Ministros se declararam impedidos, questionaram decisões de Fachin e protagonizaram embates duros ao longo da manhã.

O STF vive hoje um dos julgamentos mais tensos dos últimos tempos. A sessão começou com um pedido de serenidade, mas logo vieram declarações de impedimento e críticas a decisões do presidente Edson Fachin.
Também houve embates entre Alexandre de Moraes, André Mendonça, Gilmar Mendes, Flávio Dino e Luiz Fux.
Reunimos abaixo os principais momentos até agora.
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Edson Fachin abriu a sessão pedindo equilíbrio e serenidade aos ministros. Antes do início dos votos, apresentou o histórico do caso e delimitou o que será analisado pelo STF.
Fachin leu a defesa de Alexandre de Moraes. Moraes se declarou inocente, afirmou que foi criada uma “farsa” sobre um suposto vazamento de informações que teria favorecido o Banco Master e disse nunca ter julgado assuntos ligados à instituição. Também afirmou estar sendo perseguido por motivos políticos.
Kassio Nunes Marques fez um esclarecimento sobre as suspeitas envolvendo seu filho. Disse que ele nunca prestou serviços ao Banco Master e afirmou que a quebra de sigilo não encontrou elementos que comprometessem sua isenção.
Pouco depois, Nunes Marques se declarou impedido e deixou de participar do julgamento.
Dias Toffoli se declarou suspeito, alegando “motivo de foro íntimo”. Disse agir por coerência com manifestações anteriores, mas afirmou que permaneceria no plenário e poderia usar a palavra caso julgasse necessário.
Flávio Dino e Edson Fachin tiveram o primeiro atrito da sessão. Dino falou mesmo sem autorização do presidente do STF e sustentou que o Regimento Interno lhe garantia o direito de se manifestar.
Gilmar Mendes entrou na discussão e disse concordar com a interpretação de Dino sobre o uso da palavra.
Dino voltou a questionar Fachin sobre as relatorias. Afirmou que André Mendonça ainda aparecia como relator na pauta e criticou a decisão do presidente do STF. “A sua capa é igual à minha”, disse Dino, ao argumentar que Fachin não poderia destituir relatores.
Fachin reagiu à crítica e pediu cautela ao uso do termo “avocatória”, lembrando que esse tipo de instrumento está associado a regimes autoritários. Disse que não havia destituído nenhum relator. “Vossa Excelência mandou parar os processos”, rebateu Dino. Fachin respondeu lendo o trecho do Regimento Interno que, segundo ele, sustentava sua decisão.
André Mendonça falou pela primeira vez na sessão.
Pouco depois, Flávio Dino citou um vídeo de Fábio Porchat, disse que era “muito bom” e sugeriu que Fachin assistisse. “Eu não tive tempo, fiquei lendo os ofícios”, respondeu o presidente do STF.
Gilmar Mendes criticou o afastamento de Andrei Rodrigues da direção da Polícia Federal. “Afastar o diretor da PF é como afastar o diretor da NASA”, afirmou. Segundo Gilmar, a medida demonstrava “uma falta de noção” de uma gravidade que ele jamais havia visto.
Luiz Fux rebateu Gilmar Mendes e defendeu a decisão de André Mendonça. “O que não pode é a PF trabalhar contra o Poder Judiciário”, afirmou.
Fux também disse a Gilmar: “Eu me lembro de quando Vossa Excelência atravessou a avenida e pediu a demissão de um diretor da Polícia Federal”.
Alexandre de Moraes falou pela primeira vez na sessão e protagonizou embates com André Mendonça.
Em um deles, Mendonça afirmou: “Isso é mentira”. Moraes respondeu: “Então vamos chamar as testemunhas?”
Na sequência, Moraes acusou Mendonça de favorecer um grupo político envolvido em uma tentativa de golpe contra o país. Mendonça afirmou que responderia quando chegasse seu momento de falar.
Em outro momento, Moraes afirmou que “até as pedras sabem” que há um “inequívoco viés político e eleitoral” na investigação sobre o caso Master. Mendonça reagiu: “Vossa Excelência está sendo leviano”.
Gilmar Mendes também criticou a atuação de Mendonça e afirmou: “Se trata de um pixuleco, um boneco eleitoral”, ao comentar a atuação do ministro e a reação das ruas.
No fim da manhã, Fachin informou que, a partir das 13h, os canais precisariam interromper a transmissão por causa do horário eleitoral, enquanto os ministros continuariam falando.
“Poderia tornar isso perene”, reagiu Flávio Dino.
Fachin decidiu então interromper a sessão, evitando que o julgamento continuasse sem transmissão ao público.
Acompanhe ao vivo no canal da Brasil Paralelo. A transmissão volta em breve.
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