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As três ondas do pentecostalismo: de uma rua abandonada ao Congresso Nacional

Do isolamento social ao investimento em mídia e política, veja o que mudou entre a primeira e a atual geração de igrejas evangélicas.

Por
Gabriel Costa
Publicado em
Culto evangélico
Fonte da imagem: Reprodução

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Todos os anos, mais brasileiros se declararam evangélicos. O país que já foi conhecido como a maior nação católica do mundo hoje vive um fenômeno inverso: quase 3 em cada 10 brasileiros já são evangélicos, segundo o último Censo.

Mas esse crescimento não aconteceu de uma vez. Ele levou mais de um século para se formar, em três grandes fases distintas, cada uma respondendo a um momento diferente da história do país.

Sociólogos da religião, como Paul Freston, batizaram essas fases de "ondas". Entender essa divisão ajuda a explicar por que existem tantos tipos diferentes de igrejas evangélicas no Brasil hoje.

Do estilo discreto e fechado dos primeiros templos ao apelo midiático das denominações mais recentes, cada onda deixou uma marca própria na sociedade brasileira.

Com o tempo, esse avanço levou o movimento evangélico para dentro do Congresso Nacional e das principais disputas eleitorais do país.

  • A Brasil Paralelo investigou a fundo esse movimento. O resultado foi o novo documentário O Brasil Evangélico, que estreia dia 8 de julho às 20h, em exibição única e gratuita no YouTube. Clique aqui e garanta seu lugar.

A primeira onda: entre 1910 e 1950

Tudo começa fora do Brasil, em 1906, com o Avivamento da Rua Azusa, em Los Angeles. Ali, o pregador William Seymour liderou reuniões que reuniam pessoas de diferentes raças e etnias, algo raro para a época.

O episódio é considerado o marco fundador do pentecostalismo moderno.

Poucos anos depois, esse movimento chega ao Brasil por dois caminhos diferentes. Em 1910, o imigrante italiano Luigi Francescon funda a Congregação Cristã no Brasil, em São Paulo.

Em 1911, os suecos Daniel Berg e Gunnar Vingren fundam a Assembleia de Deus, em Belém do Pará, depois de serem expulsos de uma igreja batista local por pregarem o batismo no Espírito Santo.

Essa primeira onda tinha como marca central o batismo com o Espírito Santo, que se manifestava através do dom de falar em línguas estranhas, prática conhecida como glossolalia.

As igrejas dessa fase mantinham costumes rígidos, um forte isolamento social e uma postura de distanciamento da vida pública e da política, algo que só começaria a mudar décadas depois.

A segunda onda: a partir dos anos 1950

O Brasil mudou muito entre as décadas de 1950 e 1960. O país se urbanizou rapidamente, e milhões de pessoas migraram do campo para as cidades, muitas vezes sem nenhuma rede de apoio.

Foi nesse cenário que surgiu a segunda onda, também chamada de deuteropentecostalismo.

Ela chegou através das chamadas "cruzadas de cura divina", grandes cultos realizados em tendas de lona, inspirados em campanhas parecidas que já aconteciam nos Estados Unidos.

Dessa fase nasceram igrejas como a do Evangelho Quadrangular, a O Brasil para Cristo, fundada por Manoel de Mello, e a Deus é Amor.

O foco deixou de ser apenas o batismo no Espírito Santo e passou a incluir a cura divina e a expulsão de demônios, respostas diretas às dificuldades de saúde e bem-estar que essa nova população urbana enfrentava, muitas vezes sem qualquer assistência do Estado.

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A terceira onda: a partir do fim dos anos 1970

A terceira onda, o neopentecostalismo, trouxe a mudança mais profunda de todas. Ela deixou para trás o estilo mais fechado e rígido das ondas anteriores e passou a investir em mídia e em uma linguagem mais próxima do mercado.

O centro dessa nova fase é a Teologia da Prosperidade. Essa doutrina ensina que a pobreza e a doença não fazem parte do plano de Deus para o crente.

Segundo essa visão, a fé, mostrada também através de dízimos e ofertas, seria capaz de trazer prosperidade financeira e saúde ao fiel.

Foi dessa terceira onda que nasceram igrejas como a Universal do Reino de Deus, fundada por Edir Macedo em 1977, e a Internacional da Graça de Deus, fundada por R. R. Soares em 1980.

Foi também nessa fase que o movimento evangélico passou a investir com força em rádio e televisão, e, com o tempo, também na política.

Os evangélicos alcançaram as altas esferas do poder

Segundo o Censo de 2022, do IBGE, os evangélicos já representam 26,9% da população brasileira, o maior número já registrado no país.

Esse crescimento não ficou restrito aos templos. Com o tempo, o movimento evangélico também passou a ocupar espaço no Congresso Nacional.

A chamada bancada evangélica começou a se organizar de forma mais coesa a partir da Assembleia Constituinte de 1987 e 1988, já na terceira onda, e hoje é um dos maiores blocos suprapartidários do país, com peso decisivo em votações sobre temas de costumes.

Foi assim que um movimento que nasceu discreto, dentro de um templo abandonado em Los Angeles, chegou às principais esferas de poder do Brasil mais de um século depois.

Essa jornada completa, da origem religiosa à influência política, é o tema investigado pela Brasil Paralelo no documentário original "O Brasil Evangélico".

O novo documentário O Brasil Evangélico, que estreia dia 8 de julho às 20h, em exibição única e gratuita no YouTube.

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A Brasil Paralelo é uma empresa de entretenimento e educação cujo propósito é resgatar bons valores, ideias e sentimentos no coração de todos os brasileiros. Em sua história, a empresa já produziu documentários, filmes, programas e cursos sobre história, filosofia, economia, educação, política, artes e atualidades.

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