Essa pode ser uma das poucas pautas capazes de unir os EUA à Rússia contra o Brasil.

Em meio a um aumento nas tensões internacionais, candidatos à presidência estão falando sobre a possibilidade de desenvolver uma bomba nuclear.
Nas últimas semanas, Lula e Renan Santos (Missão) falaram sobre o tema e sinalizaram a importância do poder de dissuasão militar.
Antes deles, em 1998, o dr. Enéas Carneiro já defendia que ter armas nucleares era uma necessidade para não se tornar refém dos países que possuem.
No entanto, seguir com uma proposta do tipo poderia trazer reações internacionais e graves consequências para o país.
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Um dos pontos que o texto traz é que o Conselho de Segurança da ONU (CSNU) tem o dever de punir o país:
“Em caso de violação comprovada, o Tratado de Não Proliferação (TNP) determina que cabe ao Conselho de Segurança das Nações Unidas adotar as medidas necessárias para fazer com que o Estado volte a cumprir suas obrigações e, se for o caso, aplicar sanções.”
Normalmente, o CSNU tem dificuldades em tomar decisões, já que cinco países com visões e interesses muito distintos concentram o poder de veto:
EUA;
Rússia;
China;
França;
Reino Unido.
A maioria das decisões do órgão não costumam sair do papel, já que a posição de um dos membros em via de regra esbarra nos interesses de outros.
No entanto, vale destacar que o próprio TNP foi criado em uma parceria entre EUA e URSS, que queriam congelar a balança de poder mundial e garantir sua liderança.
Como todas essas nações têm armamento nucleares, há uma grande possibilidade delas estarem em comum acordo sobre essa pauta.
As punições contra o Brasil podem variar de duras sanções econômicas a até mesmo ações militares.
Um exemplo é o Irã, o país é acusado há décadas de buscar esse tipo de armamento e vive em um duro regime de sanções econômicas.
Embora grande parte das sanções venha por outras questões, como violações aos direitos humanos e apoio ao terrorismo, a questão nuclear também é uma constante causa de punições.
Além disso, foi atacado pelos EUA duas vezes em menos de dois anos e é alvo constante de ataques hackers contra seus sistemas de energia e infraestruturas básicas.
As negociações sobre o programa nuclear do país são um dos pontos que mais tem dificultado um acordo de paz, segundo Trump.
Outra questão internacional que poderia acontecer pelo avanço na construção de uma arma nuclear brasileira é ressuscitar a rivalidade com a Argentina.
Atualmente, os dois países disputam fortemente no futebol e tem uma relação próxima em outros campos, mesmo com a troca de farpas entre Lula e Javier Milei.
No entanto, essa nem sempre foi a situação. Os dois disputaram durante mais de um século a hegemonia na América do Sul.
Um dos campos de atrito era justamente a corrida nuclear para tentar conseguir armas atômicas primeiro.
Enquanto o Brasil se aventurava no programa nuclear paralelo, a Argentina também procurava construir artefatos nucleares. A tensão só diminuiu com a redemocratização dos dois países.
O presidente Raúl Alfonsín chegou a levar José Sarney para conhecer uma instalação nuclear durante uma visita à Argentina em 1987.
Em 1991, os dois países criaram a ABACC, agência pela qual monitoram simultaneamente seus programas nucleares.
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Durante o regime militar, o país construiu um programa secreto para tentar desenvolver armamentos.
Os presidentes se recusaram a ceder à pressão americana para assinar o Tratado de Não-proliferação Nuclear (TNP).
No entanto isso mudou com a redemocratização, Collor assinou o acordo assim que assumiu, chegando a jogar uma pá de cal em um local preparado para testes.
O processo para que o acordo fosse ratificado só chegou ao fim em 1998, quando recebeu apoio do presidente Fernando Henrique Cardoso.
Um dos políticos mais emblemáticos desde a redemocratização, Enéas chamou a atenção do país com sua barba, óculos e o bordão “Meu nome é Eneias”.
Por trás do jeito caricato, ele era professor, formado em medicina e licenciado em física e matemática.
Sua retórica inflamada e ideias nacionalistas o fizeram ganhar a admiração de muitos e o estranhamento de outros.
Em agosto, Enéas será o personagem da segunda biografia da Brasil Paralelo, o documentário inédito Meu Nome é Enéas.
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