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Professora de universidade federal afirma que não existe “Estado ausente” nas favelas

Jacqueline Muniz afirmou que o Estado organiza o crime no Rio de Janeiro.

Por
Redação Brasil Paralelo
Publicado em
Jacqueline Muniz
Fonte da imagem: Reprodução

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O poder público “governa com o crime e não contra ele”. Foi o que afirmou a professora do Departamento de Segurança Pública da Universidade Federal Fluminense (UFF), Jacqueline Muniz.

Ela afirmou que o crime organizado no Rio de Janeiro é resultado direto da atuação do Estado e não da sua ausência.

Durante entrevista sobre a megaoperação que deixou mais de cem mortos nos complexos da Penha e do Alemão, Muniz criticou a ideia de “Estado paralelo”. Ela afirmou que o poder público “negocia sua presença” nas comunidades.

“Não existe território no Rio de Janeiro em que a polícia não entre. A polícia do Estado tem soberania sobre o território. Ela entrega, terceiriza para o crime e arrenda territórios populares onde se controla a população com mecanismos coativos, gerando governos criminais autônomos”, afirmou.

A professora classificou como “mito” a ideia de que facções e milícias dominam regiões sem interferência do poder público. De acordo com ela, a própria estrutura do Estado participa da dinâmica de controle e regulação desses espaços.

“Quem organiza o crime é o Estado. Ele funciona, numa democracia, como uma agência reguladora do crime para o bem ou para o mal. Não existe Estado paralelo nem Estado ausente. O Estado negocia a sua presença”, disse.

Jacqueline também relacionou o crime à política. Segundo a professora, as “principais lavanderias do dinheiro do crime” no Rio estariam ligadas a “carreiras eleitorais, caixa dois de campanha e algumas igrejas”.

“Governa-se com o crime aqui, e em outros lugares, não contra ele. Faz-se a guerra para vender a paz da propina, a paz do arrego, para renovar o preço do alvará do arrendamento de territórios populares.”
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O que foi a megaoperação no Rio de Janeiro?

A megaoperação realizada na última terça-feira (28) mobilizou cerca de 2.500 agentes das polícias Civil e Militar e cumpriu 160 mandados de prisão contra integrantes do Comando Vermelho (CV). O objetivo era conter o avanço da facção na zona norte da capital.

Durante a ação, houve resistência armada, explosões e até ataques com drones, que lançaram bombas contra os policiais. O saldo inicial divulgado pelo governo estadual foi de 64 mortos, entre eles quatro policiais.

Segundo a Defensoria Pública do Rio, o número chegou a 132, com 128 civis e quatro agentes.

Moradores relataram tiroteios intensos e fuga de criminosos por rotas alternativas. Nas redes sociais, surgiram vídeos mostrando homens armados se preparando para o confronto horas antes do início da operação.

O saldo e as reações

Além das mortes, a operação deixou 12 policiais baleados, quatro deles mortos, e resultou em 81 prisões. A cidade viveu um dia de paralisia: escolas suspenderam aulas, comércios fecharam e ruas ficaram vazias.

O caso ainda está sob apuração. O governo estadual e o Ministério Público devem avaliar se houve falha no sigilo da operação ou simples previsibilidade diante da mobilização de tropas.

Por enquanto, o que se sabe é que a ação expôs novamente a complexidade do combate ao crime organizado no Rio de Janeiro, onde cada avanço da polícia traz, junto, novas perguntas sobre segurança, estratégia e controle.

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