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Israel intercepta navio a caminho de Gaza com Greta Thunberg a bordo

Navio transportava ajuda humanitária e ativistas internacionais contrários ao bloqueio em Gaza. Passageiros foram detidos e levados a Israel.

Por
Redação Brasil Paralelo
Publicado em
Greta Thumberg e Thiago Ávila
Fonte da imagem: Fabrizio Villa/Getty Images

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Um navio da Freedom Flotilla Coalition (FFC), organização internacional contrária ao bloqueio imposto por Israel à Faixa de Gaza, foi interceptado por forças navais israelenses na manhã de segunda-feira (3).

A embarcação, chamada Madleen, transportava suprimentos humanitários e ativistas de diferentes nacionalidades, entre eles a sueca Greta Thunberg, conhecida por sua militância ambiental.

O Madleen navegava em direção à costa de Gaza quando, segundo a FFC, foi cercado por drones e abordado por militares israelenses em águas internacionais.

Vídeos divulgados pela organização mostram tripulantes com coletes salva-vidas e mãos levantadas, além de relatos de que a embarcação foi atingida por uma substância branca pulverizada de drones. Israel nega qualquer ilegalidade na operação.

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Segundo o Ministério das Relações Exteriores de Israel, os passageiros foram levados com segurança ao porto de Ashdod e deverão ser devolvidos aos seus países de origem.

O ministério afirmou que o grupo buscava “encenar uma provocação midiática cujo único propósito era ganhar publicidade”, acrescentando que há formas legais de fazer chegar ajuda humanitária a Gaza.

Entre os passageiros também estavam a deputada francesa Rima Hassan e o ativista brasileiro Thiago Ávila. Todos participavam da chamada Freedom Flotilla, campanha internacional contra o bloqueio israelense.

O grupo acusa Israel de violar o direito internacional ao interceptar uma missão civil em águas internacionais

Segundo a organização, o navio levava alimentos, fórmulas infantis e suprimentos médicos destinados à população de Gaza, que enfrenta uma crise humanitária severa após meses de conflito e restrições de acesso à ajuda.

Pressões internacionais levaram à liberação parcial de suprimentos, mas organizações humanitárias alertam que a quantidade permitida ainda está muito abaixo da necessidade. A ONU estima que uma em cada cinco pessoas em Gaza esteja em situação de fome.

O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, declarou que instruiu as Forças de Defesa do país (IDF) a impedir que o Madleen chegasse à costa de Gaza.

Após a detenção dos ativistas, o ministro anunciou que vídeos dos ataques do Hamas de 7 de outubro seriam exibidos aos passageiros para contextualizar a decisão israelense.

Antes de embarcar, Greta Thunberg reconheceu os riscos da missão. “Sabemos que é uma missão arriscada. Experiências anteriores com flotilhas como essa resultaram em ataques, violência e até mortes”.

A Freedom Flotilla Coalition já havia relatado outro incidente semelhante no mês anterior. Na ocasião, o navio Conscience, que também tentava furar o bloqueio, teria sido alvo de um suposto ataque de drone perto da costa de Malta. Israel não comentou o caso.

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Governo brasileiro emitiu uma nota e afirmou estar monitorando o caso

Em nota divulgada na manhã desta segunda-feira (9), o Governo do Brasil pediu que Israel libertasse os tripulantes detidos. Leia a nota:

“O governo brasileiro acompanha com atenção a interceptação, pela marinha israelense, da embarcação Madleen, que se dirigia à costa palestina para levar itens básicos de ajuda humanitária à Faixa de Gaza e cuja tripulação, composta por 12 ativistas, inclui o cidadão brasileiro Thiago Ávila.
Ao recordar o princípio da liberdade de navegação em águas internacionais, o Brasil insta o governo israelense a libertar os tripulantes detidos.
Sublinha, ademais, a necessidade de que Israel remova imediatamente todas as restrições à entrada de ajuda humanitária em território palestino, de acordo com suas obrigações como potência ocupante.
As Embaixadas na região estão sob alerta para, caso necessário, prestar a assistência consular cabível, em consonância com a Convenção de Viena sobre Relações Consulares”.

Entenda o conflito entre Israel e o Hamas

Não é fácil compreender um conflito com camadas históricas, religiosas, territoriais e políticas. 

A maioria dos especialistas do Oriente Médio tem um consenso sobre o conflito entre Israel e Palestina: o ocidente possui uma visão nebulosa sobre o que acontece no Oriente Médio. 

A relação entre as sociedades dessa região é complexa e não cabe nas simplificações políticas que são adotadas na visão de franceses, brasileiros ou americanos. 

Para analisar o Oriente Médio, é preciso ajustar a lente para a lógica da região. Por esse motivo, a Brasil Paralelo mobilizou a sua equipe para ir até o local e ouvir as pessoas que de fato vivem essa realidade, produzindo o filme From The River To The Sea, Entenda a Guerra em Israel.

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