A estratégia fez com que os EUA se tornassem a maior potência do continente e aumentassem seu poder internacional.

Operação militar na Venezuela, tarifas contra o Brasil e pressão sobre Cuba, Panamá e Groenlândia.
As notícias recentes parecem indicar que Donald Trump voltou a concentrar a política externa dos Estados Unidos no continente americano.
Analistas têm comparado essa postura à Doutrina Monroe, um princípio criado há mais de 200 anos e resumido pela frase "América para os americanos".
A própria Casa Branca tem afirmado que o presidente se inspira e incrementa essa visão em sua gestão.
Na época, os Estados Unidos eram governados por James Monroe, o quinto presidente da história do país.
Em 1823, ele enviou uma mensagem ao Congresso defendendo que as potências europeias não deveriam interferir no continente americano.
A declaração ficou conhecida como Doutrina Monroe e se tornaria uma das bases da política externa dos Estados Unidos.
No início do século XIX, boa parte da América Latina havia acabado de conquistar sua independência da Espanha e de Portugal.
Os EUA observavam outros movimentos das grandes potências. Havia temor de que a França dominasse os novos países independentes.
A expansão russa pelo Pacífico Norte, avançando do Alasca em direção ao atual território do Oregon, também era vista como uma ameaça.
Além disso, os americanos buscavam ampliar o comércio com os países latino-americanos, enquanto o sistema mercantilista europeu limitava essas relações.
Em sua mensagem ao Congresso, em 2 de dezembro de 1823, James Monroe apresentou quatro princípios centrais.
O primeiro afirmava que os Estados Unidos não participariam das disputas internas e das guerras entre as potências europeias.
O segundo reconhecia as colônias europeias que já existiam nas Américas e dizia que Washington não interferiria nelas.
O terceiro estabelecia que o continente americano não deveria mais ser alvo de novas colonizações europeias.
Por fim, Monroe declarou que qualquer tentativa de uma potência europeia de controlar ou interferir em países independentes do Hemisfério Ocidental seria considerada uma atitude hostil contra os Estados Unidos.
Embora tenha se tornado famosa posteriormente, a declaração teve impacto limitado em seus primeiros anos.
Os Estados Unidos reconheceram a grande maioria das independências, mas ainda não possuíam força militar suficiente para impor essa política.
Na prática, a superioridade naval britânica também impedia novas aventuras coloniais das potências europeias.
Por isso, durante décadas, a doutrina foi pouco considerada pelas grandes potências da Europa.
No entanto, esse cenário começou a mudar conforme os Estados Unidos se fortaleceram.
Diferentes presidentes reinterpretaram a doutrina para justificar uma atuação cada vez mais ativa dos Estados Unidos na América Latina.
A maior transformação ocorreu em 1904, durante o governo do presidente Theodore Roosevelt.
Ele levou para o Congresso a tese de que os Estados Unidos poderiam ter um "poder policial internacional" na região.
Essa interpretação ficou conhecida como Corolário Roosevelt e abriu caminho para uma política mais ativa e intervencionista no continente.
Nos anos seguintes, tropas americanas foram enviadas para países como República Dominicana, Nicarágua e Haiti.
Essas ações provocaram desconfiança em vários governos latino-americanos e marcaram as relações entre Washington e seus vizinhos por décadas.
Mesmo após o início da Guerra Fria, a Doutrina Monroe continuou sendo lembrada.
Durante a Crise dos Mísseis de Cuba, em 1962, Kennedy impôs um bloqueio naval à ilha.
A decisão foi apresentada como uma forma de impedir que uma potência externa ampliasse sua presença militar no Hemisfério Ocidental.
Nos últimos anos, a Doutrina Monroe voltou a ser mencionada pelo governo Donald Trump.
O próprio presidente chegou a falar sobre a falar sobre a questão em um discurso após a ação na Venezuela, no qual disse ter restaurado a política:
“Doutrina Monroe é algo muito importante. Mas nós a superamos e por muito... Nós nos esquecemos dela. Ela foi muito importante, mas a esquecemos. Agora, porém, não nos esquecemos mais dela.”
Até documentos oficiais, como a Estratégia de Segurança Nacional, falam que Trump está aprimorando a doutrina, comparando suas ações com o que fez Roosevelt.
Essas transformações têm sido uma tentativa dos EUA manterem seu poder e hegemonia em meio às transformações na geopolítica global.
A Brasil Paralelo estudou o novo cenário com a trilogia O Fim das Nações. Assista ao primeiro episódio completo: