Governo acredita que mais de 25 mil casas serão necessárias para abrigar pessoas que perderam tudo no terremoto.

Agressões, xingamentos e assédio sexual. Esses são apenas alguns dos pontos que passaram a integrar as investigações envolvendo a fábrica da BYD em Camaçari, na Bahia.
Nos últimos anos, a montadora chinesa tem enfrentado uma série de denúncias sobre as condições de trabalho.
O caso vai de assédio moral e sexual contra funcionários até o resgate de operários chineses em situação análoga à escravidão.
O Ministério Público do Trabalho (MPT) monitora a situação, enquanto a empresa afirma que investiga todas as denúncias e mantém uma política de tolerância zero para casos de assédio.
Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari, trabalhadores brasileiros e chineses relataram episódios de assédio moral e sexual dentro da fábrica.
As acusações surgiram durante uma assembleia realizada em frente à unidade no dia 9 de julho, convocada para discutir a campanha salarial da categoria e as condições de trabalho.
Entre as reivindicações apresentadas pelos funcionários estão:
reajuste salarial de 15%;
aumento do vale-alimentação para R$ 850;
medidas efetivas de combate ao assédio moral;
retirada de advertências aplicadas a dirigentes sindicais.
O presidente do sindicato, Júlio Bonfim, afirma que recebeu relatos de humilhações públicas, ameaças e tratamento abusivo dos chefes.
Os primeiros relatos vieram à tona em novembro do ano passado, quando denúncias anônimas revelaram as condições de operários chineses que construíram a fábrica.
Eles viviam em alojamentos precários, trabalhavam jornadas de até 12 horas por dia e chegavam a sofrer agressões por descumprirem ordens ou atrasarem o cronograma.
Em dezembro, uma força-tarefa do Ministério Público do Trabalho resgatou 163 trabalhadores contratados pela empreiteira Jinjiang Group, terceirizada responsável pelas obras.
A investigação apontou retenção de passaportes, confisco de cerca de 60% dos salários e pagamento do restante em moeda chinesa para dificultar que abandonassem o trabalho.
Após a operação, o setor de terraplanagem da obra foi embargado e o governo brasileiro suspendeu a emissão de vistos temporários para trabalhadores ligados ao empreendimento.
O MPT processou a BYD e duas empreiteiras. Em 2025, foi feito um acordo de R$40 milhões como garantia do cumprimento das obrigações assumidas pelas empresas terceirizadas.
Em nota para o portal Uol, a montadora afirma que mantém um canal de denúncias por e-mail que permite reclamações anônimas.
Além disso, se comprometeu a seguir com investigações internas sobre os casos de assédios morais e sexuais:
“A BYD Auto do Brasil reforça que está comprometida em investigar e punir, quando for o caso, toda e qualquer denúncia de assédio no ambiente de trabalho. A empresa mantém um canal de denúncias por e-mail, que permite o recebimento de queixas de forma anônima, e todas as apurações correm sob sigilo, para proteger a identidade de quem denuncia”.
A empresa tem se tornado um dos símbolos da entrada da China no mercado de alta tecnologia.
O país é conhecido por manter grandes empresas privadas com um rígido controle político do Partido Comunista.
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