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Hikikomori, o fenômeno das pessoas solitárias e a crise da cultura

Mais de um milhão e meio de pessoas não querem viver em sociedade.

Por
Redação Brasil Paralelo
Publicado em
Hikikomori: a crise social do Japão
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Uma pesquisa do governo japonês, divulgada no último final de semana (15/04), revelou que quase 1,5 milhão de pessoas em idade ativa no Japão vivem afastadas da sociedade, correspondendo a cerca de 2% da população.

Conhecidos como hikikomori, esse grupo é composto por indivíduos que evitam atividades que envolvam socialização, como trabalho e escola

O estudo apontou que o abandono do emprego é o motivo mais citado, seguido pelo isolamento após a crise social causada pelo COVID-19, bem como depressão e bullying.

18% dos entrevistados com idades entre 15 e 39 anos citam a pandemia como motivo para permanecer isolados. Dos entrevistados com idades entre 40 e 64 anos, 20% continuam em reclusão devido à pandemia.

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Um problema antigo

Embora o COVID-19 tenha desempenhado um papel relevante na situação atual, um estudo de 2019 já havia estimado que 1,8% dos japoneses entre 15 e 39 anos viviam isolados antes da pandemia.

Desde 2021, o governo japonês tem investido milhões de dólares em aplicativos de encontros para que os jovens se encontrem e tenham filhos, aponta a BBC. A medida foi adotada para tentar solucionar as grandes quedas nas taxas de natalidade.

Os hikikomori são frequentemente homens e têm histórico de abandono escolar ou tratamento psiquiátrico anterior. O estudo também identificou que 41% dos adeptos a esse isolamento já viviam dessa forma por três anos ou mais e tinham maior propensão a apresentar comportamento vicioso e fatores de risco de suicídio.

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Crise da cultura

O problema japonês também é uma realidade em muitos outros países: segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), pelo menos 350 milhões de pessoas sofrem de depressão. 

No Brasil, por exemplo, a taxa de natalidade  está ficando cada vez menor, aproximando-se da taxa de natalidade japonesa, aponta o IBGE.

Victor Sales Pinheiro, professor de filosofia na UFPA, aponta que uma das principais causas do problema da solidão está no núcleo da cultura moderna. Segundo ele:

 "Quando uma cultura entra em crise, o sentido da vida fica esvaziado”.

Os morangos mofados

Em comparação à música dos Beatles, Strawberry Fields Forever (Campos de morango eternos), Sales comenta o conto Os Sobreviventes, do livro Morangos Mofados, de Caio Fernando Abreu.

A narrativa mostra uma vida sem sentido, repleta de filosofias pessimistas, vendo apenas caminhos sem solução e um final triste. Para o professor, vemos uma geração sem um mapa, sem um caminho, cheia de mágoas e frustrações. São os morangos mofados, não os morangos eternos, símbolos de prazer.

Após tanto tentar de tudo para encontrar o sentido da vida, a protagonista do conto tem na boca um gosto ruim, amargo, de mofo.

Nesse contexto, insere-se a capacidade de usar bem o tempo livre e a solidão, não com tristeza, mas com a alegria do autodesenvolvimento, do estudo que aproxima da verdade.

O professor Victor Sales participa do mais novo projeto da Brasil Paralelo, que oferece uma trilha de conhecimento em política, economia, cultura geral e desenvolvimento pessoal.

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