Pesquisa pode responder questão sobre o tecido que intriga estudiosos da Bíblia.

Um grupo de pesquisadores fez um teste de irradiação em tecidos de linho para investigar um dos maiores mistérios envolvendo o Santo Sudário.
A túnica que teria envolvido o corpo de Jesus é uma das relíquias mais estudadas e polêmicas do mundo.
Agora, um novo estudo propõe que a imagem do homem crucificado impressa no tecido pode não ter sido visível quando o corpo foi envolvido.
A imagem pode ter surgido apenas algum tempo depois, em consequência do envelhecimento natural do linho ou da exposição ao calor.
A hipótese foi apresentada pela imunologista Kelly Kearse em um artigo publicado em 12 de agosto.
Que tal receber notícias todos os dias em seu E-mail? Clique aqui e receba de graça o Resumo BP.
A pesquisadora analisou experimentos nos quais diferentes níveis de radiação foram aplicados a tecidos de linho para observar como as fibras reagiam.
Os resultados mostraram duas questões. Quando os pesquisadores utilizaram pulsos de radiação mais intensos, a imagem aparecia imediatamente, mas as manchas de sangue eram danificadas.
Já quando a energia aplicada era menor, as fibras do tecido sofriam alterações microscópicas, mas nenhuma imagem podia ser vista.
Segundo o estudo, essa imagem só se tornava visível depois que o tecido envelhecia naturalmente ou era submetido ao calor.
Os pesquisadores chamam esse fenômeno de imagem latente, ou seja, uma alteração que existe desde o início, mas permanece invisível até que algum processo posterior a revele.
Para Kearse, essa hipótese pode ajudar a explicar a convivência entre a imagem do corpo e as manchas de sangue.
Caso o tecido realmente tenha envolvido um cadáver antes da formação da imagem, qualquer processo responsável por criar essa figura precisaria alterar apenas as fibras superficiais do linho.
A teoria também busca responder a uma questão frequentemente levantada por estudiosos dos Evangelhos.
Os relatos bíblicos afirmam que os discípulos encontraram os panos funerários no túmulo vazio, mas não mencionam a existência de uma imagem sobre o tecido.
Para Kearse, caso essa imagem ainda fosse invisível naquele momento, isso poderia explicar por que nenhum dos textos faz referência a ela.