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Quem foi Napoleão Bonaparte? Conheça o francês que transformou a Europa em seu império

Um homem dominou a Europa e fez um governo com ideias que perduram até hoje. Saiba quem foi Napoleão Bonaparte e sua importância

Por
Redação Brasil Paralelo
Publicado em
12/12/2025 19:53
Portal Ne9

Conhecido como um gênio das estratégias de guerra, Napoleão tentou transformar a França no próximo Império Romano. Um expoente de arte, cultura, ciência e conquistas que atravessassem eras.

Seu governo foi marcado por uma instrumentalização dos ideais da Revolução Francesa. Sob suas mãos, a França se tornou uma máquina movida pela eficiência e pela razão e suas leis garantiam a igualdade entre todos os franceses. 

Contudo, sua ambição o levou à ruína após ser derrotado pela Marinha Britânica e pelo inverno russo. Conheça agora quem foi Napoleão Bonaparte e saiba como ele escreveu seu nome nos livros de história.

O que você vai encontrar neste artigo?

Origem de Napoleão Bonaparte

Napoleão nasceu na Ilha de Córsega em 1769, poucos meses depois de ela ser anexada ao Reino da França. Seus pais eram um casal de ítalo-franceses que pertenciam à pequena nobreza local. Sem grandes posições de destaque, o jovem buscou ascensão social na carreira militar.

Ingressou na Escola Militar de Brienne-le-Château aos 10 anos. Cinco anos depois ele foi para a Escola Militar de Paris, a mais prestigiada da França. Ele completou o curso de artilharia em tempo recorde e conquistou o posto de segundo-tenente aos 16 anos

Napoleão se destacou como oficial de artilharia, mas a grande escalada que ele buscava aconteceu após um evento que mudou o país e o mundo para sempre: a Revolução Francesa (1789 a 1799)

Os revolucionários precisavam de militares novos e talentosos para defenderem o novo regime da elite nobre que fugiu e planejava retomar o país com ajuda dos generais já consolidados. Foi essa janela de oportunidade que Napoleão aproveitou. 

Aos 24 anos, ele conquistou uma vitória decisiva para o governo revolucionário quando sufocou a cidade de Toulon, que se rebelava contra a Revolução. A vitória lhe rendeu o título de “Herói de Toulon” e uma promoção a general de brigada

Após isso ele também protagonizou campanhas muito bem sucedidas no norte da Itália e no Oriente Médio. Contudo, apesar de ser simpático aos ideais da Revolução, ele mesmo acabaria com ela em 9 de novembro de 1799. 

Napoleão Bonaparte toma o poder

A Revolução Francesa acabou com o Golpe do 18 Brumário. Napoleão liderou um levante militar contra o Diretório (o conselho que detinha os poderes na França pós revolução). Foi instituído um Consulado em que Napoleão era o primeiro-cônsul. Na prática, isso significava que ele concentrava quase todo o poder

Inicialmente, os cônsules teriam mandatos de 10 anos, mas Napoleão acabou com isso em 1802, quando ele alterou a lei que fosse cônsul vitalício. Dois anos depois ocorreu o famoso episódio em que ele se auto coroou imperador dos franceses

  • Se deseja compreender a mentalidade do imperador francês, assista A face oculta de Napoleão no YouTube da Brasil Paralelo.

Os objetivos e conquistas do Império Napoleônico

Napoleão passou a juventude tornando-se proficiente em táticas e engenharia militar, mas também em filosofia política. Seu governo se mostrou uma mistura das ideias dos autores que lia com mais frequência: Voltaire, Rousseau e Maquiavel.

Ele queria unificar o país e instituir uma nova ordem em que Paris seria a nova Roma e a França seria o novo Império Romano. O Consulado com três cônsules foi uma tentativa de reprodução dos triunviratos dos Césares e o Arco do Triunfo também foi inspirado na arquitetura romana. 

Apesar de se inspirar nesse passado glorioso, Napoleão realmente concordava com ideais da revolução e os incorporou no seu governo. O Código Civil Napoleônico que viria a se tornar modelo de jurisdição por todo o mundo era altamente progressista para a época.

Ele instituiu conceitos defendidos na Revolução Francesa, como igualdade perante a lei, garantia da propriedade privada, Estado laico e a seleção de funcionários públicos com base no mérito.  

Junto com a promulgação do Estado laico, Napoleão promoveu uma educação racionalista nos liceus (escolas públicas voltadas para formação de elites políticas e militares), no lugar do currículo voltado ao catolicismo que havia antes.

Também fortaleceu a economia por meio de medidas liberalizantes e inaugurou o Banco da França. Napoleão transformou o governo francês em uma máquina eficiente e racional

Ainda elevou a França ao patamar de polo cultural global com a reformulação do Musée Central des Arts (o Museu do Louvre), a construção do Arco do Triunfo, do Panteão e demais obras icônicas da arquitetura francesa. 

Os sucessos militares de Napoleão continuaram sendo uma marca registrada. Sob seu comando, o Grande Armée (Exército francês) foi vitorioso sobre os Austríacos e os Russos em Austerlitz (1805), venceu a Prússia na Batalha de Jena (1806) e até 1811 já controlava quase toda a Europa. Mas esse domínio estava chegando ao fim.

Decadência e queda de Napoleão

Em 1805 Napoleão já tinha sofrido uma dura derrota. Ele posicionou a marinha francesa no Cabo de Trafalgar e levou junto a marinha espanhola para tentar superar a até então invicta, Marinha Real Britânica

Os britânicos levaram a melhor e então Napoleão mudou de estratégia. Declarou um Bloqueio Continental em que qualquer país sob seu domínio que comercializasse com o Reino Unido seria invadido. 

A estratégia deu errado, pois as parcerias com a Inglaterra eram essenciais para a economia de quase toda a Europa, incluindo a Rússia. Quando o czar Alexandre I declarou oficialmente a desobediência ao bloqueio, Napoleão respondeu ordenando a invasão da Rússia em 1812

A operação foi um desastre. Uma força de 400 a 615 mil soldados marcharam sob solo russo apenas para encontrar terras inteiras já devastadas pelas forças do czar. A estratégia de “Terra Arrasada” como ficou conhecida, deixou os franceses à revelia do frio e sem recursos

Estima-se que algo entre 30 e 100 mil soldados conseguiram voltar e isso culminou em outras derrotas decisivas de Napoleão, como em Leipzig (1813). Nessa ocasião, russos, austríacos, suecos e prussianos mataram cerca de 70 mil franceses

Derrotado e forçado a recuar para Paris, Napoleão foi impelido a deixar o trono. A coalizão de países que o derrotou permitiu que ele mantivesse seu título, mas limitado à Ilha de Elba. Entretanto, Napoleão ainda tentou retornar.

Ele voltou para a França, e se aproveitou de seu carisma e impopularidade do Rei Luís XVIII para retornar ao poder. Esse período ficou conhecido como Governo dos Cem Dias e terminou a última grande derrota de Napoleão na Batalha de Waterloo em junho de 1815 para os mesmos que o haviam vencido em Leipzig. 

A morte de Napoleão Bonaparte

A pena final de Napoleão foi permanecer o resto de seus dias preso e vigiado por soldados britânicos na Ilha de Santa Helena. Ele morreu em 5 de maio de 1821 com 51 anos. A causa foi câncer de estômago, mas muitos acreditaram que ele foi envenenado.

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