O ano era 1970. Montanhas de lixo apodreciam o ar nas ruas de Londres. Com um Estado inchado e uma sociedade paralisada por greves, a economia do Reino Unido estava no fundo do poço. Até que uma voz de firmeza incomum surgiu nos corredores do Parlamento.
A lógica do assistencialismo estatal seria desafiada com uma premissa simples: o Estado não é a solução para os problemas do homem, mas frequentemente a causa deles.
Essa era Margaret Thatcher, a líder que lutou pela restauração britânica por meio da responsabilidade individual.
Thatcher foi a primeira mulher a liderar uma democracia ocidental, governando de 1979 a 1990, o mandato mais longo de um primeiro-ministro britânico no século XX.
Sua carreira foi um combate contínuo contra o declínio, privatizando estatais, domando a inflação e recuperando o orgulho de uma nação afetada pelas consequências globais da Segunda Guerra Mundial e do Comunismo da União Soviética.
Além de política, ela foi a arquiteta de uma nova visão que transformou o súdito dependente em um cidadão autossuficiente, deixando um legado que moldou o pensamento político global até hoje.
Margaret Hilda Roberts nasceu em 13 de outubro de 1925, na pacata Grantham, Inglaterra. Longe dos palácios da aristocracia, sua escola foi a mercearia do pai, Alfred Roberts, um pregador metodista que lhe ensinou que a liberdade é inseparável da disciplina financeira.
Entre o balcão da loja e as pregações do pai, ela absorveu a ética do trabalho duro e do mérito. Em 1943, ingressou na Universidade de Oxford para cursar Química, onde se tornou presidente da associação conservadora da universidade.
A primeira grande vitória
Após Oxford, Margaret formou-se em Direito e, em 1959, foi eleita deputada pelo distrito de Finchley. Em 1951 ela se casou com Denis Thatcher, um empresário bem-sucedido do ramo de tintas e veterano de guerra.
A escalada de Thatcher foi metódica: ocupou cargos menores até ingressar no Gabinete como Secretária da Educação em 1970.
Cinco anos depois, realizou o impensável ao desafiar e derrotar Edward Heath, primeiro-ministro até o ano anterior, assumindo a liderança do Partido Conservador.
Thatcher estava agora à frente da oposição, aguardando o momento em que o país clamaria por uma nova direção.
A Dama de Ferro
Finalmente, em 1979, Thatcher assumiu como primeira-ministra em um início amargo: desemprego alto e resistência interna.
No entanto, seu governo ganharia força em 1982 ao liderar a Guerra das Malvinas, um conflito armado entre o Reino Unido e a Argentina pela posse das ilhas no Atlântico Sul.
A firmeza de Thatcher durante a crise consolidou sua reputação internacional como a "Dama de Ferro". A vitória restaurou o prestígio da nação e foi um divisor de águas para seu governo.
O resultado foi uma vitória expressiva dos Conservadores nas eleições do ano seguinte, permitindo que Thatcher aprofundasse seu programa radical de reformas econômicas:
Ela privatizou a British Telecom e a British Airways, desregulamentou o mercado e enfrentou a Greve dos Mineiros para quebrar o poder paralisante dos sindicatos.
O Legado e a queda pela soberania
Thatcher foi considerada uma gigante global quando se aliou a Ronald Reagan e negociou com Mikhail Gorbachev pelo fim da Guerra Fria.
Contudo, ao recusar-se a ceder na integração com a Europa em 1990, enfrentou uma rebelião interna.
Ela deixou o número 10 de Downing Street em novembro de 1990, tornando-se Baronesa Thatcher em 1992 e recebendo a Ordem da Jarreteira em 1995.
Margaret faleceu em 2013, deixando como testamento político a crença radical de que:
"Não existe essa coisa de sociedade. Existem indivíduos e famílias".
A vitória sobre o Comunismo
A firmeza de Margaret Thatcher acabou se tornando uma engrenagem maior na história que mudaria o destino do século XX.
O que Thatcher fazia ao reformar a economia britânica era uma batalha pela soberania do indivíduo contra o poder esmagador do Estado.
Porém, enquanto a Dama de Ferro asfixiava o avanço do estatismo no Ocidente, uma força complementar agia no coração da Europa Oriental, liderada por um homem que entendia que a liberdade nasce da dignidade da alma humana.
Thatcher, Ronald Reagan e o Papa João Paulo II formaram o que historiadores chamam de "A Santa Aliança": uma tríade de líderes que compartilhava a mesma convicção de que o comunismo era um erro.
Mas diferente de Thatcher e Reagan, João Paulo II combatia o sistema no espírito, vencendo uma guerra de joelhos.
Se você quiser entender como essa união improvável de forças conseguiu desmantelar o bloco soviético, é necessário olhar para os bastidores dessa guerra invisível.
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