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Doutrina Monroe: entenda a política que transformou as Américas e parece voltar com Trump

A estratégia fez com que os EUA se tornassem a maior potência do continente e aumentassem seu poder internacional.

Por
Rafael Lorenzo M. Barretti
Publicado em
O que foi a doutrina Monroe? conheça a política que mudou as américas e o mundo com base na ideia de América para os Americanos
Fonte da imagem: Britannica

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Operação militar na Venezuela, tarifas contra o Brasil e pressão sobre Cuba, Panamá e Groenlândia. 

As notícias recentes parecem indicar que Donald Trump voltou a concentrar a política externa dos Estados Unidos no continente americano

Analistas têm comparado essa postura à Doutrina Monroe, um princípio criado há mais de 200 anos e resumido pela frase "América para os americanos".

A própria Casa Branca tem afirmado que o presidente se inspira e incrementa essa visão em sua gestão.

Como surgiu a Doutrina Monroe?

Na época, os Estados Unidos eram governados por James Monroe, o quinto presidente da história do país. 

Em 1823, ele enviou uma mensagem ao Congresso defendendo que as potências europeias não deveriam interferir no continente americano.

A declaração ficou conhecida como Doutrina Monroe e se tornaria uma das bases da política externa dos Estados Unidos.

No início do século XIX, boa parte da América Latina havia acabado de conquistar sua independência da Espanha e de Portugal. 

Os EUA observavam outros movimentos das grandes potências. Havia temor de que a França dominasse os novos países independentes

A expansão russa pelo Pacífico Norte, avançando do Alasca em direção ao atual território do Oregon, também era vista como uma ameaça.

Além disso, os americanos buscavam ampliar o comércio com os países latino-americanos, enquanto o sistema mercantilista europeu limitava essas relações.

O que a doutrina defendia?

Em sua mensagem ao Congresso, em 2 de dezembro de 1823, James Monroe apresentou quatro princípios centrais.

  • O primeiro afirmava que os Estados Unidos não participariam das disputas internas e das guerras entre as potências europeias.

  • O segundo reconhecia as colônias europeias que já existiam nas Américas e dizia que Washington não interferiria nelas.

  • O terceiro estabelecia que o continente americano não deveria mais ser alvo de novas colonizações europeias.

  • Por fim, Monroe declarou que qualquer tentativa de uma potência europeia de controlar ou interferir em países independentes do Hemisfério Ocidental seria considerada uma atitude hostil contra os Estados Unidos.

A doutrina tinha força naquele momento?

Embora tenha se tornado famosa posteriormente, a declaração teve impacto limitado em seus primeiros anos.

Os Estados Unidos reconheceram a grande maioria das independências, mas ainda não possuíam força militar suficiente para impor essa política

Na prática, a superioridade naval britânica também impedia novas aventuras coloniais das potências europeias.

Por isso, durante décadas, a doutrina foi pouco considerada pelas grandes potências da Europa.

No entanto, esse cenário começou a mudar conforme os Estados Unidos se fortaleceram.

Diferentes presidentes reinterpretaram a doutrina para justificar uma atuação cada vez mais ativa dos Estados Unidos na América Latina.

A maior transformação ocorreu em 1904, durante o governo do presidente Theodore Roosevelt

Ele levou para o Congresso a tese de que os Estados Unidos poderiam ter um "poder policial internacional" na região.

Essa interpretação ficou conhecida como Corolário Roosevelt e abriu caminho para uma política mais ativa e intervencionista no continente.

Nos anos seguintes, tropas americanas foram enviadas para países como República Dominicana, Nicarágua e Haiti.

Essas ações provocaram desconfiança em vários governos latino-americanos e marcaram as relações entre Washington e seus vizinhos por décadas.

Mesmo após o início da Guerra Fria, a Doutrina Monroe continuou sendo lembrada

Durante a Crise dos Mísseis de Cuba, em 1962, Kennedy impôs um bloqueio naval à ilha.

A decisão foi apresentada como uma forma de impedir que uma potência externa ampliasse sua presença militar no Hemisfério Ocidental.

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A nova doutrina Monroe?

Nos últimos anos, a Doutrina Monroe voltou a ser mencionada pelo governo Donald Trump.

O próprio presidente chegou a falar sobre a falar sobre a questão em um discurso após a ação na Venezuela, no qual disse ter restaurado a política:

Doutrina Monroe é algo muito importante. Mas nós a superamos e por muito... Nós nos esquecemos dela. Ela foi muito importante, mas a esquecemos. Agora, porém, não nos esquecemos mais dela.”

Até documentos oficiais, como a Estratégia de Segurança Nacional, falam que Trump está aprimorando a doutrina, comparando suas ações com o que fez Roosevelt.

Essas transformações têm sido uma tentativa dos EUA manterem seu poder e hegemonia em meio às transformações na geopolítica global.

A Brasil Paralelo estudou o novo cenário com a trilogia O Fim das Nações. Assista ao primeiro episódio completo:

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