Os séculos tornaram quase impossível identificar um eventual DNA original do homem que teria sido envolvido pelo pano.

Conhecido por muitos como o manto que envolveu o corpo de Jesus Cristo após a crucificação, o Santo Sudário de Turim é uma das relíquias que mais intriga os cientistas.
A peça voltou a ser analisada por uma equipe de pesquisadores que focou em mapear os restos de DNA encontrados no tecido.
O que eles descobriram foi uma complexa história biológica preservada entre as fibras do linho.
O estudo, publicado em 9 de julho na revista Scientific Reports, foi o primeiro a aplicar técnicas modernas e rigorosas de sequenciamento genômico em amostras coletadas do Sudário ainda em 1978.
Em vez de tentar analisar apenas um tipo de material genético, os pesquisadores utilizaram métodos capazes de identificar diferentes organismos presentes em uma mesma amostra.
A investigação identificou diversas linhagens de DNA humano, além de composto por bactérias, fungos e arqueias.
Também foram encontrados vestígios genéticos de plantas cultivadas, animais domesticados e até coral vermelho do Mediterrâneo.
Esses elementos podem ajudar a reconstruir parte da trajetória percorrida pela relíquia antes de chegar à Igreja Católica.
Entre as espécies identificadas estão frutas, legumes e animais como bois, porcos, e galinhas.
Os cientistas também encontraram vestígios de peixes, insetos e pequenos artrópodes.
Outra descoberta chamou a atenção da equipe. Cerca de 55,6% das sequências de DNA humano encontradas apresentam relação com populações do Oriente Médio.
Outros 38,7% parecem estar ligados a pessoas de ascendência indiana. Menos de 6% das sequências foram associadas a populações europeias.
Os autores levantam a hipótese de que o próprio linho possa ter sido produzido no subcontinente indiano.
A região é conhecida pela fabricação e exportação de tecidos finos desde a Antiguidade.
Segundo os pesquisadores, esses tecidos circulavam por antigas rotas comerciais que ligavam a Índia ao Oriente Médio e ao Mediterrâneo.
Apesar dos novos achados, os pesquisadores reconhecem uma importante limitação do estudo.
Séculos de contato tornaram praticamente impossível isolar um eventual DNA original associado ao homem que teria sido envolvido pelo pano.
Por isso, a análise não permite responder se o Sudário pertenceu ou não a Jesus Cristo.