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Novo Papa Leão XIV teve antecessor que condenou a escravidão no Brasil durante o Império: “é contrária ao direito natural e divino”

O Papa Leão XIII enviou uma carta no século XIX aos bispos brasileiros condenando a escravidão.

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Redação Brasil Paralelo
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Papa Leão XIV à esquerda e Papa Leão XIII à direita.
Fonte da imagem: Papa Leão XIV à esquerda e Papa Leão XIII à direita.

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No dia 5 de maio de 1888, às vésperas da assinatura da Lei Áurea, o Papa Leão XIII dirigiu-se diretamente ao Brasil com uma mensagem clara e inédita: a escravidão precisava acabar.

Foi nessa data que ele enviou aos bispos brasileiros a carta apostólica In Plurimis, escrita exclusivamente para o país, em um dos momentos mais decisivos de sua história.

A carta não era apenas um apelo moral, era um gesto político, pastoral e simbólico. Leão XIII elogiava o avanço do Brasil rumo à abolição e chamava a escravidão de uma “mancha” a ser apagada:

“Vós, ilustres irmãos, tendes a glória de ter contribuído de modo importante para apagar essa mancha da escravidão do vosso país.”, diz o documento.

Uma denúncia pública da escravidão

Ao longo do documento, o Papa foi incisivo. Condenou a escravidão como uma prática contrária ao direito natural e divino, denunciando a transformação de seres humanos em mercadorias. Ele escreveu que os escravos eram “coisas” sem direitos, sujeitas à compra, venda, punição e até morte:

“As multidões de escravos eram consideradas somente como bens, não pessoas, mas coisas, privadas de todo direito... Era lícito aos donos trocar, vender, deixar em herança, bater, matar os escravos.”, afirmou o papa Leão XIII. 

Leão XIII continuou:

“Com a vinda de Jesus Cristo, todos os que estavam sob o jugo da escravidão do pecado foram chamados à dignidade sublime de filhos de Deus.”

Papa Leão XIII também elogiou o processo de abolição no Brasil

Diferente de outros países, onde a abolição veio acompanhada de guerra civil e ruptura violenta, o Papa destacou a singularidade brasileira: a libertação ocorreu sem sangue, com festa popular e conciliação. Era, segundo ele, um motivo de orgulho nacional:

“O Brasil pode se vangloriar de ter agido com moderação e justiça: sem guerras civis, sem represálias, com festas, as correntes caíram.”, disse ele na Bula In Plurimis.

Esse olhar atento ao contexto local, segundo o pesquisador Ivanaldo Santos, revela o peso político do documento. A carta foi lida em igrejas, publicada em jornais e repercutida entre os aliados da monarquia, incluindo dom Pedro II e a princesa Isabel. Era, nas palavras do autor, “uma doutrina católica da libertação dos escravos”.

Leão XIII também propôs mudanças

Além de condenar o passado escravista, Leão XIII propôs um futuro. Pediu que a abolição não se tornasse fonte de novos conflitos, mas oportunidade para reconstruir o país em bases mais fraternas:

“Devem estabelecer, pacificamente e de maneira cristã, todos os acordos a tomar, para que seja suprimida e cancelada a escravidão... sem nenhuma violação do direito humano e divino.”, disse.

Um marco na história da abolição

A In Plurimis é um dos documentos mais importantes da história da abolição no Brasil e da doutrina social da Igreja. Nela, um Papa olhou diretamente para o país, reconheceu sua luta e abençoou o fim da escravidão com palavras firmes, teológicas e históricas.

Contudo, a escravidão no Brasil acabou por uma soma de fatores complexos e que envolveu diferentes pessoas. Desde militares egressos da guerra do Paraguai, políticos no parlamento, escravos e ex-escravos. 

Esse período é analisado com mais profundidade no documentário da Brasil Paralelo sobre História do Brasil. Assista ao primeiro episódio logo abaixo:

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