Meta está sendo processada por viciar crianças e adolescentes, mas nega as acusações e diz que toma medidas de segurança.

Enquanto testemunhava em um tribunal na Califórnia, o ex-diretor de engenharia da Meta, Arturo Bejar, fez duras acusações contra Mark Zuckerberg.
Ele afirmou que o presidente da empresa priorizou o lucro sobre a segurança de crianças e adolescentes que usam plataformas como Instagram e Facebook.
Os funcionários teriam ferramentas para identificar e suspender milhões de usuários suspeitos de ter menos do que 13 anos.
No entanto, escolhas internas fizeram com que a Meta apenas ignorasse a questão. “O mecanismo foi projetado para falhar”, chegou a afirmar.
Mudanças importantes na plataforma só poderiam ser feitas com o aval de Zuckerberg, segundo Bejar:
“Se Mark faz de algo uma prioridade, as montanhas se movem em meses”, afirmou o ex-executivo, segundo a agência Reuters.
Além disso, o engenheiro que trabalho durante seis anos com ferramentas de segurança infantil disse que os executivos sabiam o que estava acontecendo:
“Os jovens, em particular, estavam sofrendo danos em taxas elevadas e não estavam recebendo a atenção, a investigação, o apoio ou a reparação de que precisavam”, comentou.
Segundo contou, Bejar compreendeu a gravidade da situação após sua filha, que tinha uma conta aberta, passar por uma experiência grave.
“Estou diante de vocês hoje como um pai que teve a experiência em primeira mão de um filho que recebeu investidas sexuais indesejadas no Instagram.”
Que tal receber notícias todos os dias em seu E-mail? Clique aqui e receba de graça o Resumo BP.
A Meta, empresa que controla o Instagram e o Facebook, voltou aos tribunais em uma ação sobre os efeitos de dependência em crianças e adolescentes.
O processo está sendo movido por uma coalizão de 29 estados americanos, liderados tanto por republicanos quanto democratas.
Eles alegam que a empresa projetou suas redes para manter jovens conectados pelo maior tempo possível, mesmo sabendo dos riscos à saúde mental e à privacidade.
O julgamento está sendo considerado um dos maiores desafios jurídicos já enfrentados pela Meta.
Além de pedir indenizações que podem chegar a um trilhão de dólares, os estados querem que a Justiça obrigue a empresa a mudar a forma como suas plataformas funcionam.
Que tal receber notícias todos os dias em seu E-mail? Clique aqui e receba de graça o Resumo BP.
Entre as ferramentas ligadas ao processo, estão recursos que incluem:
o uso da rolagem infinita;
algoritmos de recomendação;
notificações para trazer os usuários de volta ao aplicativo;
outros mecanismos.
Os procuradores também afirmam que a empresa coletou dados pessoais de menores de idade, quebrando leis federais e estaduais de proteção à privacidade infantil.
Em nota, a Meta rejeita as acusações. A empresa afirma que mantém um histórico de proteção aos adolescentes, trabalhou com especialistas e criou ferramentas para aumentar a segurança dos jovens.
Segundo a companhia, as alegações dos estados não são sustentadas pelas evidências.
Caso a Justiça dê razão aos estados, a Meta poderá ser obrigada a modificar recursos que hoje fazem parte da experiência cotidiana das redes sociais.
Entre as mudanças solicitadas estão:
fim da contagem pública de curtidas;
eliminação da rolagem infinita;
desativação da reprodução automática de vídeos;
mudanças nos algoritmos de recomendação;
remoção de filtros que alteram a aparência dos usuários;
fim das publicações temporárias, como os Stories;
proibição da criação de múltiplas contas;
implantação de um sistema de verificação dos pais para adolescentes;
restrições de horário para notificações e uso por menores de idade.
Este não é o primeiro revés judicial da Meta. Em um processo separado, no estado do Novo México, um juiz condenou a empresa a pagar mais de R$4 bilhões e determinou mudanças.
Entre elas, a retirada das curtidas para menores de 18 anos, restrições ao envio de imagens íntimas e limitação das notificações em determinados horários.
Na decisão, o magistrado classificou a atuação da empresa como uma "perturbação pública". A Meta informou que recorrerá da decisão.
Embora essa sentença tenha validade apenas no Novo México, uma eventual derrota no processo movido pelos 29 estados poderia obrigar a empresa a implementar mudanças em todo o território americano.
Juntos, esses estados representam quase dois terços da população dos Estados Unidos.