De inimigos a aliados: discurso na ONU mostra como a relação entre EUA e Venezuela mudou
Presidente venezuelana agradeceu Trump na Assembleia Geral e teve reunião privada com o americano.

Nos primeiros dias de 2026, o mundo assistiu à operação cinematográfica que acabou com a captura do ditador Nicolás Maduro.
Mesmo com sua queda e prisão, o chavismo continuou no poder da Venezuela, agora sob comando de sua vice-presidente, Delcy Rodríguez.
No dia 23 de setembro, ela fez sua primeira participação na Assembleia Geral da ONU com sinalização para se aproximar dos EUA.
Em nenhum momento de sua fala, ela sequer citou o nome de Maduro. Além disso, procurou apresentar seu governo como uma ruptura com o modelo anterior, chegando a falar em um “renascimento” do país:
“Tenho o prazer de anunciar que a Venezuela iniciou um processo de transformação democrática para o seu renascimento. Um processo ordenado, institucional e verificável para construir um país mais livre para todos”
Delcy também agradeceu o presidente Trump por retomar os laços diplomáticos com a Venezuela sob seu governo.
Relembre a história de Nicolás Maduro com o especial da Brasil Paralelo. Assista completo abaixo:
De líder socialista à aliada de Trump
Filha do guerrilheiro marxista Jorge Antonio Rodríguez, Delcy estava no núcleo dos movimentos socialistas no país.
Ela chegou a fazer discursos agressivos contra o governo Trump, ainda em 2019 disse que:
"Venho em nome da única Venezuela, a Venezuela digna e corajosa, que não se curva a nenhum poder imperial”.
Quando Maduro caiu, ela tentou manter um discurso mais alinhado a essa trajetória e acusou os EUA de quererem controlar os recursos do país.
Delcy exigiu a libertação do ditador e até afirmou que os responsáveis pela operação seriam punidos pela história:
“Exigimos a libertação imediata do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e de sua esposa. Os extremistas que promoveram esta agressão armada pagarão perante a história e a Justiça. Disso não temos dúvida. O povo venezuelano já os colocou onde devem estar: na lata de lixo da história.”
No entanto, a situação mudou drasticamente. Em agosto, EUA e Venezuela assinaram um acordo que permite a exploração do petróleo no país latino por empresas americanas.
Trump disse que a medida poderia aumentar em até 65 bilhões de barris a reserva estratégica de seu país.
Ao longo do discurso na ONU, Delcy elogiou a negociação, afirmando que era uma garantia de segurança energética para o mundo.
Ela também aproveitou para se reunir em particular com o presidente americano, se consolidando como uma forte aliada.
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