História5 min de leitura

Príncipe brasileiro pode perder o trono por se casar fora da realeza

A decisão segue uma regra criada pela própria princesa Isabel, mais de um século atrás.

Por
Gabriel Costa
Publicado em
Dom Rafael de Orleans e Bragança
Fonte da imagem: Reprodução

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Era uma vez um príncipe que se apaixonou. O problema é que a mulher que ele escolheu não era uma princesa, e isso pode custar a ele o trono.

Dom Rafael de Orleans e Bragança é o príncipe imperial do Brasil e sucessor do atual chefe da Casa Imperial do Brasil, Dom Bertrand de Orleans e Bragança. Se o Brasil ainda fosse uma monarquia, ele sucederia o tio como imperador.

Mas a mulher que ele escolheu para se casar, a italiana Margherita delle Piane, não pertence a nenhuma casa real reconhecida. E, dentro das regras dessa família, isso muda tudo.

Dom Bertrand de Orleans e Bragança anunciou publicamente que não vai aceitar o casamento.

Em carta lida no último sábado (11), durante um encontro de monarquistas em São Paulo, ele afirmou que o casamento sem sua autorização resultaria na perda dos direitos de sucessão de Rafael.

Nesse caso, os direitos passariam automaticamente para a irmã dele, a princesa Dona Maria Gabriela.

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A origem dessa tradição

Já passaram 136 anos desde que o Brasil deixou de ser uma monarquia com a proclamação da República, mas para entender por que essa história ainda importa, é preciso voltar a 1822, quando Dom Pedro I proclamou a Independência e se tornou o primeiro imperador do país.

Sua linha de sucessão seguiu até sua neta, a princesa Isabel, que se casou com o príncipe francês Gastão de Orleans, o Conde D’Eu.

Foi dessa união que nasceu a família que hoje carrega o sobrenome Orleans e Bragança, e que segue se organizando até hoje.

Um antigo caso de família

A regra que agora ameaça a posição de Rafael tem uma origem bem específica: em 1908, um dos filhos da própria princesa Isabel quis se casar com uma condessa tcheca.

Dona Isabel considerou a união inadequada para um futuro herdeiro do trono e exigiu que o filho renunciasse aos seus direitos.

Foi essa decisão que, décadas depois, dividiu a família em dois grupos rivais. Até hoje eles discordam sobre quem seria o verdadeiro herdeiro do trono brasileiro.

De um lado estão os que seguem a linha de Vassouras, cidade do Rio de Janeiro onde se estabeleceu o ramo de Dom Bertrand e Rafael.

Do outro, os que seguem a linha de Petrópolis, também no Rio, formada por parentes que discordam dessa mesma regra sobre casamentos.

Rafael se tornou herdeiro em 2009, depois que seu irmão mais velho morreu em um acidente aéreo.

Segundo relatos à imprensa europeia, ele vive hoje um momento de "realização pessoal" ao lado de Margherita. Os dois se conheceram em 2020, em Londres, por meio de parentes em comum.

O casamento está marcado para 28 de novembro, em Florença, na Itália, região onde a família da noiva tem propriedades como vinícolas e produções de azeite.

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Árvore genealógica da família imperial brasileira

Para entender como Rafael chegou a essa posição, vale seguir a linhagem completa, desde o primeiro imperador do Brasil até os dias de hoje:

  • Dom Pedro I (primeiro imperador do Brasil);

  • Dom Pedro II;

  • Princesa Isabel;

  • Dom Luiz Maria;

  • Dom Pedro Henrique.

  • Dom Luiz, Dom Bertrand e Dom Antônio;

  • Dom Rafael (filho de Dom Antônio) e Dona Maria Gabriela.

Site: Monarquia

No fim, resta saber qual caminho Rafael vai escolher: seguir com o casamento e abrir mão do título, ou preservar a posição que ocupa dentro da família há anos.

Entender por que a monarquia ainda pesa no imaginário de parte dos brasileiros exige voltar ainda mais no tempo, muito antes de Dom Pedro I.

É esse resgate que a Brasil Paralelo faz em "Brasil: A Última Cruzada", série que reconstrói a formação da identidade brasileira desde suas origens.

O primeiro episódio, "A Cruz e a Espada", já está disponível no canal da Brasil Paralelo e mostra as guerras de reconquista da Península Ibérica, o pano de fundo que antecede toda essa história.

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