A Revolução Vermelha na Rússia

Redação Brasil Paralelo
Redação Brasil Paralelo
12/4/2022
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Em outubro de 1917, o governo provisório russo foi derrubado pela Revolução Vermelha. Os mencheviques comandavam o parlamento que regia o país, mas foram incapazes de entregar as reformas que a população desejava.

Para compreender os eventos da Revolução Vermelha, é necessário entender como as ideias revolucionárias dominaram a Rússia.

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Catarina, a Grande

Sophie Friederike Auguste, princesa de von Anhalt-Zerbst, mais conhecida como Catarina, a Grande, era filha de nobres prussianos. Aos 15 anos de idade foi enviada a Moscou, capital da Rússia, para conhecer seu futuro esposo, o Grão-duque Pedro Holstein-Gottorp.

Desde o início, procurou instruir-se na cultura russa, aprendendo o idioma e estudando a religião cristã ortodoxa, na qual foi batizada em 1745. Seu nome de batismo é Catarina Alexeievna.

Em 1745, casou-se com o Grão-duque Pedro. Em 1761, ele ascendeu ao trono russo e ficou conhecido como Pedro III. Pedro nunca tomou conhecimento da ambição de sua esposa de comandar o trono.

Em 1762, ele foi deposto e posteriormente assassinado. Os militares envolvidos no golpe, supostamente orquestraram o plano junto à Catarina, que assumiu a Rússia como czarina.

Assim Catarina, a Grande, assume a regência de um reino agrário, semifeudal, de realidade bem distante do restante das nações europeias.

A czarina, apesar do atraso de seu país, estava em contato com as novas ideias que surgiam na França e na Alemanha.

Catarina era admiradora dos pensadores iluministas e gostava de passar tempo nos salões de Paris. Lá ela mantinha contato com intelectuais como Voltaire, Montesquieu e Rousseau.

Na Alemanha, teve contato com outros pensadores iluministas: Hegel e Kant. Seu sonho era levar essas ideias para a Rússia, um país onde 80% da população era composta de camponeses analfabetos.

Seu desejo acabou sendo realizado, e esses famosos pensadores iluministas ajudaram a fundar escolas e universidades pela Rússia.

Aos poucos, as ideias que levaram o Império Russo à sua queda foram ganhando espaço dentro do regime. Uma classe de intelectuais foi formada nas novas universidades.

A intelligentsia russa

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Liev Tolstoi e outros escritores russos membros da Intelligentsia russa.

Os russos que se formaram nas novas escolas e universidades beberam das ideias iluministas. Desejavam uma nova sociedade, onde prevalecesse os ideais das luzes de liberdade e igualdade.

O grupo de letrados formou clubes literários e de debate para divulgar as novas ideias pela Rússia. Este grupo ficou conhecido como intelligentsia.

Para alcançar os ideais iluministas que almejavam, seria necessário:

  1. contar com o czar para promover reformas;
  2. ou mudar as estruturas de poder.

A segunda opção não era ainda vislumbrada. E o desejo de maior liberdade, sem a anuência do monarca, era apenas um sonho utópico. Restava pressionar o governante por mudanças.

A pressão da intelligentsia gerou diversos atritos com o czar. Houve até manifestações contra o governo, mas as agitações eram sempre contidas pelo exército. O braço armado impedia que a crise atingisse o monarca.

Mas em 1840 surgiram novas ideias que abalaram o mundo. As teorias rapidamente se difundiram entre os intelectuais russos e a monarquia viu-se verdadeiramente ameaçada.

O fortalecimento das ideias revolucionárias na Rússia

Em 21 de fevereiro de 1848, Karl Marx e Friedrich Engels publicaram o Manifesto Comunista. A obra apresentou novas ideias revolucionárias para o mundo.

  • Leitura recomendada: as principais ideias de Karl Marx.

O socialismo científico está entre as principais ideias, e é ele que leva ao comunismo. Em resumo, trata-se de uma doutrina que orienta as práticas necessárias para instaurar a revolução. Somente assim Marx e os socialistas crêem que conseguirão uma sociedade igualitária.

