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Conheça a história da princesa brasileira que foi assassinada pelo nazismo

A bisneta de Dom Pedro II foi vítima de um programa secreto do regime de Adolf Hitler.

Por
Rafael Lorenzo M. Barretti
Publicado em
Princesa brasileira foi morta pelo nazismo
Fonte da imagem: Reprodução

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Poucos brasileiros sabem que uma integrante da família imperial do Brasil foi vítima direta de uma das maiores atrocidades da história da humanidade, o Holocausto.

Seu nome era Maria Carolina Filomena Ignácia Paulina Josefa Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Saxe-Coburgo e Bragança. 

Nascida em 10 de janeiro de 1899, na cidade de Pula, parte do Império Austro-Húngaro e atualmente na Croácia, ela foi registrada como princesa brasileira em exílio.

Maria Carolina era filha do príncipe Augusto Leopoldo, nascido em Petrópolis, e da arquiduquesa Carolina da Áustria-Toscana. 

Augusto Leopoldo era filho da princesa Leopoldina, segunda filha de Dom Pedro II e da imperatriz Teresa Cristina

Isso fazia de Maria Carolina bisneta de Dom Pedro II e trineta de Dom Pedro I, os dois primeiros imperadores brasileiros.

Apesar dessa origem, ela jamais conheceu o Brasil. Depois da Proclamação da República, a Lei do Banimento impediu que os descendentes da família imperial retornassem ao país

Seu pai passou a viver em Viena e constituiu família na Europa, onde os oito filhos do casal cresceram entre castelos na Áustria.

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Uma infância marcada pela deficiência

Maria Carolina nasceu com deficiência intelectual. Historiadores apontam que a condição pode ter origem genética, já que outros dois irmãos também apresentavam problemas semelhantes.

Segundo relatos de familiares, acredita-se ainda que ela tenha contraído poliomielite durante a infância, agravando ainda mais seu quadro de saúde.

Durante muitos anos, viveu sob os cuidados da família. Mas sua condição piorou gradualmente.

A morte de seu pai, o príncipe Augusto Leopoldo, em outubro de 1922, representou um novo golpe.

Pesquisadores que estudaram sua trajetória avaliam que a perda teve impacto direto sobre seu estado emocional e psicológico

Ao mesmo tempo, a família também enfrentava mudanças profundas desde o colapso do Império Austro-Húngaro, ocorrido em 1918.

Obrigados a deixar a cidade costeira de Pula, passaram a viver em Schladming, uma pequena cidade alpina no interior da Áustria, onde vivia sob os cuidados da mãe.

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A chegada do nazismo mudou tudo

Em 1933, Adolf Hitler chega ao poder na Alemanha, com um discurso radical e eugenista que defendia a “pureza da raça ariana”.

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Cinco anos depois, tropas alemãs marcharam sobre a Áustria em um episódio que ficou conhecido como Anschluss, a anexação do país.

Com o avanço do regime nazista, a arquiduquesa Carolina mudou-se para Budapeste levando outra filha da família

Já Maria Carolina, devido à sua condição de saúde e à idade avançada da mãe, foi encaminhada para instituições de cuidado.

Ela passou por casas de repouso, sanatórios e, posteriormente, foi internada em um hospital psiquiátrico em Schladming.

Naquele momento, porém, hospitais psiquiátricos deixavam de ser apenas locais de tratamento.

Sob o regime nazista, pessoas com deficiência física ou intelectual passaram a ser classificadas como vidas "indignas de serem vividas". 

Médicos ligados ao Estado identificavam pacientes considerados incuráveis para incluí-los no programa Aktion T4.

Os pacientes eram submetidos ao que o regime chamava de eutanásia, sendo mortos em câmaras de gás disfarçadas de banheiro usando monóxido de carbono.

Após a execução, as vítimas eram cremadas e depositadas em urnas que posteriormente eram entregues às famílias junto com um atestado de óbito.

O documento registrava causas fictícias para a morte, normalmente pneumonia ou tuberculose, com o objetivo de esconder essa atrocidade.

Foi o que aconteceu no caso de Maria Carolina. Seu irmão, o príncipe Ernesto, recebeu uma carta oficial de condolências alegando que se tratava de uma morte natural.

A urna com os restos mortais dela foi depositada na cripta da família na paróquia de Santo Agostinho, em Coburgo.

Em 2021, a princesa recebeu uma placa em homenagem em frente à residência da família em Schladming, contando um pouco de sua história.

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