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Espancamento na UFRJ: entenda o caso e o que era o suposto símbolo nazista utilizado por estudante

Diretório acadêmico e aluno espancado disputam narrativas sobre as agressões.

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Rafael Lorenzo M. Barretti
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Vídeos que viralizaram nas redes sociais mostram um estudante de história sendo espancado por um grupo de colegas na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). 

As gravações começam com ele sendo agredido na escadaria da faculdade, em outro momento ele segue sendo agredido fora da instituição, no centro da Capital Carioca.

O caso se tornou objeto de um inquérito da polícia, além de alvo de uma sindicância instalada pela própria universidade. 

Os alunos interromperam a aula para questionar Diego Costa da Silva Araújo sobre sua camiseta, que apresentava um suposto símbolo ligado à Alemanha nazista.

As narrativas sobre o episódio começam a variar nesse momento, já que agressores e o jovem agredido apresentam versões opostas.

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Um caso e duas versões

Segundo Deivid Lima contou em entrevista para o jornal O Globo, Diego o agrediu e fez insultos racistas logo após ser abordado:

Ele me deu uma cotovelada muito rapidamente, pegou meu cabelo e disse: ‘macaco, vou te matar’. Ao chegar ao final da escada, bati a cabeça na parede, ele se inclinou e puxou o meu cabelo. Foi assustador, porque ele rosnava e tentava me morder”.

O estudante de direito que aparece participando das agressões nos vídeos chegou a abrir um Boletim de Ocorrência pelo crime de injúria racial e passou pelo exame de corpo de delito.

Além disso, Deivid afirma que o jovem espancado começou a fazer provocações contra as pessoas que passavam para tentar motivar as agressões:

“Quem era negro, ele chamava de macaco. Quem era mulher, ele dizia que era puta. Ele começou a proferir essas ofensas provavelmente para que as pessoas quisessem bater nele. Tanto é que, quando ele sai da faculdade, dá um tchauzinho, e isso deixa o pessoal mais estressado. Aí que foram atrás dele.”

Diego conta uma história completamente diferente. Ele afirma que foi retirado da sala de aula acreditando que seria levado para uma delegacia, como contou na entrevista para Pedro Dória:

Esse estudante de direito não quis me ouvir… falou que estava me dando voz de prisão, que eu seria conduzido até uma delegacia para me explicar de porque que estava usando estes símbolos.”

Para ele, isso foi apenas uma armadilha, uma forma de tirá-lo da sala de aula para dar início a uma sessão de espancamento.

O jovem destaca que estava usando uma jaqueta com um broche que tinha uma suástica riscada, um símbolo de sua oposição ao regime de Adolf Hitler.

Além disso, Diego afirma que diversos alunos estão tentando espalhar uma narrativa de que ele estaria tentando criar uma célula redpill dentro do campus.

Ele afirma que isso era uma mentira criada para destruir sua reputação e tentar legitimar a violência que ele sofreu.

Durante a entrevista, Diego chega a mostrar alguns comentários feitos no diretório acadêmico, incluindo um que falava “só não circula a p**** do vídeo mais e vamos controlar a narrativa”.

Jovem conta que já era alvo do movimento estudantil

Apesar de se assumir como um simpatizante dos ideais marxistas e até mesmo ter trabalhado para traduzir um texto de Lênin, Diego já tinha uma relação de tensão com o movimento estudantil.

Essas pessoas não estão preparadas para o diálogo, essas pessoas são extremistas, essas pessoas são violentas. Eu sempre sofri uma certa represália por ter opiniões contrárias ao pensamento hegemônico da faculdade, é uma richa que já tem um tempo.”

O que o jovem narra nessa fala é um cenário comum nas universidades brasileiras, o que pode ser conhecido pelo nome “espiral do silêncio”.

De acordo com a pesquisadora especializada em opinião pública, Noelle-Neumann, as pessoas tendem a descobrir qual a visão dominante em um determinado ambiente e a reproduzem para evitar confrontos.

O pensamento hegemônico em um determinado lugar não é necessariamente aquele compartilhado pela maioria das pessoas, mas o com maior repercussão.

