Pesquisadores analisaram a velocidade de evolução dos seres vivos e usaram um modelo matemático.

A origem da vida é uma das questões que mais intrigam cientistas, pensadores e religiosos ao longo da história.
Apesar da resposta definitiva ainda parecer distante, um grupo internacional de pesquisadores pode ter descoberto novas pistas sobre como tudo começou.
Ao analisar genes presentes nos seres vivos atuais e utilizar modelos matemáticos, os cientistas concluíram que a vida pode ter surgido muito antes do que se imaginava.
O estudo, publicado na revista científica Nature Ecology & Evolution, indica que o chamado Último Ancestral Universal Comum (LUCA, na sigla em inglês) viveu há aproximadamente 4,2 bilhões de anos.
Isso seria apenas cerca de 400 milhões de anos depois da formação da Terra, um intervalo curto levando em consideração eventos cósmicos.
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Apesar do nome, LUCA não é necessariamente o primeiro ser vivo que existiu. Ele representa o ancestral comum mais recente de todas as formas de vida celular que existem atualmente.
Em outras palavras, bactérias, arqueas, plantas, animais e seres humanos descendem dessa mesma linhagem ancestral.
Para estimar a idade de LUCA, os pesquisadores analisaram genes compartilhados por organismos atuais.
A equipe calculou as mutações acumuladas desde que diferentes grupos de seres vivos passaram a evoluir separadamente e combinou essas informações com modelos matemáticos conhecidos como "relógios moleculares".
A conclusão foi que LUCA provavelmente viveu durante o Hadeano, o primeiro período da história da Terra.
Naquela época, a superfície da Terra ainda passava por intensas transformações geológicas e apresentava condições extremamente hostis.
Mesmo assim, os resultados sugerem que a vida conseguiu se estabelecer relativamente pouco tempo após a formação do planeta.
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Os pesquisadores também reconstruíram uma série de características prováveis desse ancestral.
Segundo o estudo, LUCA era um organismo procarionte, ou seja, não possuía núcleo celular, mas estava longe de ser um ser simples.
A análise indica que ele já possuía mecanismos metabólicos sofisticados, capazes de produzir energia e fixar carbono.
Além disso, ele possuía estruturas semelhantes às encontradas nas bactérias e arqueias atuais.
Uma das descobertas mais curiosas é que LUCA pode ter contado com uma forma primitiva de sistema imunológico.
Se essa hipótese estiver correta, isso significa que, há mais de quatro bilhões de anos, organismos celulares já enfrentavam vírus em uma espécie de corrida evolutiva.
A vida talvez já formasse um pequeno ecossistema. O estudo também sugere que LUCA dificilmente vivia isolado.
Segundo Tim Lenton, pesquisador da Universidade de Exeter e um dos autores do trabalho, os resíduos produzidos por esse organismo poderiam servir de alimento para outros microrganismos.
Na prática, isso significa que já poderia existir uma comunidade microbiana relativamente organizada.
Essa hipótese reforça a ideia de que a diversificação da vida começou muito cedo na história da Terra.