O socialismo pode ser entendido em duas formas básicas:

  • Socialismo utópico: corrente de pensamento que pretende alcançar uma sociedade ideal de forma lenta, gradual e pacífica.
  • Socialismo científico: é a principal ideia de Karl Marx, em que ele ensina que é preciso uma revolução e uma luta armada para mudar a sociedade e acabar com as injustiças. Por isso, ele fez uma análise crítica e científica do capitalismo.

A Revolução Vermelha dos Bolcheviques aproxima-se mais das ideias do Socialismo científico.

Existem outras versões do socialismo e nem todas envolvem a violência. Mas a essência permanece sendo a teoria da luta de classes e a abolição da propriedade privada.

Não ter propriedade privada é não possuir nada próprio. Tudo há de ser do Estado, o qual terá a responsabilidade de distribuir tudo igualmente. Na prática, o governo passa a ser o único detentor de propriedades. Isso recebe o nome de capitalismo de Estado ou Partido Único.

A nova mentalidade revolucionária toma conta da intelligentsia russa e agora elas atraem adeptos entre o povo.

O Czar Alexandre III, promove reformas estruturais na Rússia. Para modernizar suas estruturas, sua economia, e para apaziguar os ímpetos revolucionários, construiu novas ferrovias e escolas.

Mas as lentas reformas não foram capazes de frear o ímpeto revolucionário. As ideias socialistas alcançaram também a classe artística, o Balé Bolshoi, e escritores russos como Fiodor Dostoiévski.

Novos grupos políticos surgiram, e vinham dessa vez com a intenção de tomar o poder.

Os Mencheviques e os Bolcheviques

Os revolucionários se radicalizaram na Rússia e o movimento Vontade Popular assassinou o Czar Alexandre II. Seu filho, Alexandre III, rumou para uma política antipopular, buscando vingar seu pai. Ele entendeu que as políticas populares de seu pai abriram as portas para a violência comunista.

O movimento socialista aproveitou as atitudes de Alexandre III e instigou a revolução popular.

Em 1903, Lênin sugeriu que fossem constituídos dois partidos. A divisão serviria para produzir uma ideia de oposição quando, na verdade, ambos os lados trabalhavam juntos.

Inicialmente, houve certa resistência a esse projeto, mas Lênin conseguiu uma vitória por maioria, o que concedeu ao seu partido o nome “bolchevique”. Embora estivessem fragmentados, havia um plano central, a saber, tornar a Rússia um país comunista.

Como os grupos ainda eram do mesmo partido, todo apoio aos mencheviques iria dar poder também aos bolcheviques.

Os mencheviques eram adeptos do socialismo por etapas, seguindo à risca as fases que pregava Karl Marx. Eles acreditavam que a Rússia, por ser um país camponês e feudal, ainda precisava industrializar-se antes de se tornar socialista e que, portanto, outras nações a precederiam nessa jornada.

Os bolcheviques, por sua vez, defendiam as ideias de Lenin: uma revolução armada que deveria ser feita a todo custo, sem esperar qualquer amadurecimento.

Estava montado o Teatro das Tesouras. Dois partidos, um moderado e outro radical, disputam a hegemonia do poder e se apresentam como o único caminho político possível. O resultado disso é:

  • o socialismo, que é o objetivo comum, passa a ser visto como a única opção viável;
  • o lado moderado, mesmo com pautas que não necessariamente representam as ideias do povo, passam a ser vistos como algo legítimo entre a população;
  • as ideias radicais aos poucos espantam menos.

O movimento socialista russo se articula e toma forma. Três nomes se destacam na liderança, a saber, Vladimir Lênin, Josef Stálin e Leon Trotsky. Eles instigam o povo e promovem revoltas e greves.

  • A estratégia do Teatro das Tesouras foi replicada no Brasil contemporâneo por dois partidos. Assista agora O Teatro das Tesouras e veja as peças que faltavam para preencher o quebra-cabeças da atual política brasileira.

O Domingo Sangrento, 1905

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Ilustração representando os eventos do Domingo Sangrento.

Em 22 de janeiro de 1905, ocorreu o famoso evento que ficou conhecido como Domingo Sangrento. Operários de uma fábrica se reuniram e marcharam em direção ao palácio do czar para pedir que ele promovesse melhorias para a Rússia. O país enfrentava uma crise de fome.

