Alunos aprendem a manipular instituições e usar a burocracia a seu favor.

Como um dos homens mais ricos e poderosos do planeta, Bill Gates é um dos principais alvos de teorias da conspiração no mundo.
Quase alimentando essas teorias, uma reportagem do The New York Post afirma que sua filha, Phoebe Gates, fez um curso secreto chamado “então você acha que pode dominar o mundo” na Universidade de Stanford.
Apenas 12 alunos têm o direito de participar na disciplina ao ano, seis homens e seis mulheres, todos eles precisam ser indicados por um ex-aluno.
Além disso, passam por um rigoroso processo de entrevistas conduzido pelo fundador do curso, Justin Lewis-Weber, que escolhe pessoalmente os participantes.
Segundo o Stanford Daily, os candidatos precisam indicar colegas que consideram os homens e mulheres mais talentosos da universidade.
As entrevistas são conhecidas por serem longas e intensas. De acordo com ex-alunos, Lewis-Weber faz perguntas sobre propósito de vida, ambições, crenças e objetivos.
Alguns estudantes relataram que saíram das entrevistas questionando as próprias convicções.
Um chegou a afirmar que passou a noite inteira refletindo sobre suas respostas, enquanto outro disse que um candidato chegou a deixar a entrevista em lágrimas.
A Brasil Paralelo investigou a trajetória de Bill Gates em um episódio especial de Face Oculta. Assista completo abaixo:
Os participantes se encontram ao menos uma vez durante dez semanas para discutir dinheiro, poder e o que chamam de "estruturas e mecanismos de incentivo que governam o funcionamento do mundo".
Um ex-aluno resumiu o objetivo da disciplina como ensinar os estudantes a "identificar vulnerabilidades nas estruturas de poder".
Outro ex-participante afirmou que o curso busca ensinar os alunos a "hackear qualquer estrutura de poder ou burocrática para conseguir o que desejam dentro de um sistema formado por pessoas".
A proposta não seria discutir a ética dessas estratégias, mas sim aprender a identificar brechas e oportunidades existentes dentro das organizações.
Além das discussões em sala, o curso também funciona como uma rede de relacionamento.
Ex-alunos costumam criar empresas juntos, virar sócios ou ao menos manter contato anos depois da graduação.
Lewis-Weber continua organizando encontros entre antigos participantes e atua como mentor de muitos deles.
Segundo o Stanford Daily, Phoebe Gates continuou ligada a essa rede depois de concluir o curso.
Uma estudante afirmou que ela chegou a recrutar pessoas da disciplina para trabalhar em sua startup, a Phia.
Phoebe Gates tem 23 anos e se formou em Stanford em 2024 no curso de Biologia Humana.
Ao lado da colega Sophia Kianni, fundou em 2025 a plataforma Phia, um aplicativo baseado em inteligência artificial para comparar preços de produtos de moda e buscar alternativas.
A empresa arrecadou R$225 milhões antes mesmo de seu lançamento. Parte dos investimentos veio de fundos e de celebridades como Kris Jenner, Khloé Kardashian, Jessica Alba, Hailey Bieber e Paris Hilton.
Embora Bill Gates não tenha investido diretamente na empresa, Phoebe afirmou que o pai a ajudava com orientações sobre engenharia, contratações e desenvolvimento do negócio.
Nos últimos dias, entretanto, a Phia passou a enfrentar questionamentos após uma investigação divulgada pela Bloomberg.
Segundo a reportagem, testes realizados por pesquisadores indicaram que uma extensão do navegador desenvolvida pela empresa utilizava "cookie stuffing".
A prática pode fazer parecer que uma compra foi originada pelo aplicativo mesmo quando o consumidor chegou ao site por outro caminho.
Esse mecanismo permitiria que a empresa recebesse comissões sobre vendas que, segundo a investigação, não teria efetivamente gerado.
Mensagens internas publicadas pela Bloomberg mostram que as fundadoras discutiam meses antes o funcionamento automático desse recurso.
A Phia afirmou que o problema era resultado de uma falha de software descoberta recentemente e informou que desativou a funcionalidade.