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A mulher mais bonita do mundo inventou o Wi-Fi para combater nazistas

Apesar da importância de sua criação, Hedy Lamarr só foi reconhecida décadas depois.

Por
Rafael Lorenzo M. Barretti
Publicado em
Hedy Lamarr a atriz que criou o Wifi para combater os nazistas
Fonte da imagem: Reprodução

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Na década de 1930, a atriz Hedy Lamarr impressionava o mundo com sua beleza nas telas do cinema americano

Chamada de "a mulher mais bonita do mundo", ela ficou conhecida por interpretar personagens marcadas pela sensualidade, o arquétipo clássico da femme fatale.

No entanto, sua maior contribuição aconteceu bem longe das câmeras, no campo das pesquisas científicas.

Enquanto milhões de espectadores acompanhavam seus filmes, Lamarr dedicava boa parte de seu tempo livre a estudar engenharia, matemática e sistemas de comunicação

Em meio à Segunda Guerra Mundial, ela ajudou a desenvolver uma tecnologia que décadas depois se tornaria uma das bases das telecomunicações modernas.

Lamarr começou a carreira no cinema ainda jovem 

Hedy Lamarr nasceu em Viena, na Áustria, em 9 de novembro de 1914, com o nome Hedwig Eva Maria Kiesler.

Filha única de uma família judia abastada, cresceu em um ambiente que valorizava a educação

Aos 16 anos, ela já atuava em produções alemãs. A fama chegou em 1933, com o filme "Êxtase".

A obra causou polêmica na Europa por apresentar cenas consideradas ousadas demais para a época.

Ela se casou com Fritz Mandl, um influente fabricante de armamentos ligado a círculos políticos e militares da Europa.

O casamento, porém, estava longe de ser feliz. Mandl tinha uma relação muito próxima com o fascismo e o nazismo, o que a colocou em contato com antissemitas radicais. 

Embora se sentisse presa na relação, ela gostava de acompanhar o marido em encontros com empresários, engenheiros e militares, aprendendo sobre tecnologias militares.

Com o crescimento do antissemitismo na Europa e a ascensão do nazismo, Lamarr decidiu fugir. Em 1937, deixou o casamento e partiu para Londres.

Ela comprou as passagens para embarcar no mesmo navio que levava o produtor Louis B. Mayer, fundador da MGM, conseguindo chamar sua atenção

Pouco tempo depois, desembarcava nos Estados Unidos com um novo nome artístico: Hedy Lamarr.

Segunda Guerra a levou a inventar a base para o WiFi

Nos anos seguintes, Lamarr se transformou em um dos rostos mais conhecidos do cinema americano.

Filmes como "Argel", "A Dama dos Trópicos", "Carga Branca" consolidaram sua posição entre as maiores estrelas da Era de Ouro de Hollywood.

Seu sucesso no mundo das estrelas não fez com que ela ficasse alheia à tensão política e militar da época.

A Europa estava mergulhada em um conflito devastador. Submarinos alemães ameaçavam embarcações que cruzavam o Atlântico.

Lamarr sabia que muitos torpedos guiados por rádio podiam ser neutralizados pelos inimigos por meio da interferência nos sinais de comunicação.

Preocupada com a situação, ela começou a se perguntar como seria possível interceptar o sinal.

Em 1940, Lamarr conheceu o compositor George Antheil. Apaixonado por tecnologia, Antheil ficou impressionado com a inteligência da atriz

Os dois começaram a discutir formas de resolver o problema das comunicações militares, foi então que Lamarr apresentou uma ideia inovadora.

Em vez de utilizar uma única frequência de rádio, transmissor e receptor poderiam mudar constantemente de canal, saltando juntos entre diversas frequências.

Se o inimigo tentasse bloquear uma delas, a comunicação continuaria funcionando nas demais.

O conceito ficou conhecido como "frequency hopping", ou salto de frequência. Inspirado nos mecanismos dos pianos automáticos, Antheil ajudou a transformar a ideia em um protótipo funcional.

Em 1942, os dois receberam a patente de um sistema chamado Sistema de Comunicação Secreta.

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Projeto só avançou na Guerra Fria

Apesar da originalidade da proposta, a tecnologia da época ainda não era capaz de colocá-la em prática de forma eficiente.

A Marinha dos Estados Unidos recebeu os direitos da patente, mas decidiu não utilizar o sistema.

Durante décadas, o projeto ficou praticamente esquecido. A situação começou a mudar apenas durante a Guerra Fria.

Com o avanço da eletrônica e o surgimento de componentes mais sofisticados, engenheiros militares passaram a utilizar conceitos muito semelhantes aos desenvolvidos por Lamarr e Antheil.

Nas décadas seguintes, o princípio do salto de frequência foi incorporado a sistemas de comunicação seguros utilizados pelas Forças Armadas americanas.

Mais tarde, a mesma lógica técnica seria aplicada ao desenvolvimento das comunicações sem fio modernas.

Sistemas como Wi-Fi, Bluetooth e GPS utilizam conceitos derivados da tecnologia que Lamarr ajudou a criar durante a Segunda Guerra Mundial.

O reconhecimento que chegou tarde

Durante grande parte da vida, Hedy Lamarr viu sua inteligência ser ofuscada pela fama de mulher bonita.

Enquanto seu trabalho ajudava a transformar as telecomunicações, ela raramente era mencionada nos livros de ciência ou engenharia.

Ela nunca recebeu royalties pela invenção ou lucrou com as aplicações comerciais que surgiram décadas depois.

Apesar disso, na década de 1990, Lamarr e George Antheil receberam o Pioneer Award da Electronic Frontier Foundation

Mais tarde, ela se tornou a primeira mulher a receber o prêmio Bulbie Gnass Spirit of Achievement.

Após sua morte, em 2000, veio uma das maiores homenagens. Hedy Lamarr foi incluída no Hall da Fama Nacional dos Inventores dos Estados Unidos.

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