UADIP/CINQ/CGRC/DICOR/PF, os quais teriam sido recebidos por referida autoridade entre os dias 3 e 31 de agosto de 2026. Ou seja, ao menos há mais de 30 dias este relator tem sido monitorado pela Polícia Federal. Trata-se de monitoramento ilícito de Ministro da Suprema Corte do país, o que por si só revela a gravidade da situação", escreveu o ministro.
Além disso, Mendonça afirmou que Alexandre de Moraes tinha conhecimento desses relatórios irregulares.

O material teria sido utilizado no pedido do ministro para incluir Mendonça no inquérito das Fake News.

E mais, conforme depreende da própria decisão do Ministro Alexandre de Moraes, previamente, este teria tido ‘notícias da existência’ desses relatórios. Isso significa que, ademais da produção ilícita dos ‘documentos’, foi dada ciência das suas existências a outro Ministro para que este subscritor fosse incluído no Inquérito das Fake News. Registro que o encaminhamento do material correspondente foi feito senhor Andrei Rodrigues, conforme ofício subscrito às 18h45 do dia 01/09/2026”.

O presidente do STF, ministro Edson Fachin, retirou o pedido para investigar Mendonça do âmbito do inquérito das Fake News.

Com isso, o caso deverá ser tratado dentro dos mesmos procedimentos abertos após a divulgação de mensagens que ligam Moraes a Vorcaro, divulgadas por Mendonça. 

Fachin é um crítico da permanência do inquérito no STF, as investigações foram abertas por Toffoli em 2019 e seguem ativas.

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Decisão segue pedido do Partido Novo

Essa decisão é o retorno a uma petição elaborada pelo Partido Novo pelo afastamento de Andrei por seu suposto envolvimento com o dono do Master:

A peça embasa os pedidos formulados nas mensagens telefônicas contidas no aparelho celular de DANIEL BUENO VORCARO, apresentadas na Informação da Polícia Judiciária IPJ-A nº 3298613/2026, nas quais há citações ao nome de “Andrei”, tendo a Polícia Federal identificado a pessoa citada como sendo o Diretor-Geral da instituição, Andrei Augusto Passos Rodrigues.”

Na semana passada, um relatório da Polícia Federal com mensagens do banqueiro se tornou público após uma decisão de Mendonça.

As mensagens expuseram a relação de Vorcaro com Alexandre de Moraes, o procurador da República, Paulo Gonet e Andrei Rodrigues.

"Não conseguimos reverter isso com Paulo e Andrei? Muita sacanagem isso”, chegou a dizer Vorcaro em uma conversa com Moraes.

Entenda o caso do Banco Master

A maior fraude bancária na história do Brasil”, foi assim que Fernando Haddad classificou o caso do Banco Master.

Agora, policiais e jornalistas estão revelando que o Vorcaro mantinha uma ampla rede de contatos com alguns dos nomes mais poderosos do Brasil.

Entenda o caso a fundo com o especial da Brasil Paralelo, Raio-X Banco Master, com a apresentação de Caio Coppola.

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