A Venezuela vive uma escalada de tensão com os Estados Unidos, de repressão interna e de endurecimento do regime de Nicolás Maduro.
Em meio a esse cenário, um aplicativo criado para resolver quedas de energia e falhas de água se transformou em uma ferramenta para espionar cidadãos considerados “suspeitos” pelo regime.
Para grupos civis como Conexión Segura y Libre, trata-se de um salto na vigilância estatal: VenApp é um aplicativo que opera no bolso de milhões e reforça a perseguição política em um país já marcado por prisões arbitrárias.
O que é VenApp, o aplicativo para informantes da ditadura venezuelana?
O VenApp é um aplicativo lançado oficialmente em dezembro de 2022 por Nicolás Maduro com o propósito de permitir que cidadãos relatassem problemas em serviços públicos.
A ferramenta prometia ser uma ponte entre o povo e o governo. Mas, após a fraude eleitoral de Maduro em 2024, o VenApp foi transformado em uma interface de inteligência do regime.
Passou a servir como instrumento de vigilância estatal, permitindo que usuários denunciassem manifestantes, opositores e qualquer pessoa considerada “suspeita”.
O aplicativo representaria a digitalização de uma rede já existente de informantes infiltrados nas vizinhanças, organizados sob a estrutura “comunal” do governo.
Segundo relatórios de organizações de direitos humanos, o próprio Maduro incentivou a população a enviar, de forma confidencial, dados de indivíduos considerados ameaça ao Estado.
A reação foi imediata: o app foi retirado das lojas da Apple e do Google. Ainda assim, continua funcionando para quem já o instalou, e o governo lançou uma versão acessível diretamente pelo navegador para driblar bloqueios.
Sua função atual representa uma expansão significativa do poder digital do regime, integrando vigilância, controle comunitário e repressão política.
Como o regime de Maduro usa VenApp para controlar os venezuelanos?
Segundo denúncias, o aplicativo passou a ser utilizado para:
Identificar opositores
Reportar manifestantes
Alertar o governo sobre “comportamento suspeito”
Alimentar listas de perseguição política
A Anistia Internacional afirma que a plataforma pode contribuir para detenções ilegais e repressão a dissidentes. Outras organizações, como Venezuela Sin Filtro, classificam o sistema como “militarização da vida civil”.
Dentro das comunidades, a lógica de “vigilância popular” cresce. Milícias, unidades comunais e estruturas do PSUV agora integram o ecossistema de monitoramento.
Venezuela vive a maior tensão militar com os Estados Unidos em 25 anos de governo socialista.
Atualmente, o porta-aviões USS Gerald R. Ford está em águas do Caribe, perto das costas venezuelanas. No entanto, o governo Trump continua pressionando uma saída do Nicolás Maduro, e o fim da chamada “revolução chavista”.
Para conhecer mais sobre as tensões atuais no Caribe, assista o novo vídeo da Brasil Paralelo:
MAIOR PORTA-AVIÕES CHEGOU! TENSÃO COM MADURO NO CARIBE