Cemig fecha parceria com empresa chinesa acusada de espionagem
Huawei enfrenta restrições nos EUA e Europa por suspeitas de servir ao governo chinês.

A Cemig, uma das maiores empresas de energia do Brasil, anunciou uma parceria estratégica com a Huawei, a gigante chinesa de tecnologia.
O acordo busca usar a expertise da Huawei em inteligência artificial (IA) e redes inteligentes para modernizar o sistema elétrico de Minas Gerais.
No entanto, a empresa é alvo de acusações de espionagem por diversos governos ocidentais.
O que a parceria Cemig-Huawei pretende fazer?
O acordo de cooperação tecnológica se concentra em três áreas principais:
- IA no setor elétrico: a Cemig planeja utilizar a plataforma de nuvem da Huawei (Huawei Cloud) e seus algoritmos de IA para otimizar suas operações.
- Redes elétricas do futuro: ambas as empresas colaborarão para o desenvolvimento de "redes inteligentes". Isso envolve equipamentos mais modernos e a criação de sistemas de comunicação mais ágeis, capazes de processar dados em tempo real e melhorar a eficiência da distribuição de energia.
- Capacitação Profissional: haverá um intercâmbio entre a UniverCemig, a universidade corporativa da estatal mineira, e a Huawei University, na China, para oferecer cursos especializados em novas tecnologias aos funcionários da Cemig.
Para o presidente da Cemig, Reynaldo Passanezi Filho, o acordo reforça o compromisso da estatal com a transição energética:
“A parceria com um dos maiores players globais em tecnologia reforça nosso posicionamento em prol da inovação e o compromisso com a transição energética e a melhora da qualidade da energia para os nossos clientes”
Eduardo Marques, diretor da Huawei Enterprise Brasil, disse que a empresa quer contribuir com a transformação do setor elétrico para enfrentar desafios como perdas de energia e a integração de fontes renováveis:
“A Huawei tem o compromisso de contribuir com a transformação digital do setor elétrico, por meio de tecnologias como IA, internet das coisas, redes ópticas e automação. Essas soluções formam um conjunto poderoso para enfrentar desafios como perdas energéticas, falhas operacionais, dispersão geográfica e a integração de fontes renováveis.”
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O histórico controverso da Huawei
Apesar do otimismo das empresas com o novo acordo, governos de potências ocidentais suspeitam que a Huawei possa ser utilizada como um instrumento de espionagem pela China. Em setembro de 2022, o FBI concluiu que os equipamentos da Huwei poderiam ser utilizados para interceptar o Departamento de Defesa dos Estados Unidos.
Segundo as investigações, equipamentos de telecomunicações da empresa, como os usados para as redes de 5G, teriam backdoors que permitiriam a Pequim acesso a dados sensíveis.
- Backdoors são técnicas que permitem acessar um sistema, aplicação ou rede de computadores sem passar pelos mecanismos normais de autenticação ou segurança.
Restrições nos EUA
O governo americano impôs uma série de sanções à Huawei. Em 2022, a Comissão Federal de Comunicações (FCC) proibiu a importação e venda de equipamentos da Huawei por considerá-los um risco à segurança nacional.
Em 2020, o Departamento de Justiça dos EUA já havia acusado a Huawei de conspirar para roubar segredos comerciais de empresas concorrentes.
Alerta na União Europeia
A Comissão Europeia também já classificou a Huawei como fornecedora de "alto risco" para as redes 5G.
Além disso, o órgão anunciou que evitaria o uso de seus equipamentos em suas próprias comunicações corporativas, recomendando que os países membros do bloco adotassem medidas semelhantes.
A defesa da Huawei: "Nunca espionamos"
A Huawei nega todas as acusações. Sun Baocheng, CEO da empresa no Brasil, afirmou em uma entrevista à revista Veja:
"A Huawei nunca espionou[...] Já está muito claro quem quer espionar o mundo. Os Estados Unidos fazem muitas acusações e não apresentam provas".
A empresa argumenta que as acusações são parte de uma disputa geopolítica e comercial liderada pelos EUA para frear o avanço tecnológico da China e proteger suas próprias empresas.
A Huawei também garante que não há leis na China que a obriguem a entregar dados de suas operações internacionais ao governo de Pequim e se diz aberta à cooperação com as autoridades dos países onde atua.
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