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Socorristas enfrentam dificuldade após terremoto na Venezuela

Com 1.719 mortos e mais de 50 mil desaparecidos, equipes lidam com prédios instáveis, áreas bloqueadas e falta de estrutura médica.

Por
Rafael Lorenzo M. Barretti
Publicado em
Socorristas resgatando vítimas do terremoto na Venezuela
Fonte da imagem: Reprodução

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As buscas por sobreviventes na Venezuela continuam. Cinco dias depois dos terremotos que atingiram o país, socorristas enfrentam estradas destruídas, prédios instáveis, hospitais sobrecarregados e dificuldades para chegar às áreas mais afetadas.

O número de mortos chegou a 1.719. Mais de 50 mil pessoas seguem desaparecidas, segundo estimativas citadas na última atualização sobre a tragédia. As autoridades também identificaram cerca de 3,1 mil feridos.

A situação é mais grave em La Guaira, estado costeiro atingido com força pelos tremores. A região teve acessos restringidos pelo governo venezuelano, sob a justificativa de organizar a entrada de equipes e facilitar as operações de resgate.

O ministro do Interior, Diosdado Cabello, afirmou que o acesso ao estado passou a ser controlado por registros. Segundo ele, a medida busca apoiar os serviços de emergência que atuam na zona de desastre.

  • Entenda as causas e as drásticas consequências deste trágico evento, que chegou a ser sentido até no norte do Brasil. Assista ao episódio completo abaixo:

Congresso americano acusa regime de dificultar os trabalhos

A restrição, porém, virou alvo de críticas. O congressista americano Carlos Giménez acusou Cabello de dificultar operações de resgate e a entrega de ajuda humanitária.

O parlamentar defendeu que a assistência internacional seja entregue diretamente à população venezuelana, para evitar desvios ou uso político.

Até o momento, as acusações não foram confirmadas de forma independente. Cabello também não havia respondido publicamente às declarações de Giménez.

Um vídeo que circula nas redes sociais mostra Diosdado Cabello em uma barreira de acesso, conversando com um socorrista americano.

Em determinado momento, o socorrista questiona: “Você não quer que eu vá ajudar a pessoa que está lá?”

Resgate é dificultado por destruição e réplicas

O trabalho das equipes é afetado por danos estruturais, ruas interditadas e novas réplicas. Mais de 200 abalos secundários foram registrados desde os tremores principais, o que aumenta o risco para socorristas e moradores.

A destruição também comprometeu o deslocamento das equipes. Em áreas atingidas, trajetos que antes levavam cerca de 30 minutos passaram a demorar entre 4 e 5 horas, segundo relato de Fábio Biolchini, coordenador de operações do Médicos Sem Fronteiras para a América Latina e o Caribe.

“Existem tantos prédios colapsados, tantos bairros que estão inacessíveis, que para você chegar num local onde antes demorava 30 minutos, hoje demora 4 ou 5 horas”, afirmou Biolchini à CBN..

As buscas acontecem em meio a edifícios destruídos e bairros parcialmente isolados. A cada hora, diminuem as chances de encontrar pessoas com vida sob os escombros.

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Sistema de saúde está colapsado, diz MSF

Além das dificuldades no resgate, a Venezuela enfrenta uma crise no atendimento médico. Segundo o Médicos Sem Fronteiras, o sistema de saúde do país está “completamente colapsado e sobrecarregado”.

A rede hospitalar já enfrentava problemas antes dos terremotos, em razão da crise econômica venezuelana. Com os tremores, parte dos hospitais foi atingida ou precisou interromper atividades por risco estrutural.

A organização aponta falta de medicamentos, materiais hospitalares e insumos para cirurgias de urgência como algumas das principais necessidades.

Outro risco é sanitário

A destruição da rede de água, danos ao esgoto e a concentração de pessoas em abrigos provisórios podem favorecer surtos de doenças.

A Força Aérea Brasileira enviou uma aeronave KC-390 Millennium em missão humanitária. O avião leva uma equipe de busca e resgate urbano de nível pesado, com profissionais da Defesa Civil Nacional, bombeiros de Minas Gerais, São Paulo e Paraná, além de especialistas da Anatel.

Enquanto a ajuda internacional chega ao país, moradores seguem procurando parentes entre prédios destruídos, ruas bloqueadas e hospitais sem capacidade de atender todos os feridos.

No canal da Brasil Paralelo, detalhamos as causas do desastre desencadeado pela Falha de Boconó, a resposta governamental sob estado de emergência e a complexa operação de resgate em meio à precariedade dos serviços do país.

Entenda as causas científicas e as consequências sociais deste trágico evento, que chegou a ser sentido até no norte do Brasil.

Assista ao episódio completo abaixo.

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