Romeu Zema oficializou candidatura à Presidência e mira o eleitorado insatisfeito com o PT e o STF.

"Meu nome é Zema." Assim começa o vídeo em que Romeu Zema anuncia que será presidente.
O ex-governador de Minas Gerais oficializou sua candidatura à Presidência da República nesta segunda-feira, em Brasília.
A frase usada remete imediatamente ao "Meu nome é Enéas", marca registrada das campanhas do médico e político Enéas Carneiro nos anos 1990 e 2000.
Enéas concorreu três vezes à Presidência, em 1989, 1994 e 1998. Depois se elegeu deputado federal por São Paulo em 2002, com mais de 1,57 milhão de votos, a segunda maior votação individual já registrada no país até hoje.
Apesar de a frase lembrar o slogan, Zema segue uma linha política bem diferente da de Enéas. Enquanto o ex-governador defende uma agenda liberal e alinhada aos Estados Unidos, o professor era nacionalista.
Enéas defendia empresas estatais em setores estratégicos e a proteção da indústria brasileira. Foi um forte opositor às políticas econômicas de Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso.
No vídeo de lançamento, Zema se dirigiu diretamente ao Partido dos Trabalhadores.
“Em Minas, eu acabei com o PT e fiz isso antes do café da manhã. Não falta dinheiro, sobra ladrão. E o Lula vai ficar desempregado em janeiro."
Zema colocou o governo Lula, o PT e o STF como seus principais adversários de campanha. Sobre o Supremo, afirmou querer "acabar com essa farra dos intocáveis" e criticou nominalmente o ministro Gilmar Mendes.
O candidato também prometeu classificar facções como o Comando Vermelho e o PCC como organizações terroristas.
A candidatura chega em um momento favorável para Zema nas pesquisas. Segundo levantamento do BTG/Nexus divulgado nesta segunda, ele aparece empatado tecnicamente com Lula em um eventual segundo turno: 42% a 46%.
Zema oficializou a candidatura sem ter definido nome para vice. Nos bastidores, ele defendia o empresário Geraldo Rufino como parceiro de chapa, mas a composição não avançou, já que Rufino deve concorrer ao Senado por São Paulo.
Ele também chegou a citar a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro como possível vice, hipótese descartada publicamente por ela horas depois.
A Brasil Paralelo está produzindo um documentário original sobre a trajetória de Enéas Carneiro. O lançamento acontecerá em breve.
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