A vida parece estar chegando na região através de poças de água doce em uma das águas mais salgadas do mundo.

O Mar Morto recebeu esse nome porque o excesso de sal em suas águas, quase dez vezes acima do encontrado no oceano, torna a sobrevivência praticamente impossível.
Apesar de ser assim há séculos, o Mar Morto parece estar ganhando vida por causa de um fenômeno que está chamando a atenção de fiéis e cientistas.
Poças de água doce estão surgindo nas costas do lago. A mudança tem feito com que a vegetação comece a tomar conta de algumas regiões.
Pesquisadores também estão identificando ecossistemas de peixes, insetos e aves começando a se apoderar dessas áreas.
Isso está levando diversos religiosos a se lembrarem da profecia de Ezequiel. No capítulo 47 do livro sagrado, o profeta descreve uma visão em que um rio nasce em Jerusalém.
“Estas águas vão para o distrito oriental e descem para a planície do deserto; entrarão no mar (Morto) e aí se difundirão, de maneira que as águas ficarão saudáveis. Todo o animal vivo, que se move (nas águas), viverá por toda a parte onde chegar a torrente; haverá peixes em abundância, porque, onde chegarem estas águas, as outras se tornarão sãs e haverá vida em toda a parte onde chegar esta torrente.”
Para alguns estudiosos das Escrituras, as novas lagoas de água doce próximas à região de En Gedi lembram essa descrição.
Outros também citam uma profecia de Zacarias 14, segundo a qual "água viva" fluirá em direção ao "mar oriental", tradicionalmente identificado como o Mar Morto:
“Nesse dia sairão de Jerusalém águas vivas, metade das quais correrá para o mar do oriente, e a outra metade para o mar do ocidente; correrão durante o estio e durante o inverno.”
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Estudos do Instituto Geológico de Israel mostram que o nível do lago vem diminuindo há décadas.
À medida que a água recua, aquíferos subterrâneos que antes estavam escondidos por causa da densidade da superfície salina passam a ficar expostos.
A água doce percorre formações de calcário poroso localizadas em áreas mais elevadas próximas a Jerusalém.
Impulsionada pela gravidade, ela emerge por meio de nascentes naturais e passa a ocupar cavidades abertas pela dissolução de antigos depósitos subterrâneos de sal.
Essas cavidades, conhecidas como dolinas, estão espalhadas através de toda a margem do lago.
Apenas no lado israelense já foram registradas mais de 9 mil delas, a Jordânia e a Cisjordânia também tem partes do Mar Morto.
Algumas provocaram o fechamento de estradas e áreas turísticas devido ao risco de desabamentos.
Em várias dessas depressões formaram-se pequenas lagoas de água doce cercadas por juncos, tamargueiras e outras espécies de vegetação.
Com o tempo, algas, insetos, aves e pequenos organismos aquáticos passaram a ocupar esses ambientes, formando ecossistemas isolados em uma região historicamente marcada pela aridez.
Os pesquisadores ressaltam, porém, que isso não significa que o Mar Morto tenha deixado de ser um dos ambientes mais salinos do planeta, sua concentração de sal continua em torno de 34%.