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Tarifas de Trump abrem espaço para a influência da China “Se não quiserem comprar, eu vou procurar quem quer”

Lula sinaliza aproximação com países asiáticos e promete negociar.

Por
Redação Brasil Paralelo
Publicado em
Xi Jinping e Lula
Fonte da imagem: Ricardo Stuckert

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O governo chinês criticou a decisão de Donald Trump de impor uma tarifa de 50% sobre todos os produtos brasileiros exportados para os EUA.

Em declaração oficial nesta sexta-feira (11), a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, condenou o uso de tarifas como instrumento de pressão política.

Segundo ela, medidas como essa violam os princípios da Carta das Nações Unidas. O principal ponto ferido seria a soberania dos países e a não interferência em assuntos internos:

“As tarifas não devem ser um instrumento de coerção, intimidação ou interferência”, afirmou Mao Ning, ao ser questionada por jornalistas sobre a decisão de Trump.

Ela acrescentou que “a igualdade soberana e a não interferência nos assuntos internos são princípios fundamentais da Carta da ONU e normas básicas nas relações internacionais”.

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Um gesto estratégico?

A crítica chinesa ocorre em um momento de tensão comercial entre Brasil e EUA. O presidente Lula afirmou, em entrevista recente, que o Brasil responderá à medida com uma tarifa equivalente e que estuda recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC).

Além disso, Lula declarou que está buscando parcerias alternativas fora do eixo americano. Em suas palavras:

“Em outubro, sou convidado para participar do encontro da ASEAN. São 10 países asiáticos, muito importantes do ponto de vista econômico. E eu vou lá para fazer parceria estratégica com os países da Ásia e vou lá para fazer negócio. Se os Estados Unidos não quiserem comprar, eu vou procurar quem quer comprar.”

A fala reforça a disposição do governo brasileiro em estreitar relações comerciais com países asiáticos e pode abrir espaço para o avanço da China na América do Sul.

Ganhos para Pequim

Com o afastamento entre Brasília e Washington, a China surge como possível beneficiária direta da crise diplomática. Atualmente, os chineses são o principal parceiro comercial do Brasil.

Um realinhamento estratégico pode ampliar essa dependência com mais exportações para o Oriente e menor exposição ao mercado norte-americano.

Para o bacharel em Relações Internacionais Lorenzo Madeira, “Brasil e Estados Unidos devem negociar o fim da tarifa. Segundo ele, o presidente Lula já sinalizou a intenção de negociar com parceiros asiáticos, o que pode ampliar a presença da China na América do Sul”.

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