O Czar Nicolau II não estava no palácio no momento da passeata. Apesar disso, os guardas do local se assustaram com os manifestantes e abriram fogo.

Os trabalhadores se dirigiram ao palácio entoando hinos patrióticos. E no fim, terminaram tingindo a neve de vermelho.

Estima-se que o número de mortos chegou próximo dos 1000. Os liberais e socialistas da Rússia compreenderam neste momento que era impossível um regime de liberdade sob o comando dos czares.

Uma série de revoltas e greves se espalharam pelo império russo após o massacre do Domingo Sangrento:

  • os trabalhadores entram em greve;
  • o povo toma as ruas;
  • os camponeses invadem casas nobiliárquicas;
  • os marinheiros realizam motins;
  • as fábricas criam os primeiros sovietes.

Nicolau estava perdendo o controle de seu reinado. Para driblar a crise, fez então duas concessões ao povo:

  1. criou uma constituição que restringe seus poderes;
  2. criou um parlamento que ficou conhecido como Duma.

As manifestações e greves foram se acalmando com tais medidas. Mas importantes nomes dos grupos socialistas como Lênin e Trotsky consideraram os motins de 1905 como um “Ensaio Geral” da revolução final.

Outra consequência desses eventos foi o surgimento dos sovietes nas fábricas russas. Eles eram como sindicatos onde os trabalhadores se reuniam. Mas serviam também para um propósito revolucionário.

Lênin, Stálin e Trotsky usaram dos sovietes como canal para difusão de ideias revolucionárias e para organizar revoltas, greves e motins.

Outra característica importante desses sindicatos é que eles utilizavam as fábricas para produzir armas para a revolução no turno da noite. O caminho para a Revolução Vermelha estava consolidado.

Ideias que ainda pautam o presente

A Revolução Vermelha mudou os rumos da história da humanidade. Suas ideias ainda pautam o presente. A partir destes eventos, a Rússia tornou-se o berço do comunismo em todo o mundo.

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Os fatos que ocorrem hoje são consequências das ideias revolucionárias que no passado derrubaram o czar e implantaram o comunismo.

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A Revolução Branca, fevereiro de 1917

Em 1915, a monarquia russa estava enfraquecida e com pouco apoio popular. Apesar disso, resolveu entrar nos conflitos da 1ª Guerra Mundial. Enquanto isso, operários nas fábricas produzem armas e soldados russos roubam dinheiro do exército para a revolução.

O reinado do Czar Nicolau III dá sinais claros de fraqueza. Durante a guerra, a fome se alastra pela Rússia e novas revoltas e greves tomam as ruas.

Em fevereiro, os trabalhadores da Rússia anunciaram uma greve geral. Liberais e mencheviques comandam as manifestações e pressionam pela queda do czar. Nicolau II renunciou e a Duma assumiu o comando da Rússia em caráter provisório.

Este evento ficou conhecido como Revolução de Fevereiro ou Revolução Branca.

Outro núcleo de poder surge nesse momento: o soviete de São Petersburgo. O poder russo torna-se dual devido à aliança de liberais e comunistas.

Lênin queria tomar o poder, acabar com o novo parlamento, e dar todo o poder aos sovietes. Com difamações, Lênin minou a reputação dos liberais e instigou o povo a protestar contra a lentidão de suas reformas, radicalizando o movimento.

A Revolução Vermelha, outubro de 1917

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Tomada do poder pela Revolução Vermelha.

Os mencheviques queriam implementar uma constituição, criar novas instituições de poder e organizar toda a nova estrutura política russa de maneira democrática. As reformas davam passos lentos e não sanavam as principais demandas populares:

  1. a saída da Rússia da guerra;
  2. uma solução para o problema da fome.

Lênin adotou uma estratégia astuciosa: publicamente dizia apoiar o regime provisório. Por trás dos bastidores, incitava o povo a promover uma revolução mais incisiva.

A radicalização das massas diante das lentas reformas serviu como uma legitimação das ideias de Lênin.

Em 23 de outubro de 1917, o exército vermelho se reúne no soviete de São Petersburgo e marcha para derrubar o governo provisório. Este evento ficou conhecido como Revolução Vermelha, ou Revolução de Outubro. Assim, os comunistas chegaram ao poder.

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