Descubra como a China transformou ursos panda em uma ferramenta de geopolítica
Estratégia chamada de “diplomacia do panda” já é executada há décadas.

Em viagem para os Estados Unidos, Xi Jinping se encontrou com Trump para uma reunião especial entre as lideranças dos dois países mais poderosos do mundo.
Após a conversa entre os governantes dos países mais poderosos do mundo, Xi Jinping levantou um tópico inesperado, ursos panda.
O líder chinês fez questão de dizer que os animais serão enviados aos EUA como prova da boa-fé na relação entre as nações:
"O panda-gigante tem sido um enviado da amizade entre chineses e americanos. Tenho uma boa notícia para vocês: em poucos dias, dois pandas, Ping Ping e Fu Shuang, chegarão à sua nova casa, o Zoológico de Atlanta, onde irão encontrar o povo americano".
A chegada de Ping Ping e Fu Shuang acontece em um momento no qual a relação entre os países parece estar voltando a se estabilizar após anos de crise e guerra comercial.
Existem registros de líderes chineses presenteando aliados com pandas desde a Dinastia Tang, que governou entre 618 a 907 d.C.
No entanto, eles são peças de uma estratégia política internacional que a China usa desde o regime de Mao Tsé Tung.
Conheça a Revolução Chinesa e suas consequências com o épico História do Comunismo. Assista ao primeiro episódio abaixo:
A diplomacia do panda
Os primeiros registros de pandas enviados a aliados políticos chineses foi em 1957, quando o país enviou os ursos Ping Ping e Qi Qi para a URSS.
Na ocasião, os animais foram um presente para celebrar o 40º aniversário da Revolução de Outubro na Rússia.
Eles eram parte de um esforço chinês para demonstrar boa vontade em uma época na qual a relação entre os dois países começava a azedar.
No ano anterior, Nikita Kruschev trouxe à tona os crimes de Stalin e começou a destruir seu legado. Mao via essas iniciativas com desconfiança.
As divergências ideológicas e políticas levariam os dois países a romperem suas relações em 1960.
A China também enviou ursos panda para a Coreia do Norte, porém o uso deles como ferramenta política chegaria a um novo patamar na década de 1970.
Poucos meses após a viagem de Nixon ao país e a aproximação entre China e EUA, o regime enviou os pandas Hsing-Hsing e Ling Ling.
Em 1972, a China também enviou os pandas Kang Kang e Lan Lan para o Japão após normalizar as relações.
O presente se transformou em empréstimo e é utilizado até os dias de hoje como ferramenta diplomática para demonstrar aproximação.
Além disso, os animais servem como ferramenta de soft power, estratégia traduzida para poder brando em português.
O objetivo é que um país amplie sua influência internacional não por meio da força militar, mas através da propagação de sua cultura, entretenimento e valores.
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