Países romperam as relações econômicas e diplomáticas, mas ainda cooperam na exploração espacial.

Apesar das sanções econômicas e das tensões militares e diplomáticas entre Estados Unidos e Rússia, um astronauta americano embarcou em um foguete russo.
A missão aconteceu nesta terça-feira (14) e levava os tripulantes para a Estação Espacial Internacional (ISS).
A nave Soyuz MS-29 decolou do Cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão, levando o astronauta da Nasa Anil Menon e os cosmonautas russos Pyotr Dubrov e Anna Kikina.
Cerca de dez minutos após o lançamento, a espaçonave entrou em órbita e iniciou uma viagem de aproximadamente três horas.
Agorá, a tripulação permanecerá por aproximadamente oito meses como parte da Expedição 75.
O lançamento também marcou a retomada dos voos tripulados a partir da Plataforma 31 de Baikonur.
O local havia ficado meses interditado depois que um lançamento anterior danificou gravemente sua estrutura.
Em março deste ano, a Rússia voltou a utilizar a plataforma em uma missão de carga não tripulada e, agora, retomou os lançamentos com astronautas.
O administrador da Nasa, Jared Isaacman, viajou ao Cazaquistão para acompanhar o lançamento e se reunir com o diretor da agência espacial russa Roscosmos, Dmitry Bakanov.
O encontro marcou a primeira visita de um chefe da Nasa ao cosmódromo desde 2018.
Antes da decolagem, Isaacman agradeceu à agência espacial russa pela preparação da missão:
"O trabalho conjunto realizado nos últimos meses reflete o profissionalismo e a dedicação de todos os envolvidos", afirmou.
A missão acontece em um momento de forte deterioração das relações entre Washington e Moscou.
Desde que a Rússia invadiu a Ucrânia, em fevereiro de 2022, os dois países romperam grande parte de sua cooperação econômica e diplomática.
Os EUA lideraram uma série de sanções contra o governo russo, enquanto diversos projetos conjuntos foram cancelados ou suspensos.
Na área espacial, porém, a cooperação nunca foi totalmente interrompida. Isso porque a ISS depende da participação dos EUA, Rússia, Europa, Japão e Canadá.
Para garantir o funcionamento contínuo do laboratório espacial, Nasa e Roscosmos mantiveram um acordo de intercâmbio de tripulações.
Astronautas americanos continuam voando em naves russas Soyuz, enquanto cosmonautas russos seguem viajando em cápsulas americanas, como as da SpaceX.
O objetivo é assegurar que sempre haja representantes dos dois países a bordo da estação, independentemente de eventuais problemas técnicos com uma das espaçonaves.
Embora a colaboração na ISS tenha sido preservada, outros projetos espaciais conjuntos foram abandonados.
Entre eles estão os planos para uma possível participação da Rússia no programa Artemis, liderado pela Nasa para levar astronautas de volta à Lua.
Ao mesmo tempo, a agência espacial russa passou a ampliar sua cooperação com a China, especialmente em projetos voltados para futuras missões lunares.
A aproximação entre Rússia e China faz parte das mudanças no tabuleiro geopolítico do século XXI.
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