Descoberta foi feita por mergulhadores e aprofundada por marinheiros locais.

Há mais de 2 mil anos, a cidade romana de Aenaria afundou nas águas do Mediterrâneo.
O antigo povoado, construído na ilha vulcânica de Ísquia, no sul da Itália, desapareceu em meio a uma atividade vulcânica que atingiu a região por volta do ano 180 d.C.
Durante séculos, sua história ficou escondida sob o fundo do mar, até que mergulhadores e pesquisadores conseguiram localizar suas ruínas.
Os resquícios da cidade estão na Baía de Cartaromana, no Mar Tirreno, região que hoje recebe turistas e banhistas durante o verão europeu.
Logo abaixo da superfície repousam estruturas que permaneceram preservadas por milênios graças a camadas de sedimentos e materiais vulcânicos que cobriram o local.
A história da cidade e sua existência permaneceram praticamente desconhecidas durante séculos.
Embora antigos autores romanos mencionassem o nome Aenaria, arqueólogos nunca localizaram o assentamento.
Muitos acreditavam que os romanos jamais estabeleceram uma cidade em Ísquia por causa da intensa atividade vulcânica da ilha.
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Os primeiros indícios concretos surgiram apenas em 1972, quando dois mergulhadores encontraram fragmentos de cerâmica romana e lingotes de chumbo na costa leste da ilha.
Na época, a descoberta chamou a atenção, mas as investigações não conseguiram localizar as construções antigas.
O caso permaneceu praticamente parado por quase quatro décadas, até voltar a ser investigado em 2011.
Quando marinheiros locais apaixonados pela história da ilha decidiram retomar as buscas.
Trabalhando ao lado de arqueólogos, eles encontraram um enorme píer romano enterrado cerca de dois metros abaixo do leito marinho.
A partir dessa descoberta, novas escavações passaram a revelar um conjunto muito maior de estruturas.
Foram encontrados milhares de objetos do dia a dia, que provaram a presença romana. Além disso, eles acharam:
mosaicos;
moedas;
ânforas;
restos de embarcações;
vilas costeiras;
galerias subterrâneas;
vestígios de banhos romanos.
Os pesquisadores afirmam que esses achados indicam que o local não funcionava apenas como um porto comercial.
A presença de objetos domésticos e de estruturas residenciais sugere que existia uma comunidade estável vivendo ao redor do porto.
As análises também revelam a importância econômica de Aenaria. As ânforas recuperadas foram produzidas em pelo menos doze regiões diferentes do Mediterrâneo.
Os estudos também mostraram que parte do chumbo encontrado veio da Espanha.
Para os arqueólogos, esses materiais demonstram que a cidade participava de uma extensa rede comercial que conectava diferentes partes do Império Romano.
Outro achado chamou atenção dos pesquisadores. Em 2020, o estudo de um naufrágio revelou equipamentos militares.
Esses objetos reforçam a hipótese de que Aenaria também desempenhava uma função estratégica na defesa do Golfo de Nápoles.
Apesar das descobertas, ainda há perguntas sem resposta. Os pesquisadores discutem se as ruínas correspondem à cidade mencionada pelos autores antigos ou a um importante assentamento romano.
Segundo a arqueóloga Alessandra Benini, responsável pelas escavações, a principal meta agora é localizar a área residencial completa da antiga cidade.
Se isso acontecer, será possível compreender com mais precisão como viviam seus habitantes e qual era a dimensão do assentamento.