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ONU em Nova York: como os EUA transformaram a cidade no palco da diplomacia mundial

A ONU nasceu para ser uma instituição global e neutra, mas a sede da sua Assembleia Geral ser em Nova York carrega um peso histórico e politico.

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Redação Brasil Paralelo
Publicado em
23/9/2025 20:46
Nações Unidas, vista aérea, c. 1962, transparência. Coleção de fotografias do Departamento de Portos e Comércio. Arquivos Municipais de Nova York.

Às margens do East River, em Manhattan, ergue-se um dos prédios mais reconhecidos do planeta: a sede das Nações Unidas. Ali, presidentes e primeiros-ministros tentam resolver crises, assinam acordos históricos e travam embates que definem os rumos do século.

A ONU nasceu para ser uma instituição global e neutra, mas a sede da sua Assembleia Geral ser em Nova York carrega um peso histórico e politico.

A dúvida faz ainda mais sentido quando lembramos que outras cidades também concorriam para receber a organização. Genebra já carregava o legado diplomático da Liga das Nações. Paris era um centro cultural e político do pós-guerra. Londres reivindicava protagonismo após resistir ao nazismo. Até cidades americanas como Filadélfia e São Francisco estiveram no páreo.

A escolha de Nova York não foi casual. Foi resultado de poder político, de cálculo estratégico e até de um gesto decisivo da família Rockefeller que doou o terreno em Manhattan.

Assim, os Estados Unidos consolidaram não apenas a sede física da ONU, mas sua própria posição como centro da diplomacia mundial.

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O dilema do pós-guerra

Em 1945, o mundo saía devastado da Segunda Guerra. Era urgente criar uma instituição que servisse de fórum permanente para negociações multilaterais. Mas o local onde ela seria instalada era motivo de debate.

A Europa ainda carregava os escombros da guerra. Cidades como Paris e Londres tinham prestígio histórico, mas estavam arrasadas economicamente. Genebra, apesar da tradição diplomática, carregava o estigma do fracasso da Liga das Nações.

Já os Estados Unidos emergiam como potência econômica e militar sem precedentes. O país tinha recursos, infraestrutura e estabilidade política para abrigar a nova organização.

A decisão de sediar a ONU em Nova York foi, assim, tanto prática quanto simbólica: mostrava ao mundo quem ditava a nova ordem internacional.

O terreno dos Rockefeller

O fator decisivo para a escolha de Manhattan foi um gesto privado com impacto global. Em 1946, a família Rockefeller comprou e doou o terreno às margens do East River para a construção da sede.

A localização não era aleatória. Nova York era centro financeiro, midiático e cultural do Ocidente. Com a ONU instalada ali, os Estados Unidos não apenas ofereciam “casa” às Nações Unidas, mas também garantiam que a diplomacia mundial orbitasse sua própria esfera de influência.

Uma presença que nunca foi neutra

Ter a sede em Nova York deu aos EUA vantagens permanentes:

  • Controle logístico: Washington sempre pôde definir regras de entrada e saída de diplomatas, inclusive impondo restrições a representantes de países considerados hostis.
  • Influência cultural e midiática: ao colocar a ONU no coração de Manhattan, os debates diplomáticos se somaram ao alcance global da imprensa americana.
  • Proximidade estratégica: a geografia favoreceu a narrativa dos EUA como ponte entre Europa, Ásia e Américas.

Ao longo das décadas, esse controle se refletiu em tensões. Da Guerra Fria aos embates atuais sobre sanções, muitas vezes a ONU foi acusada de ser palco onde os Estados Unidos tinham mais poder do que os demais.

O que a escolha simboliza

A instalação da ONU em Nova York não foi apenas uma questão de espaço físico. Foi uma decisão que consolidou o país anfitrião como epicentro da política internacional.

A mensagem, desde 1946, permanece clara: as Nações Unidas podem se apresentar como fórum de todos, mas sua casa está dentro de uma das maiores potências do mundo e esse endereço nunca foi neutro.

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