Quase 300 lojas da empresa já foram fechadas em meio a crise econômica.

Uma das empresas mais importantes do varejo brasileiro entrou com um pedido de recuperação judicial.
As Casas Bahia atravessam uma das maiores crises de sua história. A companhia anunciou um prejuízo de R$10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026 e agora busca reorganizar uma dívida de R$17,3 bilhões.
O pedido foi protocolado no Juízo de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo e ainda precisa ser aceito pela Justiça.
A recuperação judicial é um mecanismo previsto na legislação brasileira para empresas que enfrentam dificuldades financeiras.
Diferentemente da falência, ela permite que a companhia continue funcionando enquanto apresenta um plano para renegociar suas dívidas.
O objetivo é preservar a atividade da empresa, os empregos e a continuidade dos negócios.
Segundo a Casas Bahia, a crise foi agravada por uma combinação de fatores. Entre eles estão questões como:
taxas de juros elevadas;
restrição ao crédito;
aumento dos custos;
pressão sobre o consumo;
necessidade de mais capital para manter a operação.
O pedido de recuperação também afeta outras nove empresas do grupo, incluindo a rede Ponto Frio, a Bartira e empresas de logística, tecnologia e comércio eletrônico.
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O pedido foi apresentado um dia após a divulgação do balanço financeiro da companhia.
Entre abril e junho deste ano, a empresa registrou prejuízo líquido de R$10,1 bilhões. No mesmo período de 2025, as perdas haviam sido de R$555 milhões.
Mesmo assim, os resultados mostram que a empresa enfrenta dificuldades há vários trimestres. Com esse balanço, a Casas Bahia acumula oito trimestres consecutivos de prejuízo.
Além disso, o resultado financeiro líquido ficou negativo em R$1,278 bilhão, reflexo do custo de capital no país.
Ao mesmo tempo, a receita líquida cresceu 1,6%, alcançando R$6,97 bilhões, mas o aumento das vendas não foi suficiente para compensar os custos e despesas da operação.
Quase 300 lojas fecharam e milhares de funcionários foram demitidos. Como parte da tentativa de reduzir despesas, a companhia vem diminuindo sua estrutura.
Até o fim de junho, 298 lojas haviam sido fechadas. A empresa informou que a decisão levou em consideração fatores como desempenho operacional, necessidade de capital e retorno econômico de cada unidade.
O pedido de recuperação judicial ainda será analisado pela Justiça. Se for aceito, a empresa deverá apresentar um plano detalhando como pretende renegociar sua dívida de R$17,3 bilhões com bancos, fornecedores e demais credores.
Caso esse plano seja aprovado pelos credores e homologado pela Justiça, a companhia poderá continuar operando enquanto cumpre as novas condições de pagamento.
Se o plano não for aprovado ou não for cumprido, o processo poderá evoluir para medidas mais severas previstas na legislação, incluindo a decretação de falência.
A recuperação judicial representa, portanto, uma tentativa de reorganizar as finanças da empresa para preservar suas atividades.
O desfecho dependerá das negociações com credores e das decisões da Justiça nos próximos meses.