Em muitos casos, a maioria das pessoas podem até pensar de forma diferente, mas escondem suas visões, pois acreditam que são minoria.

A espiral do silêncio dentro das universidades é um dos temas do documentário original Unitopia.

A Brasil Paralelo levou suas câmeras para as instituições de ensino mais famosas do Brasil para ver a real situação do ensino. Assista ao primeiro episódio abaixo:

[TRAILER] INFERNO

Totenkopf: conheça o símbolo no centro do caso

Tudo começou por causa de uma camiseta da banda britânica Death in June, com raízes no movimento musical pós-punk

A camiseta ostentava uma caveira semelhante à Totenkopf, símbolo utilizado nos uniformes da SS, organização paramilitar da elite do partido nazista.  

O emblema apareceu pela primeira vez em 1730, durante o reinado do príncipe pruciano Frederico, o Grande

Ele estava nos chapéus dos Hussardos, tropas da cavalaria ligeira do país. O símbolo não deixou de ser usado desde então entre as tropas alemãs, chegando a aparecer na Frente Ocidental em 1918.

Na década de 1930, as tropas nazistas resgataram a caveira e a colocaram como um dos emblemas mais marcantes da SS.

A Brasil Paralelo investigou a fundo as raízes do nazismo e como a ideologia impactou o século XX com o épico História do Fascismo. Assista ao primeiro episódio abaixo:

A cultura punk resgatou os símbolos nazistas

A banda Death in June não tem ligação com a ideologia neonazista. Seu vocalista, Douglas Pearce, é assumidamente gay e a banda chegou a se apresentar em Israel.

Apesar disso, em seu site oficial é possível encontrar a caveira e o Sol Negro com as cores do arco-íres LGBT.

Essa não é a primeira banda punk a utilizar símbolos e imagens ligadas ao Terceiro Reich no movimento punk.

Nos anos 1970, provocar era parte da identidade do punk. O movimento surgiu em meio a uma mistura de insatisfação política, revolta juvenil e rejeição às normas

Com o tempo, muitos artistas passaram a buscar formas cada vez mais radicais de causar impacto. Foi nesse contexto que alguns recorreram à simbologia nazista.

O objetivo não era defender a ditadura de Hitler, mas usar um dos maiores tabus do século XX como instrumento de choque.

Essa lógica explica por que artistas como Sid Vicious, dos Sex Pistols, apareceram diversas vezes usando camisetas com suásticas.

Até  Siouxsie Sioux chegou a usar as infames braçadeiras com o mesmo símbolo no início de sua carreira. Ela explicou a motivação em entrevista ao jornalista Jon Savage:

"Sempre foi uma forma de irritar pais e mães… Nós detestávamos pessoas mais velhas. Não todas, mas geralmente aquela coisa suburbana, sempre falando de Hitler, e 'Nós demos uma lição nele', e aquele orgulho presunçoso. Era uma forma de dizer: 'Bem, eu acho que Hitler era muito bom, na verdade'; uma forma de ver alguém assim ficar completamente vermelho de vergonha."

Anos depois, grupos simpáticos à ideologia nazista e fascista passaram a enxergar parte da cena punk como um ambiente propício para recrutamento.

Na Inglaterra, a National Front atraiu skinheads para suas fileiras, transformando shows em locais frequentes de confrontos

Isso se espalhou pelo mundo e até chegou ao Brasil. Na década de 1990, as noites de São Paulo passaram a ser marcadas por confrontos entre punks e skinheads.

Universidade fez crítica ao antissemitismo

Em uma nota oficial, a reitoria da UFRJ repudiou veementemente qualquer tipo de apologia ao nazismo, ao fascismo, ao racismo, ao antissemitismo e a qualquer forma de intolerância ou discriminação.

Além disso, ressaltou que não admite agressões físicas como resposta a provocações ou divergências ideológicas.

Por fim, a universidade afirmou que vai organizar ações com a comunidade estudantil para evitar a escalada de novos conflitos no campus.

[TRAILER] INFERNO
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