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Economia•5 min de leitura

Empresários buscam o Paraguai para fugir da nova reforma tributária

Complicações com nova forma de pagar impostos tornam o país ainda mais atrativo para brasileiros.

Por
Rafael Lorenzo M. Barretti
•Publicado em
Empresários brasileiros fogem da reforma tributária para o Paraguai
Fonte da imagem: Reprodução

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Em 2027, a reforma tributária deixará a fase de testes e começará a passar por um processo gradual de implementação dos novos impostos. 

Esse cenário tem causado preocupações em diversos empresários. Em entrevista para o portal Poder 360, Suelen Raizer, fundadora da consultoria Frontexa, comentou que muitos empresários estão deixando o Brasil por se preocuparem com a reforma.

Apenas em 2026, cerca de 100 indústrias e distribuidoras procuraram a empresa, que é especializada em auxiliar a instalação de negócios no país vizinho.

O movimento não é novo, mas ganhou tração com o atual cenário de juros elevados e as incertezas fiscais. 

  • A Brasil Paralelo está investigando a imigração das empresas brasileiras para o Paraguai. Continue acompanhando para mais informações.

Processo da reforma afasta os negócios

A partir de agosto de 2026, a reforma tributária entrou na fase de parametrização e passou a ser um problema prático na mesa dos diretores.

Nesse período, começou a cobrança de uma alíquota-teste de 1%. O problema não é o valor financeiro, mas a convivência entre sistema antigo e a nova arquitetura tributária, que vai durar até 2033.

PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS serão gradualmente substituídos por um IVA dual (CBS federal e IBS regional). 

Para as empresas, isso significa adaptar sistemas, mudar a emissão de notas fiscais, revisar contratos comerciais e recalcular toda a estratégia de preços.

Diversos CEOs e donos de empresa pararam de pensar apenas em qual seria o valor do imposto e começaram a questionar se a empresa consegue operar dois sistemas ao mesmo tempo sem perder o controle do caixa.

O cenário caótico contrasta com a simplicidade do sistema paraguaio, que se adaptou ao longo dos últimos anos para atrair as empresas brasileiras.

O principal instrumento é a Lei de Maquila, criada em 1997 e ampliada recentemente pelo governo paraguaio.

O regime permite que empresas estrangeiras importem máquinas, equipamentos, matérias-primas e insumos sem pagar impostos de importação, desde que a produção seja destinada à exportação.

Ao final do processo, a empresa paga apenas um imposto único equivalente a cerca de 1% sobre o valor agregado da exportação, além de receber isenções em diferentes etapas da produção.

Desde 2007, pelo menos 232 empresas nacionais transferiram parte de suas operações para o outro lado da Ponte da Amizade.

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Um sistema tributário mais simples

A diferença nos sistemas de tributação aparece como um dos principais argumentos para a migração.

No Brasil, uma indústria precisa pagar ICMS, IPI, PIS, Cofins, ISS, contribuições previdenciárias e obrigações fiscais que variam conforme o estado e o setor econômico.

Já no Paraguai, mesmo empresas que não estão enquadradas na Lei de Maquila trabalham com uma estrutura muito mais enxuta.

Além disso, mesmo fora desse regime especial, o país opera com o chamado "triplo 10":

  • 10% de imposto de renda para empresas;

  • 10% de imposto de renda para pessoas físicas;

  • 10% de IVA (Imposto sobre Valor Agregado).

Segundo os dados apresentados, fábricas instaladas sob o regime de maquila enfrentam carga tributária e encargos trabalhistas médios de cerca de 12%, enquanto no Brasil esse percentual pode chegar a até 80%, dependendo da atividade.

Menos burocracia e mais previsibilidade

Empresários também apontam a burocracia brasileira como um dos fatores que estimulam a mudança.

Além da elevada carga tributária, o ambiente regulatório brasileiro é complexo, com mudanças nas regras, interpretações diferentes e insegurança jurídica para quem deseja investir no longo prazo.

Já o ambiente no Paraguai permite que decisões sejam tomadas com mais rapidez e reduz o tempo gasto com procedimentos administrativos.

Para muitos empresários, isso significa poder concentrar esforços na produção e na expansão dos negócios, em vez de lidar continuamente com questões burocráticas.

O número de empresas continua crescendo

Segundo a Câmara de Empresários Brasileiros no Paraguai, pequenas e médias empresas também têm buscado o país vizinho.

Atualmente, a entidade recebe entre 20 e 40 empresários por mês interessados em conhecer as possibilidades de investimento.

A reforma recente da Lei de Maquila ampliou ainda mais os incentivos. Os benefícios passaram a ter validade inicial de 20 anos, com possibilidade de renovação, além da inclusão do setor de serviços entre as atividades aptas ao regime.

A Brasil Paralelo está investigando a imigração das empresas brasileiras para o Paraguai. Continue acompanhando para mais informações.

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